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Parente terá de explicar pagamento bilionário da Petrobras a banco de seu suposto sócio

Comissão de Ética da presidência quer saber qual a relação do tucano com o presidente do banco JP Morgan, a quem beneficiou na estatal

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Da Redação
12 de junho de 2018, 21h53

A Comissão de Ética Pública da Presidência enviou um oficio à Petrobras e ao ex-presidente da empresa, Pedro Parente, pedindo explicações sobre suas relações como banco norte-americano JP Morgan, que recebeu em maio 2,2 bilhões de reais (600 milhões de dólares) como antecipação de quitação de uma dívida que só venceria em setembro de 2022. Segundo reportagem publicada em maio pela revista online de direita Crusoé, Parente seria sócio do presidente do banco no Brasil, José Menezes Berenguer Neto.

O pedido de informação não significa que será aberto um processo para investigar a empresa ou Parente. A abertura ou o arquivamento do processo depende das respostas apresentadas, que serão analisadas pelos conselheiros. O prazo para apresentar esclarecimentos é de 10 dias corridos. Na semana passada, a FUP (Federação Única dos Petroleiros) dera entrada numa Ação Civil Pública contra Parente por improbidade administrativa e pedindo a anulação do pagamento feito ao banco, além do confisco de seus bens.

Segundo o repórter Filipe Coutinho contou na Crusoé, um cruzamento de pessoas jurídicas mostra que o ex-presidente da Petrobras é sócio de José Menezes Berenguer Neto, o que revela conflito de interesses. Além disso, a esposa de Parente, Lúcia Hauptman, é procuradora de Berenguer, com quem a família tem estreitas relações. O casal é sócio do banqueiro em pelo menos duas empresas (Kenaz Participações Ltda. e Viedma Participações Ltda.), sendo que uma delas tem como sede um imóvel que pertence a Pedro Parente.

A FUP (Federação Única dos Petroleiros) deu entrada numa Ação Civil Pública contra Parente por improbidade administrativa e pedindo a anulação do pagamento feito ao banco, além do confisco de seus bens

“Conclui-se que os Réus violaram, além dos princípios constitucionais que regem a administração pública, os deveres de imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições, previstos no artigo 11, caput e inciso I, da Lei 8.429/92, por terem se valido do patrimônio de empresa estatal na consecução de interesses pessoais”, ressalta a ação da FUP. A Federação também destaca o péssimo negócio que representou para a Petrobrás a antecipação do pagamento autorizado por Pedro Parente, tido pela mídia comercial como “bom gestor”. “A antecipação de valores cujo vencimento ocorreria apenas em cinco anos não se justifica sob a ótica da eficiência.”

Segundo a FUP, este não é o primeiro caso de conflito de interesses envolvendo a passagem do tucano Pedro Parente pela Petrobrás. Em junho do ano passado, os petroleiros fizeram uma representação ao Ministério Público Federal questionando sua permanência à frente da Prada Consultoria, grupo de gestão financeira e empresarial presidido por sua esposa e especializado em maximizar os lucros dos milionários brasileiros, entre eles os detentores das 20 maiores fortunas do país.

A carteira de milionários atendidos pela Prada, empresa da qual Parente é sócio, engordou substancialmente durante o período em que o tucano esteve na presidência da empresa

“Terão as 20 famílias-clientes do representado renunciado publicamente a qualquer operação financeira relacionada, ainda que indiretamente, à Petrobrás?”, questionava a FUP. O que ocorreu foi o contrário: de acordo com reportagem do Jornal do Brasil, a carteira de milionários atendidos pela Prada engordou substancialmente durante o período em que Parente esteve na presidência da empresa. “A empresa incorporou clientes ainda mais abastados, famílias bilionárias e até mesmo companhias”, diz o jornal, que aponta ainda o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como sócio de Pedro Parente.

A FUP afirma que o volume de compras de ações feitas pela Prada saltou de 403 mil reais em dezembro de 2015 para 3,2 milhões de reais em dezembro de 2016. Além disso, quando assumiu a presidência da estatal, Parente continuou acumulando a presidência do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, cujos índices foram altamente impactados pelas decisões que ele tomou na condução dos negócios da petrolífera ao beneficiar o mercado, com vendas de ativos e desinvestimentos.

Este não é o primeiro caso de conflito de interesses envolvendo Parente. O que a oposição está esperando para dar início à CPI que irá investigar os desmandos do tucano na presidência da Petrobras?

Embora todas estas acusações de conflito de interesses tenha sido relatada pela Federação Única dos Petroleiros ao Ministério Público Federal, nada aconteceu. Soma-se a isto tudo os 137 bilhões de reais de prejuízo para a Petrobras com a greve dos caminhoneiros e as perdas com o comunicado de demissão feito por Parente em pleno funcionamento do pregão, antes do fechamento do mercado, como é padrão em todas as empresas de capital aberto, causando uma queda do valor de mercado da empresa de 41 bilhões de reais.

Parente foi denunciado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por parlamentares do PT. Uma das regras da CVM para a demissão do presidente de uma estatal estabelece que “deverá ocorrer, sempre que possível, antes do início ou após o encerramento dos negócios nas bolsas de valores e entidades do mercado de balcão organizado em que os valores mobiliários de emissão da companhia sejam admitidos à negociação”.

O que a oposição está esperando para dar início à CPI no Senado que irá investigar os desmandos do tucano na presidência da Petrobras?

Com informações da Agência Brasil e da FUP

 


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