9 coisas que não existiriam mais se a esquerda acabasse, como quer a direita

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(Para a direita, a Amazônia é só um desperdício de terra. Foto: Neil Palmer/CIAT)

A direita brasileira, sobretudo a direita extrema, vive dizendo que é preciso “eliminar a esquerda” do mundo. Mas o que aconteceria se só existisse o pensamento de direita? Teríamos um planeta e uma sociedade bem diferentes do que existe hoje. Junto com a esquerda, algumas coisas simplesmente acabariam. Veja uma pequena lista delas.

1. A floresta amazônica  Que “pulmão do mundo” que nada! Se dependesse da direita, a Amazônia já tinha se transformado num pasto e aquela madeira toda “sem uso” já teria virado móveis há muito tempo. São os “chatos” de esquerda que impedem que isto aconteça. Tanto é que foi só a direita voltar a governar o Brasil que já estão avaliando “reduzir as florestas” na Amazônia sem nem sequer ouvir seu próprio ministério do Meio Ambiente. Um projeto de lei do governo federal pretende reduzir em 35% as áreas das unidades de conservação, demarcadas por decretos da presidenta deposta Dilma Rousseff.

2. Os índios – A direita despreza e odeia os indígenas ao ponto de, em alguns casos, recorrer a capangas para eliminá-los. A questão da direita com os índios é que eles possuem o que mais ela quer e valoriza: terras. Para disfarçar que gostariam de exterminar os índios para ficar com suas terras, muitos direitistas defendem que os índios “se civilizem”, ou seja, passem a viver nas cidades –e vendam suas terras a preço de banana. Para a esquerda, a decisão de deixar de morar nas aldeias –assim como as terras– pertence exclusivamente aos indígenas.

3. As sementes originais – Se dependesse da direita, uma só empresa, a Monsanto, forneceria todas as sementes do planeta. O monopólio das sementes é visto pelos direitistas como algo natural, decorrente do “livre mercado”. Por que é importante manter as sementes originais? Porque as sementes transgênicas são estéreis, não se reproduzem, ou seja, os agricultores não podem reaproveitar as sementes geradas a partir do crescimento das plantas, tendo que todos os anos pagar por novos grãos. Esta dependência das “donas” das sementes tem levado os agricultores mais pobres até mesmo ao suicídio. E é a esquerda que tem feito a defesa da preservação das sementes originais.

4. Os direitos humanos – A direita hierarquiza os direitos humanos. Para ela, alguns humanos são melhores do que os outros : “direitos humanos para humanos direitos”, dizem. Isto significa, em termos reais, que só existiriam direitos humanos basicamente para os ricos e os brancos; negros, crianças de rua, menores infratores, prostitutas, presidiários e sem-teto, por exemplo, não teriam direito aos direitos humanos, porque estes “cristãos” estabeleceram que estes seres humanos não são humanos. A esquerda vê diferente: todos os seres humanos devem ser iguais e ter os mesmo direitos, independentemente da raça, classe social, gênero, religião ou origem.

5. A liberação feminina – Vixe, se dependesse da direita todas as mulheres seriam belas, recatadas e do lar. E, se forem independentes, têm que se manifestar contra o feminismo, claro (como se ser feminista não fosse sinônimo de ser independente). A esquerda acha que, enquanto houver disparidade entre homens e mulheres, sempre será necessário falar em feminismo e em lutas como a prevenção e punição da violência de gênero.

6. Os direitos LGBTs – Os gays viraram alvo da extrema-direita em todo o mundo. É até bizarro como essa gente se preocupa com a vida sexual alheia, não? Mesmo os falsos liberais brasileiros volta e meia demonstram sua profunda homofobia, aludindo a uma “ditadura gayzista” que viria para transformar todas as pessoas em homossexuais. Freud explica.

7. A saúde e a educação públicas – A esquerda considera a saúde e a educação um direito dos cidadãos, enquanto a direita considera a saúde e a educação como privilégios. Por isso eles defendem privatizar totalmente o ensino e a saúde, como se fosse um negócio qualquer. Assim, só teriam acesso à saúde e à educação quem tivesse dinheiro para pagá-los. Os pobres? “Não se esforçaram o suficiente.”

8. Os movimentos sociais – Movimento social, para a direita, é coisa de vagabundo, desocupado. Se fosse por eles, existiriam no máximo sindicatos patronais, para defender o ponto de vista daqueles que, segundo a direita, realmente importam, porque representam a classe que “produz” (como se seus empregados passassem o dia inteiro à toa). Os sindicatos de trabalhadores, ao contrário, só atrapalham, e quanto mais pelegos forem, melhor. Os movimentos em defesa dos sem-terra e dos sem-teto são um antro de criminosos que deveriam ser proibidos. Na dúvida, prende todo mundo. A esquerda, ao contrário, considera fundamental o papel dos movimentos sociais e dos sindicatos nas lutas pelos direitos do trabalhador, contra a desigualdade social e na defesa dos desassistidos.

9. A democracia – Democracia pressupõe o convívio de formas distintas de pensamento. Transformar a sociedade em pensamento único é ditadura. Não era isso que a direita sempre criticou nos regimes totalitários que usaram o nome do comunismo? Sem pluralidade, não existe democracia. Resumindo: se a esquerda deixar de existir, com ela vai embora a democracia.

 

 

 

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Publicado em 10 de fevereiro de 2017