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Cultura

Stalin matou Lenin? Por Leon Trotski

Onze dias antes de ser assassinado no México, Leon Trotski publicou um artigo bombástico em que acusava Josef Stalin de ter envenenado seu antecessor

Lenin após o terceiro derrame, em 1923. Ele tinha 53 anos; essa foto foi proibida na URSS na época
Cynara Menezes
08 de abril de 2015, 23h01

Onze dias antes de ser assassinado no México, em 21 de agosto de 1940, Leon Trotski publicou na revista norte-americana Liberty um artigo bombástico em que acusava Josef Stalin de ter envenenado seu antecessor, o primeiro presidente da União Soviética Vladimir Lenin. O trio havia liderado, em 1917, a revolução comunista na Rússia. Pouco antes de sua morte, em janeiro de 1924, Lenin, um homem até então ativo de pouco mais de 50 anos, tivera sua saúde debilitada aparentemente por ter sofrido três derrames consecutivos e estava em uma cadeira de rodas, sem poder falar ou andar e com o olhar perdido.

Não se sabe exatamente até hoje do que ele morreu. Cogitou-se que Lenin poderia ter sido vítima de sífilis ou que adoecera em consequência de uma bala que ficara alojada em seu pescoço durante uma tentativa de assassinato que sofreu aos 48 anos. Sabe-se que quatro anos após a revolução russa, em 1921, já se queixava de não conseguir dormir à noite e de dores de cabeça frequentes.

Em 2012, em uma conferência na Universidade de Maryland, nos EUA, cientistas chegaram à conclusão de que a tese de envenenamento é bastante plausível, já que Lenin tivera convulsões antes da morte pouco compatíveis com um acidente vascular cerebral (leia aqui). Sem mencionar que a Rússia é pródiga em histórias de envenenamentos, antes, durante e depois do período soviético… Em 1938, Trotski já havia acusado Stalin de ter envenenado o escritor Máximo Gorki (1868-1936), em um artigo publicado pelo New York Times.

Se não matou Lenin, Stalin sem dúvida mandou assassinar Trotski no México e executou milhares de outros que se colocaram em seu caminho. Traduzi o artigo dele sobre o rival para muita gente que critica o comunismo por causa de Stalin poder entender que o que mais fez Stalin foi matar comunistas. Boa leitura.

stalinlenin

Lenin e seu “amigo” Stalin em 1922, menos de dois anos antes de morrer

***

Stalin Matou Lenin?

Por Leon Trotski

Durante os dez anos do meu presente exílio, os agentes literários do Kremlin têm sistematicamente aliviado a si mesmos da necessidade de responder de forma pertinente tudo que eu escrevo sobre a União Soviética aludindo ao meu “ódio” por Stalin –mesmo que Stalin e eu estejamos separados por acontecimentos tão ardentes que consumiram em chamas e reduziram a cinzas qualquer coisa pessoal. Stalin é meu inimigo. Mas Hitler também é, assim como Mussolini e muitos outros. Hoje permanece em mim tão pouco sentimento por Stalin quanto pelo general Franco ou o Mikado (imperador japonês).

Apresento neste artigo fatos chocantes sobre como um revolucionário provinciano se tornou o ditador de um grande país. Cada fato que menciono, cada referência e citação pode ser provada tanto por publicações oficiais soviéticas quanto por documentos preservados em meus arquivos.

O ultimo período da vida de Lenin foi de intenso conflito com Stalin, que culminou em uma total ruptura entre eles. Como sempre, não havia nada pessoal na hostilidade de Lenin em relação a Stalin. Mas, à medida que o tempo passava, Stalin foi tirando vantagem das oportunidades que seu posto lhe dava para vingar-se de seus oponentes. Pouco a pouco, Lenin foi se convencendo de que algumas características de Stalin eram hostis ao partido. Daí partiu sua decisão de reduzir  Stalin a um membro ordinário do Comitê Central.

