Beyoncé fez a rival de “Jolene”, de Dolly Parton, brigar pelo marido; mas isso é bom?
Qual mulher é mais empoderada? A que peita a outra, como faz Beyoncé, ou a que se humilha diante dela, como Dolly? Ou não seria nenhuma das duas?
Lançada em 1973, Jolene, de Dolly Parton, é uma das canções mais conhecidas da música country norte-americana. A revista Rolling Stone a colocou em 63º lugar entre as 500 melhores canções de todos os tempos e em nono lugar entre as 100 melhores canções country. Segundo Parton, é sua canção mais regravada: há pelo menos 84 versões de Jolene, a mais recente delas por Beyoncé, que ganhou o Grammy de Álbum do Ano por Cowboy Carter, seu disco-tributo ao gênero.
Só que Beyoncé não fez apenas um cover de Jolene. Ela modificou a letra inteira, empoderando a mulher enciumada que protagoniza a canção. A letra original é bem engraçada: basicamente uma mulher casada que reconhece a “superioridade” de outra e se humilha diante dela, a tal Jolene, uma rival de beleza estonteante, e suplica que não roube seu marido. “Jolene, Jolene, eu imploro que você não leve meu homem; por favor, não o leve só porque você pode”, diz o refrão (veja a letra original e uma tradução livre a seguir).
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
I’m begging of you please don’t take my man
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Please don’t take him just because you can
Your beauty is beyond compare
With flaming locks of auburn hair
With ivory skin and eyes of emerald green
Your smile is like a breath of spring
Your voice is soft like summer rain
And I cannot compete with you
Jolene
He talks about you in his sleep
And there’s nothing I can do to keep
From crying when he calls your name
Jolene
And I can easily understand
How you could easily take my man
But you don’t know what he means to me
Jolene
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
I’m begging of you please don’t take my man
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Please don’t take him just because you can
You could have your choice of men
But I could never love again
He’s the only one for meJolene
I had to have this talk with you
My happiness depends on you
And whatever you decide to do
Jolene
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
I’m begging of you please don’t take my man
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Please don’t take him even though you can
Jolene, Jolene
***
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Estou te implorando, por favor, não leve meu homem
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Por favor, não o leve só porque você pode
Sua beleza é incomparável
Com suas mechas flamejantes de cabelo ruivo
Sua pele marfim e olhos verde esmeralda
Seu sorriso é como um sopro de primavera
Sua voz é suave como a chuva de verão
E eu não posso competir com você, Jolene
Ele fala sobre você enquanto dorme
Não há nada que eu possa fazer para parar
De chorar quando ele chama seu nome, Jolene
E eu posso entender facilmente
Como você facilmente poderia levar meu homem
Mas você não sabe o que ele significa para mim, Jolene
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Estou te implorando, por favor, não leve meu homem
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Por favor, não o leve só porque você pode
Você poderia ter os homens que quisesse
Mas eu nunca poderia amar novamente
Ele é o único para mim, Jolene
Eu tive que ter essa conversa com você
Minha felicidade depende de você
E o que quer que você decida fazer, Jolene
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Estou te implorando, por favor, não leve meu homem
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Por favor, não o leve, mesmo que você possa
***
Dolly Parton contou em várias entrevistas que o nome Jolene foi inspirado numa fã ruivinha de 8 anos que ela encontrou nos bastidores do programa de TV que apresentava no final dos anos 1960. “Você é a coisinha mais linda que eu já vi. Como você se chama? E ela disse: ‘Jolene’. E eu falei: ‘Jolene, Jolene. Jolene. Jolene. É muito bonito. Soa como uma canção. Vou escrever uma canção sobre seu nome’.”
Para a história de rivalidade entre duas mulheres, a inspiração veio de uma piada interna entre Dolly e seu marido da vida inteira, Carl Thomas Dean (são casados desde 1966). Segundo a cantora, uma bancária ruiva tinha um crush terrível em Carl, e ele adorava ir ao banco para flertar com ela. “Virou uma piada entre nós. Eu dizia: ‘caramba, você está passando muito tempo no banco. Não acredito que tenhamos tanto dinheiro assim’. Então é realmente uma música inocente, mas soa pavorosa.”

