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Tentativa de envolver esquerda na facada em Bolsonaro só coloca mais vidas em risco

É lamentável e perigoso que setores da mídia e aliados do candidato do PSL façam uso político-partidário de uma ação tresloucada

Fotomontagem Brasil de Fato
Cynara Menezes
07 de setembro de 2018, 01h24

Lamentáveis as cenas que o Brasil assistiu nesta sexta-feira, 6 de setembro, véspera do dia da Pátria. Um homem desequilibrado esfaqueou o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro no abdômen em plena rua. Neste momento, Bolsonaro está internado na Santa Casa de Juiz de Fora. O salto para o passado do golpe de 2016 agora nos coloca de volta nos anos 1950, quando políticos sofriam atentados. Abriram a caixa de Pandora.

Não bastasse a violência em si do acontecimento, setores da mídia e aliados do deputado tentam perigosamente envolver a esquerda na agressão, repudiada por todos os candidatos a presidente, de todos os partidos. O vice de Bolsonaro, o general de pijamas Mourão, acusou diretamente o PT de estar por trás do crime, mesmo sem nenhuma evidência disso. Adelio Bispo de Olibeira, o agressor, foi filiado ao PSOL, insiste em martelar o portal UOL.

E daí? O cabo Daciolo, o candidato à presidência que acredita numa delirante URSAL, com quem aliás Bolsonaro fez dobradinha no debate da rede TV!, também foi do PSOL e acabou sendo expulso do partido. Absurdamente, foi uma bandeira da URSAL no facebook de Adelio que serviu como referência para o portal Terra publicar uma matéria, depois apagada, acusando o agressor de ser “ativista comunista”.

No entanto, a “reportagem” já havia se disseminado para outros meios de comunicação sem cuidado com apuração de notícias, como a revista IstoÉ, que ainda mantém a manchete no ar na home e no twitter.

O mesmo título e texto foram replicados pelo portal UOL, com referência para a agência italiana de notícias ANSA.

O que sabemos de fato sobre o agressor é que Adelio Bispo de Oliveira tinha um perfil no facebook onde mesclava pensamentos contraditórios em relação à política: falava mal de Bolsonaro, mas também de Dilma Rousseff (PT); e era obcecado pela maçonaria. A imprensa também levantou que ele esteve no mesmo clube de tiro frequentado pelos filhos do candidato em Florianópolis. Segundo a família, tinha pensamentos conturbados e afirmou ter agido por ordem de Deus. Enfim, não há nada que indique que sua tresloucada ação foi movida por convicções políticas.

Vivemos um momento delicado de nossa democracia. Fazer uso político-partidário de uma fatalidade dessas é colocar o país e a integridade de gente inocente em risco. Este tipo de fraude narrativa pode acirrar ainda mais os ânimos e causar uma escalada de violência que sabe-se lá onde pode parar.

Uma coisa é certa: a facada em Bolsonaro confirmou as suspeitas de todos de que esta será a campanha mais suja da História. Já superou 1989. Medo que ainda vem por aí.

 

 


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