A saúde de Lenin ficou ruim de uma hora para outra no final de 1921. O primeiro derrame aconteceu em maio de 1922. Por dois meses ele ficou impossibilitado de se mover, falar ou escrever. Em julho, ele começou lentamente a convalescer. Em outubro, retornou do campo para o Kremlin e retomou seu trabalho. Em dezembro, ele abriu fogo contra as perseguições de Stalin. Confrontou Stalin na questão do monopólio do comércio exterior e começou a preparar, para o próximo congresso do partido, uma declaração que seria “uma bomba contra Stalin”.

“Vamos falar francamente”, escreveu Lenin em 2 de março. “O Comissariado de Inspeção não goza hoje da menor autoridade… Não há pior instituição entre nós que o Comissariado do Povo para a Inspeção”. Stalin era o chefe da Inspeção. Ele entendeu bem as implicações de tais palavras.

Em meados de dezembro de 1922, a saúde de Lenin o obrigou a se ausentar do congresso. Stalin, por sua vez, ocultou de Lenin muita informação. Medidas de bloqueio foram instituídas contra pessoas próximas a Lenin. Lenin estava inflamado com alarme e indignação. Sua principal fonte de preocupação era Stalin, cujo comportamento se tornava mais ousado à medida que os relatórios médicos de Lenin ficavam menos favoráveis. Nestes dias, Stalin estava taciturno, rosnando, seu cachimbo firmemente preso entre os dentes, um brilho sinistro nos olhos amarelados. Seu destino estava em jogo.

Várias linhas ditadas por Lenin em 5 de março de 1923, para um estenógrafo de confiança, anunciava secamente o rompimento de “qualquer relação pessoal e de camaradagem com Stalin”. A nota é o último documento de Lenin em vida. Na noite seguinte ele perdeu de novo o poder da fala.

O chamado “testamento” de Lenin foi escrito em duas instâncias durante sua segunda enfermidade: em 25 de dezembro de 1922 e em 4 de janeiro de 1923. “Stalin, desde que se tornou secretário-geral”, declara o testamento, “tem concentrado um enorme poder em suas mãos, e eu não estou seguro de que ele sempre sabe como utilizar este poder com a prudência necessária”. Dez dias depois, Lenin acrescentou: “Proponho aos camaradas que achem uma maneira de destituir Stalin e substituí-lo por outro homem”, que seria “mais leal, menos caprichoso” etc.

Quando Stalin leu o texto, disparou palavras furiosas contra Lenin. O testamento não só falhou em acabar com a briga interna, que era o que Lenin desejava, mas ampliou-a em um nível febril. Stalin já não tinha dúvidas de que o retorno de Lenin à ativa seria sua morte política. Somente a morte de Lenin poderia limpar o caminho para ele.

Acompanhei o decorrer da segunda enfermidade de Lenin dia a dia, através do médico que tínhamos em comum, Dr. Gaitier.

“É possível, Fedor Alexandrovich, que seja o fim?”, minha esposa e eu lhe perguntamos várias vezes.

“Não se pode dizer isso de maneira alguma. Vladimir Ilyich vai ficar em pé novamente. Ele tem um organismo forte.”

“E suas faculdades mentais?”

“Basicamente permanecerão intactas. Não tudo, talvez, irá manter sua pureza inicial, mas o virtuoso permanecerá virtuoso.”

No entanto, em um encontro entre os membros do Politburo, Zinoviev, Kamenev e eu, Stalin nos informou, após a saída do secretário, que Lenin tinha subitamente o chamado e pedido por veneno. Lenin estava perdendo novamente a faculdade da fala, considerava sua situação incurável, temia sofrer um novo derrame e não acreditava nos médicos. Sua mente estava perfeitamente clara e o sofrimento era insuportável.

Lembro o quão extraordinário, enigmática e em desacordo com as circunstâncias me pareceu o rosto de Stalin então. Um sorriso doentio estava fixo em sua face, como uma mascara. Vejo diante de mim um pálido e silencioso Kamenev, que amava Lenin sinceramente, e um Zinoviev perplexo, como em todos os momentos difíceis. Eles sabiam sobre o pedido de Lenin? Ou Stalin soltou isso como uma surpresa a seus aliados no triunvirato assim como para mim?

