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Michael Moore mostra o que é viver num país sob a ditadura do mercado financeiro

No documentário Capitalismo, Uma História de Amor, o cineasta Michael Moore mostra o que ocorre quando o mercado financeiro passa a ditar os rumos de uma nação, inclusive que tipo de governo deve ter: ricos com os bolsos estofados de dinheiro enquanto os pobres ficam cada vez mais pobres. Foi o que aconteceu nos Estados […]

Cynara Menezes
06 de abril de 2016, 21h24

capitalismo

No documentário Capitalismo, Uma História de Amor, o cineasta Michael Moore mostra o que ocorre quando o mercado financeiro passa a ditar os rumos de uma nação, inclusive que tipo de governo deve ter: ricos com os bolsos estofados de dinheiro enquanto os pobres ficam cada vez mais pobres. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos a partir do governo Ronald Reagan (1981-1989), adorado pelos “liberais” brasileiros, sedentos para retomar o poder em nosso país.

Reagan trabalhava tendo ao seu lado ninguém menos que um ex-presidente do banco de investimentos Merril Lynch, seu quase homônimo Donald “Don” Regan, a quem deu literalmente a chave do tesouro: Don Regan foi secretário do Tesouro de 1981 a 1985 e chefe de gabinete do presidente de 1985 a 1987. Na verdade, não era o ator de Hollywood Reagan quem dava as ordens no país, e sim Regan. Uma das mais chocantes cenas do filme de Michael Moore é a que mostra o homem do mercado financeiro MANDANDO o presidente dos EUA acelerar sua fala. “Anda logo!”

Vejam só que modelo de governante a direita quer para o Brasil! É preciso ficar esperto: não é à toa que o mercado financeiro é um dos principais oponentes ao governo Dilma Rousseff, ao lado dos empresários comandados pela Fiesp. Com Reagan, os direitos trabalhistas dos norte-americanos, que já não são como os nossos, foram suprimidos, e os impostos pagos pelos ricos, cortados à metade. Não é exatamente disso que reclama a Fiesp? E olha que o Brasil já é um dos países do G20 onde os ricos pagam menos impostos. O que eles querem mais?

Na era George Bush, a coisa ficou ainda mais evidente. Assim como fez Fernando Henrique Cardoso com os bancos durante o seu governo, em 2008 Bush liberou 700 bilhões de dólares para os sanguessugas do mercado financeiro. Uma “ajuda” idealizada pelo seu secretário de Tesouro, outro homem de Wall Street dentro do governo dos EUA: Henry Paulson, ex-CEO da Goldman Sachs. Imaginem: Bush entregou bilhões para gente que não faz nada de produtivo para o país a não ser apostar na bolsa para ficar cada vez mais ricos! Enquanto isso, pessoas pobres ficavam sem ter onde morar, com suas casas tomadas pelos bancos por causa de empréstimos que não conseguiram pagar.

A grande jogada de Bush foi criar a ilusão, para a classe média dos EUA, de que estavam vivendo anos de bonança, graças a campanhas massivas para que adquirissem empréstimos, refinanciando a hipoteca de suas próprias casas como garantia. O mesmo aconteceu na Espanha e resultou em milhares de pessoas sem lar; muitas acabaram se suicidando, desesperadas. A chamada “bolha imobiliária” só não aconteceu no Brasil porque estivemos protegidos nos últimos 14 anos por governos de esquerda. Obviamente que os neoliberais planejam fazer o mesmo por aqui caso retomem o poder, ou vocês duvidam?

Este é um momento crucial para o Brasil e é muito importante que todos fiquemos atentos: qual é, afinal, o interesse do mercado financeiro em derrubar Dilma? Qual é o interesse da Fiesp em derrubar Dilma? Combater a corrupção é que não é. A classe média que apóia essa gente não sabe o que está fazendo: viver sob a ditadura do mercado financeiro é trágico para a classe média. Nos EUA, já se fala inclusive em fim da classe média. O país é, entre os ricos, onde mais a pobreza infantil tem aumentado e onde mais o abismo entre os ricos e os pobres tem crescido. Atualmente, existem mais de 500 mil pessoas sem ter onde morar no segundo país mais rico do mundo.

Ao mesmo tempo que a classe média ficava cada vez mais pobre e os pobres cada vez mais miseráveis, os ricos de Wall Street ganhavam fortunas. Durante o governo Reagan, um CEO de uma grande corporação ganhava pelo menos 100 vezes mais que um trabalhador comum. Na era Bush, eles passaram a ganhar no mínimo 250 vezes mais! Em 2014, apenas os bônus recebidos pelos especuladores do mercado financeiro superavam em duas vezes os ganhos de todos os trabalhadores do país que ganham o salário mínimo.

Michael Moore chega à conclusão que um “golpe de Estado financeiro” ocorreu nos EUA durante o governo George Bush. Será que é isso o que estamos prestes a viver agora?

Assista. E abra o olho.

 

 


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