A capa do disco de 1973
O que fez Beyoncé? Em primeiro lugar, mudou o refrão: em vez de cantar “Jolene, eu estou te implorando, não roube meu homem/ Jolene, Jolene, por favor, não o roube só porque você pode“, ela canta “Jolene, eu estou te avisando, não venha atrás do meu homem/ Jolene, Jolene, não aproveite a oportunidade porque você acha que pode“. É totalmente diferente: “implorar” é pedir humildemente; “avisar” já vem em tom de ameaça, mostra que a titular não vai perder o marido para outra sem lutar.
Mas Beyoncé não modificou apenas o refrão. Ela reescreveu toda a canção de Dolly Parton para empoderar a “vítima” da sedutora ruiva de cabelos flamejantes. A “heroína” de Jolene nem sequer tem nome, é a típica mulher submissa sem autoestima que se sente inferior a qualquer solteira gostosa pintando no pedaço; a “vilã” é sedutora até no nome, uma beleza sem comparação com a qual não é possível competir. Não há alternativa a não ser recorrer à nobreza de Jolene e pedir a ela que procure outro homem.
Com Beyoncé, a postura da “heroína” é outra. A patroa é braba. Admite que a rival é uma gata, com uma beleza estonteante, mas praticamente ordena a Jolene para que deixe seu homem em paz, de uma forma nada submissa. Apela aos valores morais de Jolene: quem é ela para destruir um lar? Beyoncé parece defender o próprio matrimônio com Jay-Z e os três filhos com unhas e dentes diante da ameaça. De certa forma, sua versão da canção é mais empoderadora, embora mais careta na vida real: Dolly e o marido nunca tiveram filhos e têm um relacionamento aberto.
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
I’m warnin’ you, don’t come for my man (Jolene)
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Don’t take the chance because you think you can
You’re beautiful beyond compare
Takes more than beauty and seductive stares
To come between a family and a happy man
Jolene, I’m a woman too
The games you play are nothing new
So you don’t want no heat with me, Jolene
We’ve been deep in love for twenty years
I raised that man, I raised his kids
I know my man better than he knows himself
(Yeah, what?)
I can easily understand why you’re attracted to my man
But you don’t want this smoke, so shoot your shot with someone else
(You heard me)
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
I’m warnin’ you, woman, find you your own man
Jolene, I know I’m a queen, Jolene
I’m still a Creole banjee bitch from Louisianne (don’t try me)
There’s a thousand girls in every room
That act as desperate as you do
You a bird, go on and sing your tune, Jolene
(What?)
I had to have this talk with you
‘Cause I hate to have to act a fool
Your peace depends on how you move, Jolene
Me and my man crossed those valleys
Highs and lows and everything between
Good deeds roll in like tumblin’ weeds
I sleep good, happy, ‘cause you can’t dig up our planted seeds
I know my man’s gon’ stand by me, breathin’ in my gentle breeze
I crossed those valleys
Highs and lows and everything between
Good deeds roll in like tumblin’ weeds
Good and happy, ‘cause you can’t dig up them planted seeds
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
I’ma stand by her, she gon’ stand by me, Jolene
I’ma stand by him, he gon’ stand by me
I’ma stand by her, she gon’ stand by me
I’ma stand by him, he gon’ stand by me, Jolene
***
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Estou avisando, não venha atrás do meu homem (Jolene)
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Não arrisque porque você acha que pode
Você é linda acima de qualquer comparação
Mas é preciso mais do que beleza e olhares sedutores
Para ficar entre uma família e um homem feliz
Jolene, eu também sou uma mulher
Os jogos que você joga não são novidade
Então você não quer confusão comigo, Jolene
Estamos profundamente apaixonados há vinte anos
Eu criei aquele homem, eu criei seus filhos
Eu conheço meu homem melhor do que ele mesmo
(Sim, o quê?)
