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Direitos Humanos

Associação de Funcionários do Banco Mundial dá passa-fora em Weintraub

Entidade citou processo de racismo por tuíte contra os chineses e sua declaração de que odeia o termo "povos indígenas"

O ex-ministro fujão. Foto: Lula Marques
Da Redação
24 de junho de 2020, 16h25

A Associação de Funcionários do Banco Mundial divulgou nesta quarta-feira uma carta aberta ao Comitê de Ética da instituição em que dá um verdadeiro passa-fora no ex-titular da Educação do governo Bolsonaro, Abraham Weintraub. O ex-ministro, que viajou para os EUA em condições que estão sendo investigadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União), foi indicado pelo governo para ocupar uma diretoria executiva no banco, mas está tendo seu nome questionado pelos funcionários diante do processo que sofre na Justiça por racismo.

A declaração da Associação

“O Banco Mundial acaba de assumir uma posição moral clara para eliminar o racismo em nossa instituição. Isso significa um compromisso de todos os funcionários e membros do Conselho de expor o racismo onde quer que o vejamos”, diz o texto. “De acordo com múltiplas fontes, o senhor Weintraub publicou um tuíte de carga racial, ridicularizando o sotaque chinês e culpando a China pela Covid-19, e acusando os chineses de ‘dominação mundial’, o que levou a Suprema Corte a abrir uma investigação por crime de racismo.”

Em abril, o então ministro da Educação publicou um tuíte onde imita o suposto sotaque dos chineses falando em português, como se fosse o Cebolinha, personagem da Turma da Mônica. Ele apagou o post após a chuva de críticas, inclusive do criador do gibi, Mauricio de Sousa. O processo por racismo foi enviado esta semana pelo STF para a primeira instância, já que Weintraub perdeu o foro privilegiado.

Na época, a embaixada da China rebateu o ministro de Bolsonaro apontando o cunho “racista” da provocação infantil de Weintraub, que tem 48 anos, mas costumava brigar nas redes sociais como se fosse um adolescente mal educado.

A Associação dos Funcionários do Banco Mundial citou ainda as declarações públicas de Abraham Weintraub “contra a proteção de direitos das minorias”, lembrando que seu último ato como ministro da Educação foi revogar a portaria que garantia cotas a indígenas e negros na pós-graduação das universidades públicas, e que na malfadada reunião ministerial disse “odiar” o termo “povos indígenas”.

Embora reconhecendo que a decisão de indicá-lo compete inteiramente ao Brasil, a Associação de Funcionários pediu que a diretoria observe o Código de Conduta do Banco, que exige “altos padrões de integridade e ética em suas condutas pessoais e profissionais”, e solicitou ao Conselho de Ética  que “reveja os fatos por trás dessas múltiplas acusações, com intenção de: a) colocar sua indicação em espera até que essas acusações possam ser verificadas; e b) garantir que o sr. Weintraub seja avisado de que o tipo de comportamento do qual ele é acusado é totalmente inaceitável nesta instituição.”

 


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