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Direitos Humanos

China apresenta relatório sobre violações aos direitos humanos… nos Estados Unidos

Governo chinês responde relatório estadunidense à altura, apontando desigualdade crescente, bombardeios a outros países e racismo institucionalizado

Eric Garner, morto sufocado pela polícia de Nova York sem fazer nada. Foto: reprodução facebook
Da Redação
30 de abril de 2018, 13h17

Soa hilário, mas todos os anos o Departamento de Estado do país que mais ataca outras nações no mundo divulga um relatório sobre direitos humanos no planeta. Sim, como se fosse o arauto da defesa dos direitos humanos, os Estados Unidos apontam o dedo sobre as violações dos demais países. Este ano, os maiores alvos foram a China e a Rússia, que segundo Donald Trump estão “desestabilizando” o mundo.

Casos como o de Eric Garner, acusado de vender cigarros contrabandeados e morto após levar uma gravata dos policiais brancos de Nova York que o cercavam, se tornaram frequentes

Este ano as críticas sobre o relatório vieram de todos os lados. A Anistia Internacional acusou o governo norte-americano de modificar suas palavras ao esconder que a entidade se referia à Arábia Saudita, parceira dos EUA, quando falou em ataques aéreos (o informe trocou Arábia Saudita por “algumas coalizões”). Aliás, o relatório limpa a barra dos sauditas também nos bombardeios ao Iêmen, cujas vítimas fatais foram, em sua esmagadora maioria (61%) civis, segundo a ONU.

A organização Human Rights Watch publicou uma sequência de tweets exibindo as omissões do relatório: a exclusão da expressão “direito reprodutivo”, utilizada desde 2012; a ausência dos feminicídios e os absurdos números da violência doméstica no Brasil; a proibição na Polônia de usar contraceptivos pós-coito até em casos de estupro; e a proteção do relatório às “nações amigas” como o Japão, onde foi denunciada a existência de trabalho escravo, homofobia e racismo.

Enquanto passa a mão na cabeça dos parceiros, o governo Trump acusa uma série de países de violar os direitos humanos. China, Rússia, Irã e Coreia do Norte são acusados de serem “forças de instabilidade”. O dedo de tio Sam também aponta para a Síria, Venezuela, Turquia e Mianmar. “Países que restringem liberdades de expressão e de manifestação pacífica; que permitem e cometem violência contra membros de religiões, etnias e outras minorias; ou que atentam contra a dignidade das pessoas são moralmente repreensíveis”, escreveu o secretário John Sullivan no prefácio.

Acusada pelo secretário de disseminar as piores práticas autoritárias, “incluindo restrições a ativistas, à sociedade civil, à liberdade de expressão”, a China respondeu à altura, divulgando poucos dias depois seu próprio relatório sobre violações de direitos humanos… nos Estados Unidos. O informe, intitulado Relatório de Direitos Humanos nos EUA em 2017, foi publicado pelo Conselho de Estado chinês, e rechaça que o governo norte-americano se apresente como “guardião” e “juiz” dos direitos humanos quando falta muito a resolver neste âmbito em seu próprio quintal.

O informe chinês rechaça que o governo norte-americano se apresente como guardião e juiz dos direitos humanos quando falta muito a resolver neste âmbito em seu próprio quintal

Um dos principais pontos do relatório são os conflitos interraciais, o racismo institucionalizado e a violência policial contra negros nos EUA. A China aponta, por exemplo, que os réus afrodescendentes recebem sentenças 19,1% maiores que os brancos em situações similares. Casos como o de Eric Garner, “acusado” de vender cigarros contrabandeados e morto após levar uma gravata dos policiais brancos de Nova York que o cercavam, se tornaram frequentes contra negros. O crime de Eric? Negar que vendia os tais cigarros.

O governo chinês também critica as deficiências do sistema “democrático” dos EUA, citando pesquisas acadêmicas cujos entrevistados afirmam que a democracia no país está “se afogando em dinheiro”. A desigualdade crescente no país mais rico no mundo não foi esquecida no relatório da China. Mais de 40 milhões de estadunidenses vivem hoje na pobreza, e metade deles na pobreza extrema, de acordo com os números oficiais. Os Estados Unidos também são campeões em pobreza infantil.

E o que dizer das violações aos direitos humanos praticadas pelos EUA nos países dos outros? Segundo a revista Mother Jones, o governo Trump bombardeou na Síria pelo menos 12 escolas, 15 mesquitas, 15 pontes, áreas residenciais, hospitais, locais históricos e acampamentos de refugiados. Sobre Guantánamo, o relatório chinês ecoa a ONU e outras organizações de direitos humanos que questionam o “buraco negro legal” que virou esse território cubano, transformado em cárcere política dos EUA desde o atentado de 11 de setembro.

 

Com informações da Xinhua e da Telesur

 

 


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(4) comentários Escrever comentário

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Maria de Fatima Lima em 30/04/2018 - 15h01 comentou:

Muito, muito triste.
Maldito Sam.

Responder

Viviane em 30/04/2018 - 18h25 comentou:

E alguém ainda levava a sério um relatório produzido por um país só? Deveria ser feito por uma organização (ao menos aparentemente) neutra, como a ONU.

Responder

Sergio em 02/05/2018 - 09h40 comentou:

O fato é que precisamos zerar o passado. E se comprometer a daqui para frente respeitar os direitos humanos não apenas no papel, ou cobrar dos outros, mas cumpri à risca. O fato é que: Nem China e nem EUA têm envergadura moral para cobrar cumprimento ou descumprimento de direitos humanos!

Até a “doce” Noruega! A Noruega do Prêmio Nobel da Paz! Cobra de todo mundo respeito aos direitos humanos e preservação da natureza. E olha o que fizeram em Barcarena???

Mundo hipócrita!

Responder

Luiz em 02/05/2018 - 19h48 comentou:

Um país como o Estados Unidos que financiou milhares de golpes militares na América Latina não tem moral para falar sobre direitos humanos, nunca deram um pedido de desculpas.

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