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Cultura

Transporte coletivo é coisa de rico

Uma das coisas de São Paulo de que mais sinto falta depois que vim morar em Brasília é o transporte coletivo. Adoro andar de ônibus e de metrô –quando não posso resolver tudo a pé, mesmo. A cidade de Oscar Niemeyer não é amiga dos pedestres e as longas distâncias acabam sendo percorridas de carro, […]

Cynara Menezes
16 de setembro de 2012, 06h30

Uma das coisas de São Paulo de que mais sinto falta depois que vim morar em Brasília é o transporte coletivo. Adoro andar de ônibus e de metrô –quando não posso resolver tudo a pé, mesmo. A cidade de Oscar Niemeyer não é amiga dos pedestres e as longas distâncias acabam sendo percorridas de carro, sobretudo para quem não mora nas superquadras.

Moro no Lago Norte, bairro burguês longe de tudo e, burguesmente, só ando a pé para fazer exercícios… Não pense que me orgulho disso. Claro que não trocaria nossa casa por um apartamento, mas sinto uma falta enorme de quando podia deixar o carro na garagem a semana inteira e pegar o metrô ou o ônibus para ir ao trabalho. Sabe por quê? Porque o transporte coletivo me deixava mais rica.

Viver de aluguel tem uma vantagem: sempre é possível morar perto do trabalho. Nos dez anos que passei em São Paulo, essa foi uma regra que cumpri à risca, e não posso me queixar de ter ficado presa no trânsito –mesmo porque também usava o transporte público para me locomover. E sempre tinha novidades para contar aos amigos depois: quando entro num ônibus ou numa estação de metrô, minhas antenas ficam ligadas em tudo.

Gosto inclusive de viajar de ônibus. Outro dia, para ir fazer uma reportagem no Xingu, saí de Brasília à noite rumo a Canarana (MT) em um ônibus da empresa Xavante. Aliás, super-confortável (o merchan é de graça, mas é sincero). Quem diz que “os aeroportos viraram rodoviárias”, além de preconceituoso, é obtuso. Não consegue ver como as rodoviárias são interessantes. Obviamente lamento a opção histórica do Brasil pelas rodovias, mas tem um lado bom: temos ônibus interestaduais excelentes, talvez os melhores do mundo.

Tenho pena de quem nunca andou de ônibus ou de metrô. De quem vive isolado em suas torres/automóveis. Para um escritor ou jornalista, o transporte coletivo é uma experiência absolutamente enriquecedora. Personagens e histórias desfilam cotidianamente diante de seus olhos, basta prestar atenção ao redor. Quando estiver no metrô ou no ônibus, largue o livro, tire o som dos ouvidos, feche o jornal e você vai entender sobre o que estou falando.

Sábado passado resolvi matar a saudade do meu amado transporte público e fui dar um rolé no metrô de Brasília com Tito, meu filho caçula de 4 anos. Pegamos o metrô na estação 102 Sul e fomos até a Feira do Guará, ótima opção na capital para a gente se lembrar que vive numa cidade de verdade. Tem tapioca, pastel, tem fruta, verdura, tem peixe fresco, tem vida na feira. Tem gente. Nem preciso dizer que Tito adorou. E eu ganhei novas histórias para contar.


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