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Direitos Humanos

Trump transforma EUA num lugar perigoso para quem fala espanhol

Mais de 20 Estados aprovaram o inglês como "língua oficial" e se multiplicam as agressões a imigrantes latinos por falar espanhol na rua

Um antigo anúncio anti-latinos nos EUA. Foto: Russell Lee Photograph Collection, The Center for American History, University of Texas
Da Redação
28 de maio de 2018, 17h55

Deu no Guardian: desde que o direitista Donald Trump chegou ao poder está se tornando perigoso falar espanhol nos Estados Unidos, embora atualmente cerca de 50 milhões de pessoas sejam hispanohablantes na “América”, uma população maior do que a da Espanha. É o segundo país onde mais se fala espanhol no mundo –só perde para o vizinho México.

Desde que Trump assumiu, porém, mais de 20 Estados fizeram questão de aprovar o inglês como “língua oficial”, e se multiplicam as notícias de agressões contra imigrantes latinos ou descendentes por falar espanhol na rua. São centenas de relatos de latinos que são abordados por estranhos simplesmente por dizer “como te va?” em vez de “how are you?”. “Aqui é América, aqui se fala inglês!”, “volte para seu país!”, gritam os agressores.

Há duas semanas, um advogado coxinha de Nova York, Aaron Schlossberger, foi filmado agredindo dois atendentes de uma lanchonete por falarem espanhol. “Sua equipe está falando espanhol com os clientes quando deveria falar inglês. Aqui é América! Eu pago o seu seguro social, eu pago para que possam estar aqui! O mínimo que vocês podem fazer é falar inglês. Aposto que não têm documentos. A minha próxima ligação é para o ICE (polícia migratória) para que cada um deles seja expulso do meu país”, disse, aos berros.

Depois que o vídeo foi assistido por milhões de pessoas nas redes sociais e ele foi demitido do emprego, voltou atrás. Pediu desculpas e disse que o racista que aparece no vídeo não é seu “real eu”, embora outros vídeos que vieram à tona o mostrem em situações semelhantes.

O Guardian traz histórias ocorridas nos últimos meses, como a cubana que foi colocada para fora de uma loja da UPS em Miami em janeiro por não conseguir falar direito inglês. “Ah, f… spanish”, o funcionário diz. “Por que você está falando comigo desse jeito grosseiro? Estou filmando você por sua falta de respeito”, responde a mulher. “Não, você não tem o respeito de ninguém. Eu não vou lhe respeitar”, ele rebate. “Saia daqui, saia.” Ele também acabou sendo demitido.

No mês anterior, um agente de fronteira em Montana prendeu duas mulheres, cidadãs norte-americanas, por falarem espanhol entre si num posto de gasolina.

Desde que Trump chegou ao poder, com suas afirmações truculentas a respeito de imigrantes, os supremacistas brancos saíram do armário. Ainda candidato, expulsou um jornalista mexicano radicado nos EUA de uma entrevista coletiva e desde então já falou o diabo sobre os latinos: acusou-os de serem “estupradores”, “assassinos”, “más pessoas” e falou que o México só manda gente ruim para seu país.

“Quando o México manda as pessoas para cá, não está mandando os melhores. Não está mandando você. Está mandando pessoas que têm um monte de problemas, e eles trazem estes problemas para nós, drogas, crime. Eles são estupradores. Alguns, acredito, são boas pessoas”, afirmou, no discurso anunciando sua candidatura a presidente.

Quando o México manda as pessoas para cá, não está mandando os melhores. Está mandando pessoas que têm um monte de problemas, e eles trazem estes problemas para nós, drogas, crime. Eles são estupradores

Segundo um informe sobre o ódio nos Estados Unidos, o Year in Hate, o número de grupos neonazistas subiu de 99 para 121 no primeiro ano de Trump no governo; os grupos anti-muçulmanos foram de 101 para 114 e os grupos anti-imigrantes de 14 para 22.

Uma das “ideias” defendidas pelos supremacistas brancos é o “purismo linguístico”, ou seja, expurgar da língua inglesa todos os latinismos e voltar para as raízes germânicas do idioma. Falar espanhol, portanto, virou razão para ter muito cuidado ao andar nas ruas da “pátria da liberdade”.

 

 

 


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LUIZ EUGÊNIO PARENTES FORTES FERRAZ em 28/05/2018 - 18h51 comentou:

Corrijam-me se eu estiver errado, mas a placa aí em cima parece estar gramaticalmente incorreta. O correto seria “We serve whites only”, sem a apóstrofe. Parece que os gringos precisam aprender a se expressar no seu próprio idioma antes de exigir isso dos outros…

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Rogerio D Maestri em 29/05/2018 - 01h45 comentou:

Eles vão pagar caro por isto, a maioria do exército norte-americano ou são negros ou latinos, os brancos não querem se arriscar, preferem ficar ofendendo mulheres, jóvens e crianças, mas a lei do Karma é infalível.

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Lucas em 31/05/2018 - 17h24 comentou:

Aquela placa é antiga. A regra pode ter mudado ao longo dos anos.

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    Cynara Menezes em 01/06/2018 - 14h41 comentou:

    óbvio que é antiga. é só uma ilustração para demonstrar como os EUA estão andando para trás

Lucas em 01/06/2018 - 22h31 comentou:

Eu tentava responder o comentário do Luiz Eugênio.

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Azambuja em 02/06/2018 - 20h12 comentou:

O policial n prendeu as mulheres, ele pediu os documentos p ver se eram norte-americanas mesmo, pelo que eu entendi.

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Azambuja em 02/06/2018 - 20h15 comentou:

Claro q é uma situação incômoda vc ser detido e ter q provar que é legal, mas escrever de um modo induzindo as pessoas ao erro é antiético.

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Viviane em 04/06/2018 - 11h04 comentou:

Meu lado obscuro torce para ver um brasileiro coxinha ser insultado na “pátria amada” (dele, bem entendido) por falar português, nem que seja com outro brasileiro…

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Omar Dario em 07/06/2018 - 12h23 comentou:

O engraçado nisso tudo é que, metade das palavras utilizadas em inglês vieram do Latim.
Por ocasião da invasão da Bretanha por Júlio César e Cláudio. Deve ser algum tipo de ódio
atávico que os brancos americanos guardam nos genes contra latinos em geral. ha ha !
Vai saber…

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