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Cultura

Três docs para entender a diferença entre grafite e pichação (e respeitar ambos)

Vi muita gente expondo ignorância nas redes para defender o vandalismo do prefeito João Doria Jr. contra a arte de rua em São Paulo, ao transformar muros grafitados em cinza. Para poder opinar, estas pessoas pelo menos deveriam saber a diferença entre pichação e grafite, não? Pensando em ajudá-las a entender melhor o mundo que […]

Cynara Menezes
29 de janeiro de 2017, 12h58

cidadecinza

Vi muita gente expondo ignorância nas redes para defender o vandalismo do prefeito João Doria Jr. contra a arte de rua em São Paulo, ao transformar muros grafitados em cinza. Para poder opinar, estas pessoas pelo menos deveriam saber a diferença entre pichação e grafite, não? Pensando em ajudá-las a entender melhor o mundo que as cerca resolvi postar no blog três documentários, um sobre pichação, e outros dois sobre grafite.

pixo

O primeiro deles é PIXO, de 2010, dirigido por João Wainer e Roberto T.Oliveira, que mostra a realidade dos jovens da periferia que fazem pichações em prédios e ruas em São Paulo. João passou dois anos se encontrando com os pichadores para entender o porquê de eles fazerem esta ação. O fotógrafo defende que, como o pixo é uma espécie de protesto, sempre será perseguido. Esta semana ele publicou um texto na Folha de S.Paulo onde criticou o prefeito da cidade por apagar a arte de rua e confundir grafite com pichação.

“Pichadores buscam sempre o enfrentamento com o poder público. Declarar guerra à a pichação de forma midiática pode trazer votos, mas é tudo o que os pichadores mais querem e terá um efeito devastador para a cidade, pois a reação será fortíssima”, alertou Wainer. “Pichação se resolve com escola de qualidade e não com tinta cinza e bravatas na televisão” (leia o texto completo aqui, para assinantes). Assista PIXO no Vimeo.

O segundo documentário tem um título emblemático para o momento: Cidade Cinza, de 2013. Dirigido por Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, com músicas de Criolo e Daniel Ganjaman, o filme questiona o cinza em que os governantes conservadores pretendem transformar as cidades. O doc foi feito depois que, em 2008, o então prefeito Gilberto Kassab, como Doria hoje, mandou apagar os grafites da avenida 23 de Maio, angariando uma forte repercussão negativa internacional. Em tempo: o slogan de Kassab era Cidade Limpa; o de Doria é Cidade Linda.

É hilário ver como os funcionários das empresas terceirizadas se transformam, como os reaças nas redes, em críticos de arte, decidindo autoritariamente sobre o que deve ou não deve ficar e o que tem de ser apagado.

O terceiro doc é o premiado curta Graffiti Fine Art, que mostra a chegada de 65 grafiteiros de 13 países para a I Bienal Internacional de Grafite, em 2010. Promovida pelo MUBE (Museu Brasileiro de Escultura), a proposta da bienal é justamente mostrar a diversidade e a qualidade da arte de rua.

No filme dirigido por Jared Levy, os grafiteiros dizem frases como: “Uma cidade sem grafite é uma cidade onde está faltando um membro, um órgão” (Nove); “Uma cidade que não tem grafite é uma cidade oprimida, muito controlada” (Anarkia); “Uma cidade sem grafite é uma cidade mais cinza do que já é” (Graphis).

Assistam e comentem, ampliem seus horizontes antes de opinar.

 

 


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(1) comentário Escrever comentário

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Luciano em 25/10/2018 - 21h22 comentou:

Tem um video no youtube aonde um pixador diz “Na minha casa não,aqui é sagrado,lugar de descanso” Na casa dos outros pode na casa dele não pode? Ah conta outra viu!

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