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Bolsonarismo responde a furo sobre conluio na Lava-Jato com ameaças a Greenwald

No twitter, #DeportaGreenwald era um dos tópicos mais comentados após revelação da parceria ilegal entre juiz e procuradores na operação

Foto: reprodução redes sociais
Cynara Menezes
10 de junho de 2019, 17h26

As conversas no telegram entre o atual ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava-Jato, vazadas neste domingo pelo site The Intercept Brasil não deixam margens a dúvidas: o então juiz Moro atuou, de forma absolutamente inapropriada e inconstitucional, como parte da acusação na operação que resultou na condenação do ex-presidente Lula; a “república de Curitiba” também agiu conjuntamente, de forma partidária, para interferir no resultado da eleição de 2018 e impedir que o PT voltasse ao poder.

Estes dois pontos de ilegalidade na ação dos principais nomes da Lava-Jato são documentados nos chats entre o juiz e Dallagnol e dos procuradores entre si revelados pelo site. Constitucionalmente, é vedado a um juiz interferir no processo penal: a figura do acusador e do julgador não podem se misturar. No entanto, Moro aparece em diversos momentos atuando de forma coordenada com o subprocurador, dando dicas, fazendo críticas e sugestões a Dallagnol.

Com a Justiça inteiramente aparelhada pela extrema direita, quem acredita que serão mesmo Moro e Dallagnol os acusados pelas ilegalidades e não o jornalista que as revelou?

“Não é muito tempo sem operação?”, pergunta o juiz. “Deveríamos rebater oficialmente?”, questiona, sobre críticas feitas pelo PT à Lava-Jato. “Em março de 2016”, diz a reportagem, “Moro irritou-se com o que considerou um erro da Polícia Federal. ‘Tremenda bola nas costas da PF’, digitou o então juiz. As justificativas apresentadas por Dallagnol não o convenceram. ‘Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora’.”

Em outro trecho da série, os procuradores conversam sobre a necessidade de negar qualquer entrevista de Lula e assim impedir que Fernando Haddad ganhe a eleição. Quando, em setembro, o ministro do STF liberou Lula para dar entrevista à Folha, “a procuradora Laura Tessler logo exclamou: ‘Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Monica Bergamo, pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas… e a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse…'”, mostram as conversas vazadas por uma fonte anônima ao site. “Após uma hora, Tessler deixou explícito o que deixava os procuradores tão preocupados: ‘sei lá…mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad'”.

“Uma outra procuradora, Isabel Groba, respondeu com apenas uma palavra e várias exclamações: ‘Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!’.” E Dallagnol se juntou às súplicas da colega identificada como “Carol PGR” para que Haddad não se elegesse.

Fonte: The Intercept Brasil

Os diálogos são evidências inquestionáveis de que a “imparcialidade” e o “apartidarismo” da Lava-Jato eram conversa para boi dormir e deveriam ser razão para colocar todo o processo que condenou Lula sob suspeição. A reação do bolsonarismo, porém, foi tentar diminuir a importância das revelações –com a providencial ajuda, aliás, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que correu a declarar ver uma “tempestade em copo d’água” em torno do caso– e atacar o jornalista Glenn Greenwald, publisher do The Intercept.

No youtube, canais de extrema direita chamavam Greenwald de “terrorista” e pediam sua “prisão”.

No twitter, os filhos do presidente, Carlos e Eduardo, reforçavam os ataques a Greenwald, associando o jornalista a Lula e fazendo “acusações” tingidas de homofobia, ao apontar seguidamente que ele é casado com o deputado federal David Miranda, do PSOL-RJ. Miranda assumiu o cargo na suplência de Jean Wyllys, que renunciou.

A narrativa de colocar o jornalista como “terrorista” é reforçada por “reportagens” de sites reacionários, como o “Estudos Nacionais”, segundo quem Miranda, o marido de Glenn, instalou “uma central de espionagem” em seu gabinete na Câmara, ajudado por “forças globalistas e soviéticas”. Aparentemente, o editor do site ainda não foi informado sobre o fim da URSS em 1992.

Glenn Greenwald é norte-americano. Não é improvável que seus detratores apelem à Constituição dizendo que estrangeiros não podem possuir meios de comunicação no Brasil além da participação de 30%, e para isso contariam inclusive com o apoio da mídia comercial, que já recorreu ao Supremo contra a presença no país de portais e sites como El Pais, BBC e o próprio Intercept, mas é possível que o jornalista tenha se precavido juridicamente dessa acusação. Fato é que, diante das provas de que o processo contra Lula está viciado, todos os fuzis do bolsonarismo estão voltados contra ele.

Na tarde desta segunda-feira, a tag #DeportaGreenwald era um dos tópicos mais comentados do twitter no Brasil, com os bolsominions em fúria pedindo que o jornalista seja expulso, sem se importar a mínima que ele e Miranda tenham adotado duas crianças. Mas a “ditadura” é na Venezuela…

Não podiam faltar as ameaças literais dos fãs de ditadura e tortura e dos famosos “cidadãos de bem” que gostam de resolver tudo na porrada.

Com a Justiça inteiramente aparelhada pela extrema direita, quem acredita que serão mesmo Moro e Dallagnol os acusados pelas ilegalidades e não o jornalista que as revelou?

 


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João Junior em 10/06/2019 - 20h54 comentou:

O fascismo é o rebaixamento do indivíduo à condição do chimpanzé… Desconfiado, traiçoeiro, violento. O fascismo desabilita o cérebro. O dono continua tendo-o, mas inoperante. E os fascistas ainda reclamam de que a esquerda se acha mais inteligente, mais por dentro, mais sabida, mais à frente… e isso é em parte verdadeiro, pois o que nos coloca à frente não é o esquerdismo em si, mas o cérebro habilitado, ativo e pensante.

Responder

Paulo Roberto Martins em 11/06/2019 - 18h44 comentou:

Fascistas só urram à distância.São covardes.Querem arrebentar,prender,matar.Mas no fundo são umas galinhas,basta bater o pé que saem correndo ,ou hienas que só atacam em bando.Tem gente que tem medo das ameaças destes merdas,infelizmente ainda temos uma esquerda acovardada.Saudades da geração Araguaia!

Responder

Emmanuel Goldstein em 18/07/2019 - 11h26 comentou:

Em 2oo4, o jornalista Larry Rohter publicou uma reportagem na qual relatava que os brasileiros com quem conversou achavam que o então presidente Lula andava bebendo muita cachaça.
Reação do governo: decidiu cancelar o visto do jornalista, e expulsá-lo do país. Só parou quando viu a repercussão negativa que se formou.

2019, e outro jornalista gringo publica conversas obtidas através de ação ilegal de hacker.
Reação do governo: Nenhuma
Pessoas comuns, apoiadores do governo sim, pediram a deportação do jornalista, e que ele colabore nas investigações sobre a ação ilegal do hacker
Convido a Cynara Menezes a escrever sobre a diferença de postura entre os governos.

Responder

    Cynara Menezes em 19/07/2019 - 15h20 comentou:

    você mesmo disse: após as críticas, lula voltou atrás. quanto a glenn greenwald, a história ainda não terminou para você afirmar que o governo agiu diferente

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