“Mas é claro que nós não podemos nem sequer considerar este pedido!”, exclamei. “Gaitier não perdeu a esperança. Lenin ainda pode se recuperar.”

“Eu falei tudo isso a ele”, Stalin respondeu, não sem um sinal de irritação. “Mas ele não ouviria a razão. O velho está sofrendo. Ele disse que quer ter o veneno à mão. Ele o usará quando estiver convencido de que sua condição é irremediável.”

“O velho está sofrendo”, Stalin repetiu, olhando vagamente para nós. Nenhum voto foi tomado, já que não era um encontro formal, mas nos despedimos com o entendimento implícito de que não poderíamos nem sequer considerar enviar veneno a Lenin.

“De qualquer maneira é fora de questão”, insisti. “Ele poderia sucumbir diante a um estado de espírito passageiro e tomar uma decisão sem volta.”

Apenas poucos dias antes, Lenin havia escrito seu posfácio impiedoso ao testamento. Alguns dias depois ele rompeu todas as relações pessoais com Stalin. Por que faria a Stalin, entre tanta gente, este pedido trágico? A resposta é simples: ele viu em Stalin o único homem que poderia fazê-lo, já que estava diretamente interessado nisso. Ao mesmo tempo, é possível que quisesse testar Stalin: quão afoitamente Stalin aproveitaria esta oportunidade? Naqueles dias, Lenin pensava não somente na morte, mas no destino do partido.

Mas Lenin realmente pediu veneno a Stalin? Ou a versão foi totalmente inventada por Stalin para preparar seu álibi? Ele não teria razões para temer uma verificação, porque ninguém poderia questionar o enfermo Lenin.

Mais de dez anos antes dos infames julgamentos de Moscou, Stalin confessou a Kamenev e Dzerjinski, seus aliados então, que um de seus maiores prazeres na vida era manter um olho afiado sobre um inimigo, preparar tudo meticulosamente, vingar-se sem piedade, e depois ir dormir.

Durante seu último grande julgamento, que teve lugar em março de 1938, um lugar especial no banco dos réus era ocupado por Henry Yagoda. Algum segredo unia Stalin a Yagoda, que tinha trabalhado na Cheka e na GPU (polícia secreta) por 16 anos, primeiro como chefe-assistente, depois como diretor, e todo o tempo como o assessor de maior confiança de Stalin contra a oposição. O sistema de confissões de crimes que nunca tinham sido cometidos eram obra de Yagoda. Em 1933, Stalin condecorou Yagoda com a Ordem de Lenin, e em 1935 o promoveu ao cargo de Comissário Geral de Defesa do Estado –isto é, Marechal da Polícia Política. Na pessoa de Yagoda foi elevada uma nulidade, olhada com desprezo por todos. Os velhos revolucionários trocaram olhares de indignação.

Nos tempos da grande “purga”, Stalin decidiu liquidar seu companheiro que sabia demais. Em abril de 1937, Yagoda foi preso e em seguida executado.

Foi revelado naquele julgamento que Yagoda, um ex-farmacêutico, possuía um armário próprio para venenos, do qual retirava frascos para dar a seus agentes. Tinha à sua disposição vários toxicologistas, para quem ele organizou um laboratório especial, dotando-o de todos os meios, sem limite e sem controle. Naturalmente, é impensável que Yagoda tenha feito tudo isso para suas próprias necessidades.

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Gorki com Yagoda, o envenenador oficial da URSS, que também acabou executado por Stalin como “traidor”

Suspeitas de que Stalin de alguma maneira ajudou a destrutiva força da natureza no caso de Máximo Gorki pipocaram imediatamente após a morte do grande escritor. O julgamento de Yagoda também serviu para livrar Stalin de qualquer suspeita. Por isso as repetidas declarações de Yagoda, dos médicos e de outros acusados de que Gorki era “um amigo próximo de Stalin”, “uma pessoa confiável”, um “stalinista” entusiástico. Se só a metade disso fosse verdade, Yagoda não teria tomado para si a tarefa de matar Gorki, e muito menos confiado a trama a um médico do Kremlin, que poderia tê-lo destruído simplesmente telefonando a Stalin.

