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Atacar Lula como “estratégia eleitoral” é se rebaixar e rebaixar o nível do debate

Focar a campanha política em ataques ao melhor situado nas pesquisas é uma espécie de derrota antecipada da tal "terceira via"

Ciro em mais um vídeo onde ataca Lula. Foto: reprodução
Cynara Menezes
11 de outubro de 2021, 18h25

Os adversários do PT dizem que o partido “não aprendeu” com tudo o que sofreu nos últimos anos – “mensalão”, golpe contra Dilma, prisão de Lula, derrota para a presidência em 2018… Mas estes mesmos adversários agora abraçam como “estratégia eleitoral” atacar o ex-presidente o tempo todo como forma de decolar nas pesquisas de opinião. Ou seja, em vez de divulgar ideias e propostas, rebaixam o nível do debate político com o mesmo antipetismo descerebrado que nos trouxe até aqui. Quem foi mesmo que não aprendeu a lição?

Focar campanha política em ataques ao melhor situado nas pesquisas é uma espécie de derrota antecipada da tal “terceira via”. Demonstra que seus candidatos não têm qualidade para enfrentar uma eleição de forma propositiva, colocando em evidência o projeto de país que defendem, para que o eleitor escolha o melhor. Quem está optando pelo ataque cotidiano a Lula rebaixa o debate e a si mesmo. É humilhante, para quem quer ser presidente do Brasil, baixar a cabeça diante do marqueteiro e aceitar que suas propostas não servem para catapultá-lo nas pesquisas, e sim as críticas ao primeiro colocado.

Desde 2010, pelo menos, que nós, eleitores, assistimos à queda vertiginosa do nível na campanha eleitoral brasileira. Naquela época, com Dilma Rousseff, do PT, como a primeira mulher com chances de ganhar a presidência da República, seu adversário, o tucano José Serra, para agradar os evangélicos conservadores que hoje estão com Bolsonaro, partiu para a baixaria da acusação de “abortista” que acabaria se voltando contra ele.

Em 2014, o próprio PT usou uma estratégia demonizadora contra Marina Silva, enquanto Aécio Neves, do PSDB, lançou mão até de Cuba para atacar Dilma, narrativa que o bolsonarismo também iria copiar. Em 2018, Jair Bolsonaro levaria a baixaria política a outro patamar, ainda mais rasteiro, apelando às fake news como a “mamadeira de piroca” e ao anticomunismo rastaquera contra o PT.

Em 2021, enquanto um aparentemente desesperado Ciro Gomes não pára de falar de Lula nem quando propõe “trégua”, outros candidatos da “terceira via”, como João Doria, Eduardo Leite e Luiz Henrique Mandetta, seguem à risca a receita marqueteira de centrar fogo no petista. “Esse antipetismo será predominante dentro da nossa campanha, com muita clareza”, disse Doria ao se inscrever nas prévias do PSDB, em setembro. “Bolsonaro é também resultado de uma política feita pelo PT”, afirmou Eduardo Leite –que votou em Bolsonaro em 2018. “Lula e Bolsonaro são a falência da sociedade”, disparou Mandetta, ex-ministro de… Bolsonaro.

Será que o povo se deixará seduzir por um candidato que fala mais de outro do que de si próprio? Não é humilhante descer tanto para tentar subir nas pesquisas? Nas redes sociais, seguidores de um presidenciável divulgam mais a foto de Lula com Eunicio Oliveira do que a foto ou as ideias do seu próprio candidato… Um político que já foi prefeito, governador, ministro de Estado, não tem mais o que mostrar a não ser ataques a Lula? Onde foi parar o orgulho, o amor próprio, desse pessoal?

E a questão mais importante: se rebaixar dessa forma vai mesmo surtir efeito eleitoral? As pesquisas mostram que não. Atacar Lula o tempo todo não parece estar dando resultados –ou Ciro já estaria em primeiro lugar e não com 6%. Segundo o Datafolha, a maior parte do eleitorado de Ciro, Doria e Leite tende a preferir o petista no segundo turno. Ora, se estes ataques nem sequer vão funcionar para alavancar suas candidaturas, está na hora de começar a pensar no Brasil e não em mais uma vez pavimentar o caminho para a extrema direita e depois fugir da raia dizendo ser “uma escolha difícil”.

