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Direitos Humanos

Direita quer obrigar brasileiro a comer transgênicos e alimentos com agrotóxicos

Ruralistas estão conseguindo aprovar no Legislativo projetos que tiram o poder de escolha do consumidor. Cadê o Procon?

Unhas deformadas por agrotóxico de agricultor argentino. Foto: Pablo Piovano
Da Redação
03 de julho de 2018, 15h02

A direita brasileira, que vive enchendo a boca para falar das vantagens da “livre escolha” numa sociedade capitalista, está conseguindo aprovar no Legislativo projetos que tiram o poder de escolha do consumidor. Graças à direita no Congresso nacional, podemos perder o direito de saber se um alimento é transgênico, porque querem tirar o rótulo das embalagens; não teremos o direito de comer alimentos com menos agrotóxicos, porque querem liberar os pesticidas sem restrições; e agora querem nos impedir de comprar orgânicos onde quisermos. Esse é um caso típico de atentado ao direito do consumidor. Cadê o Procon?

Aproveitando a distração dos brasileiros com a Copa do Mundo, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou no último dia 15 de junho o projeto de lei 4576/16, do deputado Edinho Bez (PMDB-SC), que estabelece que os orgânicos só podem ser vendidos diretamente ao consumidor e apenas pelo agricultor familiar integrante de organização de controle social cadastrada nos órgãos fiscalizadores. Se aprovada, a proposta faz graves restrições à venda direta de orgânicos, inclusive ao governo, e poderia inviabilizar boa parte da agricultura orgânica, acabando com anos de avanços.

Projeto aprovado em comissão da Câmara libera agrotóxicos mesmo antes de serem concluídas as análises sobre eventuais riscos à saúde humana por órgãos reguladores como Ibama e Anvisa

Relator da matéria, o deputado Luiz Nishimori (PR-PR), o mesmo do projeto que liberou os transgênicos, defendeu a proposta. “Um regramento mais rígido para a venda direta de produtos orgânicos trará benefícios para os produtores que verdadeiramente investem e observam os preceitos da agricultura orgânica, assim como para os consumidores”, justificou o deputado, integrante da bancada ruralista. O projeto vai agora à Comissão de Constituição e Justiça para seguir ao plenário.

Já o relatório de Nishimori que libera geral os agrotóxicos foi aprovado pela comissão especial que analisa o tema no dia 25 de junho. O texto permite a liberação de agrotóxicos pelo Ministério da Agricultura mesmo antes de serem concluídas as análises sobre eventuais riscos à saúde humana por órgãos reguladores como Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O relatório inclusive rechaça a palavra “agrotóxicos” e adota o termo “pesticida” –os ruralistas queriam que fosse “defensivo agrícola”.

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) reclamou que a proposta é inconstitucional, mesma avaliação do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União, duas das várias instituições que se posicionaram contra o parecer de Nishimori. Além do Ibama e da Anvisa, o Ministério da Saúde e o Inca (Instituto Nacional do Câncer) também estão entre os que criticam o texto aprovado. O projeto seguirá agora para apreciação do plenário.

No caso da obrigação de um selo para os transgênicos, as comissões de Meio Ambiente e de Agricultura e Reforma Agrária do Senado deram seu aval ao projeto do deputado ruralista Luis Carlos Heinze que põe fim ao “T” nas embalagens de produtos que contêm transgênicos, aprovado no plenário da Câmara em 2015. Os críticos à proposta afirmam que ela fere frontalmente o Código de Defesa do Consumidor, que perde o direito de ser informado se o que está comprando possui transgênicos ou não.

Críticos ao projeto que retira o T dos alimentos transgênicos afirmam que ele fere frontalmente o Código de Defesa do Consumidor, que perde o direito de ser informado se o que está comprando possui transgênicos ou não

O senador Cidinho Santos (PR-MT), defensor do projeto, recorreu a uma pesquisa feita pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para dizer que o “T” não é importante porque 14% das pessoas confundiriam o símbolo com “um sinal de trânsito”. “Essa proposta que tramita no Senado é uma violação ao direito à informação, à alimentação saudável e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previstos no Código de Defesa do Consumidor e na Constituição Federal”, rebateu Renata Amaral, do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), para quem a proposta atenta contra o poder de decisão do consumidor.

Assista abaixo ao minidocumentário de 2015 O Custo Humano dos Agrotóxicos, do fotógrafo argentino Pablo Piovano, sobre os efeitos dos defensivos químicos na saúde dos agricultores e de suas famílias. Uma das fotos do ensaio de Piovano ilustra essa reportagem: a mão de Alfredo Cerán, que trabalhou durante 9 anos aplicando agrotóxicos em campos de soja. Suas unhas ficaram  queimadas e ele adquiriu cirrose não-alcoólica. Exames mostraram que seu sangue contém resíduos de glifosato, clorpirifós, azatrina, ácido diclorofenóxiacético e cipermetrina.

No curta, ele mostra outras dezenas de casos de contaminação por agrotóxicos em adultos e crianças, causando desde problemas físicos até mentais, de asma a câncer.

Com informações da Câmara Notícias e Agência Senado

 


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Sergio em 04/07/2018 - 08h27 comentou:

Na Dinamarca, se não me engano, a partir de 2020 será obrigatório alimentos orgânicos. Aqui? Não apenas a direita quer nos obrigar: 8 anos de PSDB + 13 anos de PT + 2 anos de Temer, não se fala no assunto! No fim das contas, todos iguais!

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Ataide em 05/07/2018 - 18h08 comentou:

Sou do campo e plano milho, arroz, feijão.
Não tenho como plantar sem agrotóxicos para distribuir para as pessoas na região.
Senão usar, minha plantação não vinga e perco todo o plantio. Sempre acompanho notícias sobre a agricultura e os estudos sérios mostram que o nível baixo de toxidade desses produtos não causa dano ao ser humano. Os agrotóxicos evoluíram muito e não são como antigamente que matava de câncer como o ex-cantor Leandro da dupla Leandro e Leonardo. Lembrando que sempre há de ter cuidados especial ao manusear quantidades grandes desses produtos. Mas depois de colhido, o alimento não carrega mais toxidade.

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