Durante os dias do julgamento, as acusações, como as confissões, me pareceram fantasmagóricas. Informação subseqüente e análises me forçaram a alterar aquela percepção. Nem tudo ali era uma mentira. Nem todos os envenenadores estavam sentados no banco dos réus. O chefe deles estava conduzindo o julgamento pelo telefone. Somente Yagoda tinha desaparecido; seu armário de venenos permaneceu.

No julgamento de 1938, Stalin acusou Bukharin de ter preparado, em 1918, um atentado contra a vida de Lenin. O naïf e apaixonado Bukharin venerava Lenin, o adorava, não podia ter ambições pessoais. Todas as acusações dos julgamentos de Moscou tinham um mesmo padrão. Stalin via a melhor maneira de dissipar suspeitas contra ele mesmo atribuindo o crime a seu adversário e forçando-o a “confessar”.

Lenin pediu o veneno –se é que o fez– no final de fevereiro de 1923. No começo de março, ele estava de novo paralisado. Mas seu organismo poderoso, apoiado em sua vontade inflexível, reafirmou-se. Ao longo do inverno ele começou a se recuperar lentamente, a se mover mais livremente; ouvia leituras e lia ele mesmo; sua faculdade de fala começou a voltar. As opiniões dos médicos se tornaram cada vez mais esperançosas.

Stalin estava em busca do poder, de todo o poder, não importa como. Ele já tinha um firme controle sobre isso. Seu objetivo estava próximo, mas o perigo emanando de Lenin continuava ali. Ao seu lado estava o farmacêutico Yagoda.

A notícia da morte de Lenin me pegou e a minha esposa no caminho para o Cáucaso, para onde eu tinha ido me curar de uma infecção cuja natureza permanece uma incógnita para meus médicos. Imediatamente telegrafei para o Kremlin: “Acho necessário voltar a Moscou. Quando é o funeral?” A resposta veio depois de mais ou menos uma hora: “O funeral será no sábado. Você não conseguirá voltar a tempo. O Politburo considera que por causa do seu estado de saúde você deve seguir para Sukhum. Stalin”. Por que a pressa? Por que precisamente sábado? Mas eu não achei que deveria pedir o adiamento do funeral apenas por minha causa. Somente quando cheguei a Sukhum soube que tinham mudado para domingo.

Era mais seguro sob todos os aspectos me manter afastado até que o corpo tivesse sido embalsamado e as vísceras cremadas.

Quando perguntei aos médicos em Moscou sobre a causa mortis de Lenin, que eles não esperavam, ficaram perdidos em responder. A autópsia foi feita com todos os ritos necessários: Stalin pessoalmente tomou conta de tudo. Mas os cirurgiões não procuraram por veneno. Eles entenderam que a política está acima da medicina.

Não retomei as relações pessoais com Zinoviev e Kamenev até dois anos depois, quando eles romperam com Stalin. Eles evitaram qualquer discussão sobre a morte de Lenin. Só Bukharin fez, aqui e ali, tête-à-tête, alusões inesperadas e estranhas. “Oh, você não conhece Koba (Stalin)”, disse com seu sorriso trêmulo. “Koba é capaz de qualquer coisa.”

Quando o telhado desaba e as portas e janelas caem, fica difícil viver numa casa. Hoje, rajadas de vento sopram ao redor de nosso planeta inteiro. Todos os tradicionais princípios de moralidade estão cada vez piores, e não apenas aqueles que emanam de Stalin. Mas uma explicação histórica não é uma justificativa. Nero também foi um produto de sua época. Após sua queda, porém, suas estátuas foram derrubadas e seu nome varrido de tudo. A vingança da história é mais terrível que a vingança do mais poderoso secretário-geral.

