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Aécio, Cunha, Moro: um a um, caem os “heróis” anti-PT. Quem será o próximo?

Apesar de a mídia comercial esconder, o depoimento do ex-advogado da Odebrecht Tacla Durán foi a criptonita do Super Moro

Sérgio Moro e Luciano Huck em cerimônia do Dia do Exército, em Brasília. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Guilherme Coutinho
03 de dezembro de 2017, 22h21

Infeliz a nação que precisa de heróis. A frase imortalizada pelo dramaturgo alemão Bertold Brecht em 1938 não poderia descrever melhor o astral do Brasil pós-golpe. A direita brasileira precisou fabricar corajosos paladinos da moralidade para expurgar do poder o partido que insistia em vencer nas urnas. No entanto, no mundo real, o tempo é suficiente para transformar em vilões os heróis de outrora.

Aécio Neves, o “salvador da pátria” da revista Veja, sucumbiu penosamente às duras denúncias de corrupção após ser flagrado pedindo grana ao empresário Joesley Batista. O “malvado favorito” do golpe contra Dilma, Eduardo Cunha, até onde se sabe, está preso. E até o “Super Moro” parece ter encontrado no depoimento de Tacla Durán sua criptonita. Não se fazem mais heróis como antigamente.

A mídia e o mercado pediram e a classe média atendeu. Logo após as eleições, era necessário bater panelas contra uma presidenta eleita democraticamente. Dilma Rousseff foi impedida de governar e os trâmites do golpe iniciaram, enquanto o povo sentia o gosto de sangue na boca. Mas, se o antagonista desse drama já estava sendo –injustamente– escorraçado, era necessário eleger um protagonista. Um nome forte, com ares incorruptíveis e em quem a população confiasse cegamente e sem jamais questionar.

A afirmação do ex-advogado da Odebrecht de que as delações foram manipuladas inegavelmente enfraqueceu a narrativa da Lava-Jato

Após algumas tentativas frustradas, o nome de Sérgio Moro caiu como uma luva. Foi então que o juiz curitibano passou a ser representado nas manifestações em bonecos infláveis vestido de super-herói. Mesmo após o impeachment e a queda de seus “rivais”, Moro continuou sendo representado com capa e superpoderes em manifestações convocadas pelo MBL e outros grupelhos fascisto-paneleiros. Já Lula era representado no boneco pixuleco, pintado como um presidiário. A luta do bem contra o mal estava armada.

A via crucis foi montada e o “herói” condenou Lula, sem provas, baseado apenas em delações. Mas, como Aquiles e seu calcanhar, Moro tinha um ponto fraco, as próprias delações premiadas. Apesar de a mídia comercial esconder a todo custo o depoimento de Tacla Durán na CPI da JBS esta semana, a afirmação do ex-advogado da Odebrecht de que as delações foram manipuladas inegavelmente enfraqueceu a narrativa da Lava-Jato. Durán, que trabalhou na empreiteira entre 2011 e 2016, acusa o advogado Carlos Zucolloto (padrinho de casamento de Moro) de pedir 5 milhões de dólares para “facilitar” sua delação.

O depoimento comprova o que todo mundo desconfiava: o instituto da delação premiada, como tudo no Brasil atualmente, virou uma indústria com os fins de aniquilar o PT. Durán detalhou como o esquema funcionava: “Recebi uma minuta do Ministério Público (sobre o acordo de delação) que constava que o valor seria reduzido para um terço, mas que eu pagasse os 5 milhões de dólares para uma conta de Andorra”.

Recebi uma minuta do Ministério Público que constava que o valor seria reduzido para um terço, mas que eu pagasse os 5 milhões de dólares para uma conta de Andorra

A acusação é grave, ainda mais quando se sabe que, em vez de provas concretas, a operação Lava-Jato se baseou principalmente no instituto da delação premiada. Muitas vezes questionado, o método destituiu deputados, senadores e enviou alguns políticos para a cadeia (caso não fossem do PSDB, claro). Uma denúncia como essas deveria fazer a própria operação desmoronar e seus argumentos caírem por terra.  Moro, como juiz titular e líder supremo da República de Curitiba, perde o posto de sentinela da probidade. Se estivéssemos em um país sério, sua atuação deveria ser investigada.

Só nos resta questionar quem serão os novos heróis anti-PT e anti-Lula que vão aparecer no cenário até 2018. Mas uma coisa é certa: um dia a máscara cai.

 

 

 


(6) comentários Escrever comentário

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Ângela Valério Horta de Siqueira em 04/12/2017 - 02h51 comentou:

Quem os condenará? Que são criminosos golpistas inimigos do Brasil e de seu povo, já o sabemos, mas quem os condenará por todos os males provocados ao país e a seu triste, crédulo e pobre povo?

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Douglas em 04/12/2017 - 08h29 comentou:

Eu acho hilário ver como ainda existem pessoas defendendo um golpe que NUNCA EXISTIU. Politico eh politico, ridículo eh quem ainda precisa de meios para acreditar em alguma coisa ou nas ideias fajutas de terceiros. Anticapitalista, antisocialista, anticomunista, todos têm o mesmo valor. Não se escondam atrás da família ou do estado ou de qualquer coisa para justificar seus interesses. Dêem a cara a tapa. Monte de lixo.

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Ralfo Penteado em 04/12/2017 - 10h51 comentou:

Barusco, Odebrecht, Camargo Corrêa, Guedes, Gabrielli, cérbero, $erra, aecin, ali Kimin, quadrilhao temer, etc, etc, ninguém preso. Vamos prender o Moro por incompetencia e perigo público.

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IVAN NOGUEIRA DE MORAIS em 04/12/2017 - 21h05 comentou:

Há uma inversão de Valores. Pessoas desonestas, sem escrúpulos, querendo se passar por pessoas corretas. O BRASIL precisa do melhor exemplo praticado por todos nós !!!

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Flavio Marcio em 05/12/2017 - 20h42 comentou:

Não tarda e o juiz das marmeladas de Curitiba vai ser desmascarado pela ótica do povo, morou?

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Sergio em 06/12/2017 - 09h14 comentou:

Para o bem desta nação devem cair o PT e os ANTI-PETISTAS! Por isso que o país está como está!

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