Eu posso entender facilmente por que você se sente atraída pelo meu homem
Mas você não quer esse barraco, então mire para outro cara
(Você me ouviu)
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Estou avisando, mulher, encontre seu próprio homem
Jolene, eu sei que sou uma rainha, Jolene
Eu ainda sou uma puta Creole banjee da Louisiana (não me provoque)
Há mil garotas em cada sala
Que agem tão desesperadas quanto você
Você é um pássaro, vá em frente e cante sua música, Jolene
(O quê?)
Eu tinha que ter essa conversa com você
Porque eu odeio ter que agir como uma idiota
Sua paz depende de como você se move, Jolene
Eu e meu homem cruzamos esses vales
Os altos e baixos e tudo mais
Boas ações rolam como ervas daninhas caindo
Eu durmo bem, feliz, porque você não pode desenterrar nossas sementes plantadas
Eu sei que meu homem vai ficar ao meu lado, respirando minha brisa suave
Eu cruzei esses vales
Os altos e baixos e tudo mais
Boas ações rolam como ervas daninhas caindo
Boas e felizes, porque você não pode desenterrar essas sementes plantadas
Jolene, Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
Eu vou ficar do lado dela, ela vai ficar do meu lado, Jolene
Eu vou ficar por ele, ele vai ficar do meu lado
Eu vou ficar do lado dela, ela vai ficar do meu lado
Eu vou ficar do lado dele, ele vai ficar do meu lado, Jolene
***
Dolly Parton declarou que gostou da versão de Beyoncé, embora preferisse vê-la cantando a versão original. Os tempos são outros e Beyoncé é outra. “Achei ousado da parte dela. Quando ela falou que iria cantar Jolene, achei que fosse a original e não era, mas amei o que ela fez. Como compositora, você ama o fato de outras pessoas cantarem suas canções, não importa como”, disse. “Ela não iria implorar a outra mulher como eu fiz, ‘não roube meu homem’. Ela diz ‘cai fora, puta. Você não vai roubá-lo’. Afinal, é a Beyoncé e a vida dela é diferente da minha.”
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Gravar um álbum de música country foi de fato ousado. Ao contrário do jazz, do blues e do hip hop, o country sempre esteve mais associado aos brancos estadunidenses. Mas Beyoncé é do Texas, cresceu ouvindo country music com os avós, e o disco nasceu da rejeição racista que sentiu nas redes sociais por parte dos fãs do gênero quando cantou Daddy Lessons, do álbum Lemonade, no Country Music Awards de 2016, apesar de ter sido aplaudida pelo público.
Beyoncé’s performance with The Chicks at the 2016 CMA Awards reportedly delivered the show’s highest-rated 15 minutes ever, but they still deleted the performance from their social media amid outcry from racist country music fans.
Then she turned that experience into a deeper…
— Gibson Johns (@gibsonoma) March 19, 2024
“Este álbum nasceu de uma experiência que tive anos atrás, quando não me senti bem-vinda… E ficou claro que eu não era. Mas, por causa dessa experiência, fiz um mergulho profundo na história da música country e estudei nosso rico acervo musical. É tão bom ver o quando a música pode unir tantas pessoas ao redor do mundo, ao mesmo tempo que amplifica as vozes de algumas das pessoas que dedicaram tanto de suas vidas educando sobre nossa história musical”, ela publicou no instagram quando o single Texas Hold’em, do álbum Carter Cowboy, a levou a se tornar a primeira mulher negra no topo da lista de country da revista Billboard, em fevereiro do ano passado.
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“As críticas que enfrentei quando comecei a penetrar neste gênero me forçaram a superar as limitações que me foram impostas. O disco é o resultado do desafio que me impus, e de dedicar meu tempo para torcer e misturar gêneros para criar este trabalho.” Ela disse também ter esperança de que, no futuro, “a menção à raça de um artista, no que tange a estilos musicais, será irrelevante.”