(Texto publicado originalmente em 10 de agosto de 1940. Em inglês aqui)

 


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(20) comentários Escrever comentário

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NARENDRANATH MARTINS COSTA em 04/08/2017 - 14h20 comentou:

Esta é uma das maiores asneiras que já li na minha vida.

Responder

    Vinicius em 12/09/2017 - 14h09 comentou:

    Trotsky postou uma opinião construtiva, e é bem provável que Stalin tenha matado Lênin e o Trotsky no México, então ao invés de ficar postando merda aponta aonde ele errou e justifica, porque desprezar toda a postagem e fácil, mas eu quero ver se você consegue argumentar contra.

Claudio Vigas em 26/08/2017 - 15h26 comentou:

….”Traduzi o artigo dele sobre o rival para muita gente que critica o comunismo por causa de Stalin poder entender que o que mais fez Stalin foi matar comunistas (?!) -grifo meu -. Boa leitura.”

Ôh… morena Cynara, menos!

Responder

Claudio Vigas em 26/08/2017 - 15h28 comentou:

NARENDRANATH… a tradução, ou o “prefácio” da Morena Cynara?

Responder

Marlon Franco em 28/09/2017 - 13h40 comentou:

Quanta bobagem, Trotsky e teorias da conspiração me dão nojo

Responder

Eduardo Rodrigues Vianna em 07/01/2018 - 17h23 comentou:

Trotski também acusava Stálin se ser um “oriental”, e é claro que oriental só pode fazer caca: já o próprio Trotski era um judeu de cultura europeia, de família rica, portanto muito mais “civilizado”, muito mais capaz para tudo, segundo aquela espécie de direito divino que o indivíduo burguês sempre reivindica para si. “Esse montanhês”, assim se referia a Iossif Djugashivili (“esse georgiano admirável” na opinião de Lênin), como se o fato de ser da periferia agregasse qualquer coisa contra o rival. Trotski também dizia que Stálin era um analfabeto que só se comunicava por meio de grunhidos e rosnados, o que absolutamente não era verdade, o autor de uma infernal burocracia política por meio de uma conspiração, como se algum homem fosse capaz de um feito desse tamanho, em qualquer época ou país. Trotski também julgava inteiramente impossível a restauração do capitalismo na União Soviética, enquanto Stálin alertava para isto já nos anos 1930. E por aí vai.

Responder

Leone em 03/03/2018 - 09h33 comentou:

É uma esquerdista postando isso?É o fim do mundo.

Responder

lets em 19/05/2018 - 20h12 comentou:

muito boa a publicação..È bom saber de novas coisas,pelo que esta escrito da para perceber que o stalin não era la um mocinho não e verdade!?kkk

Responder

John em 08/07/2018 - 20h47 comentou:

ACHO PERTINENTE MOSTRAR ESSA INTRODUÇÃO DO LIVRO DE LOSURDO, SINTO AS VEZES NAS CRITICAS DE MUITOS COMPANHEIROS UMA AUTOFOBIA DANOSA PARA O MOVIMENTO DA ESQUERDA EM GERAL E POR ISSO ACHO PERTINENTE COLOCAR ESSE TEXTO AQUI

