Cadê o mea culpa, PT?

(Sérgio Buarque de Holanda assina o livro de fundação do PT, em 1980)

Na quarta-feira 14 de novembro, a direção nacional do Partido dos Trabalhadores divulgou uma nota de cinco páginas criticando a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão. Diz o partido que o tribunal não garantiu o amplo direito dos acusados à defesa, que está “partidarizado”, que deu valor de provas a indícios e que cedeu ao clamor da opinião pública. Uma nota dirigida à mídia que tanto despreza, não a seus eleitores, diga-se de passagem.

É direito do PT criticar. Entendo que o partido esteja revoltado por ser o único condenado até hoje, porque o é. Entendo que muitos estejam tristes com a condenação de José Genoino e José Dirceu (até agora não vi ninguém lamentando a prisão do ex-tesoureiro Delúbio Soares, o terceiro condenado). Dou razão ao partido na reclamação de que o STF pesou a mão na dosimetria. Acho um exagero, sim, que Dirceu, tanto quanto Delúbio, tenha que passar mais de um ano encarcerado.

Mas tem um problema: senti falta de que o PT admitisse que errou. Se foi caixa 2 ou pagamento de mesada a parlamentares não importa a mínima, o partido cometeu irregularidades flagrantes, está provado pelo STF. Tanto é que terá de pagar à Justiça por elas. Errou como qualquer outro partido, justificam, mas no caso do PT errou ainda mais, porque a legenda cresceu prometendo às pessoas que nela votaram ao longo de mais de 30 anos fazer diferente. E fez igual.

O PT deve uma satisfação a seus eleitores, um pedido de desculpas público e uma promessa, uma garantia de que não voltará a ocorrer algo assim no futuro. Na nota, não há um só tom de “mea culpa”, um mísero sinal de arrependimento. Não há nem mesmo a manifestação, de forma veemente, de que o partido se empenhará no Congresso pelo financiamento público de campanha, a única maneira de evitar que estes desvios continuem acontecendo. Isto é citado en passant. A única coisa que sobressai da nota do PT é arrogância.

Falta ao partido humildade, reconhecer o erro, pedir perdão. É preciso descer do salto, admitir que houve uma imensa pisada na bola que magoou milhões de pessoas. Isso não é desmerecedor, não é indigno, pelo contrário; admitir os erros engrandece qualquer pessoa e qualquer partido. Enobrece. Aos eleitores não basta que o PT aponte o dedo para os ministros do STF como algozes do partido. Nós não somos militantes. Não somos cegos. Nós sabemos que o que aconteceu não foi apenas perseguição ao PT. O partido errou. Exigimos retratação.

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Publicado em 16 de novembro de 2012