Jolene, na versão de Beyoncé, alcançou em seu lançamento a 7ª posição da Billboard Hot 100, a lista semanal da revista, superando, inclusive, a canção original de Dolly Parton, que chegou à posição 60 em 1974 –mas a importância de Jolene ao longo destes 51 anos é tão incomparável quanto a beleza da ruiva, ou Beyoncé não a teria gravado… Jolene, a original, é uma canção divertida; a Jolene de Beyoncé tira a mulher de sua posição submissa, mas mantém a pegada humorística.
Os críticos musicais, no entanto, torceram o nariz. Na Slate, Chris Wilson questiona: “Para quê interpretar Jolene se você vai tirar o elemento mais especial e poderoso da canção, que é a narradora desnudando sua vulnerabilidade e pedindo compaixão à rival? É algo que a Beyoncé pós-Lemonade nunca poderia ter feito, então ela reduz a canção a uma faixa genérica se vangloriando da grandeza de seu próprio casamento”.

A capa do disco de Beyoncé
Rival de Beyoncé na vida real, tanto na música quanto na política, Azealia Banks (que ao contrário de Bey votou em Donald Trump) detonou o álbum Cowboy Carter como um todo e, sobre Jolene em particular, ela alfinetou que a versão não faz sentido porque “ninguém, ninguém mesmo achará Jay-Z remotamente atraente”.
Musicalmente falando, as duas versões são deliciosas, embora para mim Jolene seja tão perfeita que modificá-la soa como uma blasfêmia. A protagonista da canção de Dolly Parton, embora submissa, demonstra mais sororidade ao se mostrar disposta a conversar com a outra, em vez de sair na porrada. São duas visões de mulher interessantes: uma prefere convencer a rival a ser bacana, a sair do caminho, afinal é um homem casado; a outra já chega a fim de barraco. Pessoalmente, me identifico mais com a primeira.
Como disse Beyoncé, espero que haja um tempo em que uma mulher negra possa cantar qualquer gênero musical sem ter a cor de sua pele questionada por isso, mas também espero que haja um tempo em que mulheres nem se humilhem nem se elgalfinhem disputando homem. Acho cafona brigar por causa de homem.
Quem sabe uma terceira versão de Jolene onde ela e a esposa se unam contra o marido safado, ou que pelo menos se desentendam com ele e não entre si?
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Daniel Paula em 28/02/2025 - 14h04 comentou:
Ah, finalmente, o feminismo venceu!
Depois de meio século de opressão musical, Beyoncé corrigiu Dolly Parton e livrou as mulheres do terrível fardo de expressar vulnerabilidade. Agora, em vez de emoções complexas, temos uma heroína que resolve tudo no grito.
Progresso!
Peraí! Não é bem assim.
O texto demonstra um viés ideológico claro ao romantizar a “versão empoderada” de Beyoncé enquanto desdenha da vulnerabilidade feminina na composição original de Dolly Parton.
A autora apresenta a nova versão como um avanço incontestável, desconsiderando que a música original reflete uma realidade emocional autêntica e não um “erro” a ser corrigido.
A falácia da falsa dicotomia é evidente: o texto sugere que existem apenas duas formas de reagir a uma rival romântica — ou a submissão passiva ou a agressividade de “barraco” de Beyoncé.
Ignora-se a complexidade das relações humanas e a possibilidade de que demonstrar vulnerabilidade seja, por si só, um ato de coragem.
Além disso, ao tentar empurrar a ideia de “empoderamento” a qualquer custo, o argumento acaba reforçando um estereótipo problemático: o de que a mulher forte precisa ser agressiva para ser respeitada.
Há também uma incoerência ao insinuar que a versão original reforça um modelo ultrapassado de feminilidade, enquanto trata a regravação de Beyoncé como uma revolução, sem considerar que ambas são apenas expressões artísticas diferentes.
Se o empoderamento feminino significa que mulheres podem expressar seus sentimentos livremente, por que desmerecer a narrativa de Parton?