 


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Gerson saraiva em 11/10/2021 - 22h41 comentou:

Ciro é o único que tem PROPOSTAS e um PROJETO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO. Se você não leu, não diga bobagens.

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Rony em 11/10/2021 - 22h44 comentou:

O que vocês chamam de ataque.
É ou não fato que a economia caiu 7% nos governos Lula e Dilma?
É ou não verdade que houve 1 trilhão aos bancos neste período?
É ou não verdade manutenção da mesma política econômica?
É ou não verdade que o Lula está com o Renan Calheiros, Eunicio Oliveira e Romero Juca que foram capitães do Golpe ?
Não são ataque
São fatos que o PT se recusa a responder e chama de ataques.

Responder

    Cynara Menezes em 13/10/2021 - 09h38 comentou:

    Sim, é mentira. O governo Lula registrou crescimento de 32,62% do PIB (média de 4%) e 23,05% da renda per capita (média de 2,8%). Lula assumiu com a inflação em 12,53% e entregou a 5,90%. O Brasil passou a ser a sexta economia do mundo.

Carlos Santana em 13/10/2021 - 14h31 comentou:

Cyanra, de fato seria melhor ouvir propostas no lugar de ataques, entretanto, acho difícil a campanha do Ciro, que diga-se tem como marqueteiro o mesmo João Santana da suja campanha de 2014, mudar de rumo.

Acho que isso denota o estado da nossa política e a forma como a “média ponderada” dos participantes desse jogo veem como devem jogá-lo.

Ciro é um candidato com propostas, escreveu um livro sobre o tema, mas infelizmente parece que essa é a tônica por aqui, o PT não foge a essa regra. Lula parece sereno por estar surfando na liderança das pesquisas. Será que essa tranquilidade se manteria se os números mostrassem outra realidade?

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Felipe em 14/10/2021 - 12h35 comentou:

Ciro Gomes escreveu um livro chamado “Projeto Nacional: O Dever da Esperança”, expondo sua visão do Brasil , como o país chegou ao fundo do poço, e como tirá-lo de lá, ao passo que o Lula não. Ele vai a vários programas de TV e podcasts do YouTube para expor o seu plano de governo, ao passo que o Lula se recusa a dar entrevistas para jornalistas que ousam criticá-lo. Lula dá declarações na mídia ao estilo “paz e amor”, mas nos bastidores da política, longe dos holofotes, ele dá ordens para que os capangas dele executem o serviço sujo, como o PCO, pitbull e braço armado do PT, o qual hostilizou Ciro nos protestos – sem contar o financiamento ao Brasil 247 e o DCM, que espalham fake news contra o Ciro, incluindo também os blogs sujos e podres que existem por aí (você é independente, certo?). O Brasil não é o feudo político do Lula, e merece muito mais que o PT. As contradições políticas e os esquemas sujos do PT serão desmascarados durante a próxima eleição de 2022. Jean Wyllys, homem agressivo e cheio de ódio, faz posts extremamente tóxicos a respeito do Ciro no Twitter. Para além de toda essa polarização, Ciro Gomes é o único capaz de pacificar o nosso país, numa campanha ampla, que vai da centro-esquerda até à centro-direita.

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Jonas Guerra em 14/10/2021 - 18h51 comentou:

Texto patético, campanha pró-Lula descarada. Parece texto de adolescente do DCE. Ciro é o único propondo projetos e propostas. Seu último livro é prova disso e 90% dos materiais que ele publica nas redes são sobre isso. Quem não discute nada é o PT que foca em voltar às alianças sujas, mas, isso a autora do texto não se incomoda. Querem que as pessoas engulam com farinha as merdas e a sujeira petista (que quase superam as coisas positivas) e finjam que não aconteceu. Esse texto brega, capcioso, parcial e mal redigido é exemplo do que realmente baixa o nível do debate político. Desperta em qualquer esquerdista sensato ojeriza da militância petista, e escancara sua desonestidade intelectual.

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Pedro em 15/10/2021 - 22h54 comentou:

Ele não fala mais dos outros candidatos que das propostas, os grupos de facebook fazem isso, ele mesmo 90% das entrevistas fala das propostas, sua melhor entrevista até agora que mostra parte de suas ideias foi a do Flow PodCast. Mas o restante ta claro no livro, e quem leu de verdade viu o quanto é plausível.

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