Em 1818, em plena Restauração, e em um momento no qual a
falência da Revolução Francesa tornava-se evidente, mesmo
aqueles que, inicialmente, a haviam visto com bons olhos se
preocupavam em manter distância da experiência histórica
iniciada em 1789: tinha sido um equívoco colossal, ou, pior,
uma vergonhosa traição de nobres ideais. Neste sentido, Byron
cantava: “Mas a França se inebriou de sangue para vomitar
delitos. E as suas Saturnais foram fatais à causa da Liberdade,
em qualquer época e em toda a Terra”. Devemos hoje
tornar nosso esse desespero, limitando-nos apenas a substituir
a data, 1917 por 1789, e a causa do socialismo pela “causa
da Liberdade”? Os comunistas devem se envergonhar de sua
história?
A história das perseguições sofridas por grupos étnicos
ou religiosos nos coloca diante de um fenômeno singular. Em
um determinado momento, as vítimas tendem a adotar como
seu o ponto de vista dos opressores e começam até mesmo a
desprezar e odiar a si mesmas. O Selbsthass ou Self-hate, a
autofobia é pesquisada sobretudo em relação aos judeus, objeto
há milênios de uma sistemática campanha de discriminação
e difamação. Mas algo análogo se verificou no curso da
história dos negros, também esta trágica, deportados de seus
países, submetidos à escravidão e opressão, e privados da
própria identidade: em um certo momento, as jovens afroamericanas,
mesmo aquelas dotadas de esplêndida beleza, começaram
a desejar e a sonhar ter a pele branca, ou pelo menos
que o negro de sua pele se atenuasse. Tão radical pode ser a
adesão das vítimas aos valores dos opressores…
O fenômeno da autofobia não concerne apenas aos
grupos étnicos e religiosos. Pode atingir classes sociais e
partidos políticos que sofreram uma derrota severa, sobretudo
se os vencedores, deixando de lado ou em segundo pia/
I
no as verdadeiras e reais armas, insistem em sua campanha
mortífera, atualmente garantida pelo poder de fogo da
multimídia. Entre os vários problemas que afligem o movimento
comunista, o da autofobia não é certamente o menor.
Deixemos de lado os ex-dirigentes e ex-expoentes do PCI
que chegam a declarar ter aderido no passado ao partido
sem jamais terem sido comunistas. Não por acaso, eles admiram
e até mesmo invejam Clinton, que, quando de sua
reeleição, agradeceu a Deus por ter nascido estadunidense.
Uma forma ainda que sutil de autofobia é estimulada em
todos aqueles que não tiveram a sorte de fazer parte do
povo eleito, o povo ao qual a providência divina confiou a
tarefa de difundir no mundo, através de todos os meios, as
idéias e as mercadorias made in USA.
Mas, como dizia, convém deixar de lado os ex-comunistas
que lamentam nostalgicamente não terem nascido
anglo-saxões e liberais, e que foram colocados, por uma
sorte madrasta, longe do sagrado coração da civilização.
Desgraçadamente, porém, a autofobia alinha também em
suas fileiras aqueles que, mesmo continuando a se declararem
comunistas, se mostram obcecados com a preocupação
de reiterar seu total distanciamento em relação a um passado
que, para eles, como para seus adversários políticos, é
simplesmente sinônimo de abjeção. Ao soberbo narcisismo
dos vencedores, que transfiguram a própria história, corresponde
a substancial autoflagelação dos vencidos.
É óbvio que a luta contra a praga da autofobia resultará
tanto mais eficaz quanto mais radicalmente crítico e sem
preconceito for o balanço da grande e fascinante experiência
histórica iniciada com a Revolução de Outubro. Porém,
apesar das assonâncias, autocrítica e autofobia constituem
duas posições antitéticas. Em seu rigor, e até mesmo em seu
radicalismo, a autocrítica exprime a consciência da necessidade
de acertar as contas com a própria história; a autofobia
é a fuga vil desta história e da realidade da luta ideológica e
14
cultural que sob ela ainda arde. Se a autocrítica é o pressuposto
da reconstrução da identidade comunista, a autofobia
é sinônimo de capitulação e de renúncia a uma identidade
autônoma.
Urbino, fevereiro de 1999

Responder

Mauricio em 27/11/2018 - 10h42 comentou:

Faz sentido. Em 1956, no tal discurso “secreto” de Krushev, a própria burocracia soviética stalinista (lutando pela própria sobrevivência)reconheceu os crimes de Stálin nos Processos de Moscou se encarregou de jogar Stalin na lata de lixo da história.

Responder

Mauricio em 27/12/2018 - 19h19 comentou:

Trotsky, quanta lucidez

Responder

Sandro em 30/12/2018 - 17h39 comentou:

Stalin, foi um dos maiores facínoras da história. È fato! Só sobrou comida para o povo russo porque o “monstro” mandou matar dezenas de milhões… Era o “comunista” mandando matar “comunistas”! Aff!

Responder

Marcos em 03/01/2019 - 00h59 comentou:

Stalin foi um monstro! Um dos mais perversos seres q sequer atrevo chamar de humano…. Contudo, Lenin e Trotsky, no apogeu de sua lucidez sovietica, foram incapazes de eliminar este mal. Pq?

Responder

Vitor em 17/02/2019 - 07h40 comentou:

Não entendi muito bem a intenção do site. Todo mundo que se entitula socialista, tem uma visão própria do que seria este modo de produção, diferente do capitalismo, por exemplo, que é um concenso entre os capitalistas. Por isso, invariavelmente, todas as experiências socialistas terminaram em ditaduras genocidas, paranóicas, regadas a fome e miséria.
Esse artigo é verdadeiro e expressa verdades sobre o regime soviético do Stalin.
Todas as atrocidades desse regime e outros regimes embasados na mesma ideologia, erremessaram o mundo moderno de cabeça no capitalismo, que estava fazendo a vida das pessoas melhorarem muito mais que o inferno bolchevique e suas filiais.
Pq um Jornal Anticapitalista publicaria uma matéria que é uma foto clara do motivo da ruína do socialismo?

Responder

    Cynara Menezes em 20/02/2019 - 12h52 comentou:

    porque não tememos o debate. e porque o socialismo é muito maior (e inclusive anterior) a líderes totalitários que mataram e oprimiram o povo em nome do socialismo. são iguais aos capitalistas que matam e oprimem, não há diferença

Gabriel em 17/03/2019 - 17h31 comentou:

Revisionista demais você quanta mentira e dor de cotovelo de Trosko, Trotsky nunca chegou aos pés de Stalin, não sou eu que digo Lenin chamou ele de porco, Che não gostava dele, Fidel, mao mas é difícil vocês aceitarem ai falam asneiras ne, vergonha.

Responder

Antonio em 28/04/2019 - 22h09 comentou:

Fontes por favor. Senão não dá pra acreditar em você não.

Responder

    Cynara Menezes em 29/04/2019 - 10h10 comentou:

    que fontes? este é um artigo escrito pelo trotski, não deu para entender?

Sajay pandit em 30/05/2019 - 12h52 comentou:

Stalin é uma figura emblemática na história da humanidade.
Porém, tinha que ser ele para que mal pior não mergulhasse o mundo em uma era das trevas.
Possivelmente nenhum outro venceria o poderosíssimo exército fascista de Adolf Hitler (Este sim o pior é mais covarde assassino da história recente), e a Alemanha teria dominado o mundo.
Também no caso da “Operação Drposhot”, na qual os Estados Unidos planejavam ataques nucleares a centenas de cidades da Rússia e da China, Stalin “em um último e glorioso instante”, deflagrou a primeira bomba nuclear soviética para efeito de teste, frustrando as intenções imperialistas da execução de um projeto que destruiria a humanidade pela radiação nuclear.
O maior exemplo de líder que confere minha consciência foi Gandhi, socialista fabiano. Porém naquelas horas e naqueles locais, onde foram decididos os destinos da humanidade, tinha que ser Stalin. Nenhum Mahatma conseguiria destruir a “besta fascista” nem coibir “loucura imperialista”.
Diz um ditado árabe: Quem poupa o lobo condena as ovelhas”. Embora esta frase não seja aqui perfeitamente apropriada, nos indica que nem sempre as “flores vencem os canhões”. Me perdoe mestre Vandré!

Responder

Jhonatan Melo Silva em 06/09/2019 - 12h04 comentou:

Parei de ler na parte do “Em 2012, em uma conferência na Universidade de Maryland, nos EUA, cientistas chegaram à conclusão de que a tese de envenenamento é bastante plausível”. EUA kkkkkkkkkkkk trotskistas são muito engraçados mano.

Responder

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