A “sororidade” defendida no texto se esvazia quando se ridiculariza a dor de uma mulher simplesmente porque sua resposta ao conflito não se encaixa na cartilha feminista moderna.
Além disso, o texto adota um duplo padrão ao tratar a presença de Beyoncé no country como um ato ousado e revolucionário, enquanto sugere que qualquer resistência a isso seria motivada por racismo.
Esquece-se que o country tem raízes profundas e étnicas específicas, assim como o blues e o hip-hop.
O próprio argumento de que Beyoncé foi rejeitada no CMA 2016 é falacioso, pois seu desempenho foi bem recebido pelo público presente. O texto não explora se a resistência ao seu trabalho atual vem do fato de que sua abordagem ao gênero pode ser vista como oportunista e não como uma homenagem genuína.
Por fim, a conclusão contradiz toda a premissa do texto!
A autora passa o artigo inteiro defendendo a superioridade da nova versão, para no final admitir que se identifica mais com a original.
Parece uma tentativa de equilibrar a crítica, mas apenas evidencia a artificialidade do argumento.
Se a ideia era exaltar o “empoderamento”, por que termina sugerindo que a verdadeira vilania está no homem e que Jolene e a esposa deveriam se unir contra ele?
Isso desmonta a própria tese do texto e demonstra que a análise, no fundo, não passa de uma tentativa forçada de encaixar qualquer obra artística em um discurso ideológico pré-formatado.
No fim das contas, a grande lição dessa análise é clara: não importa se a música faz sentido ou não, se a letra tem coerência ou se a emoção transmitida é genuína.
O importante é reescrever o passado para que ele se encaixe no discurso do presente.
Afinal, quem precisa de nuance quando se pode simplesmente gritar “não mexe com meu macho” e chamar isso de revolução?
🙂
felipe puxirum em 06/03/2025 - 10h48 comentou:
o problema nunca foi o feminismo
mas a falta de caráter entre elas
nunca foi o problema ser masculino
mas a falta de caráter entre eles
contraburgues em 12/06/2025 - 17h52 comentou:
Achei o texto muito bem escrito e dinâmico.
Porém acho que faltou um posicionamento mais duro referente ao ponto central do debate, o que de fato é emporador para as mulheres nesse tipo de situação?
É claro que qualquer expressão artística tem a ideologia de seu tempo e deve ser analisada conforme a conjuntura a qual está inserida mas o texto não explora as contradições das duas versões da música.
Ambas atitudes tem seu peso e em certas medida são prejudiciais a uma cultura machista e que capitaliza na rivalidade feminina.
O final do texto onde chega a conclusão que a treta deve ser direcionada ao marido também é interessante porém não foi explorada em nenhum momento da dissertação o que prejudicou a conclusão, visto que me deu a impressão de “uma resposta rápida” para uma situação que não é tão simples.
joe em 13/07/2025 - 15h42 comentou:
Eu acho a critica dos que não gostaram meio estupida: “ain a primeira versão mostrava a vulnerabilidade dela”, a da beyoncé também, mas com diferentes modos de lidar com sua própria fraqueza e sua vulnerabilidade, o que é bastante humano se você parar pra pensar, cada pessoa reage a uma agressão sentida ou imaginária de acordo com sua própria interpretação e ambiente em que foi criada, na versão da moça branca e no contexto histórico e social dela, o comportamento suplicante, diplomático é mais comum e socialmente aceito.
Por outro lado no contexto atual e histórico norte americano a postura mais agressiva, mais violenta devido a própria condição negra na sociedade, determina uma outra forma de reagir, uma forma mais competitiva, mais violenta, e não é só no contexto negro, hoje em dia a postura mais agressiva é generalizada tanto nas comunidades brancas como negras, digo isso porque nos eua são duas comunidades separadas, pelo menos era a alguns anos, acho que continua.
Claudia em 15/07/2025 - 19h10 comentou:
No fim não passa de uma mulher dependente emocional de um macho infiel….Dolly foi muito mais honesta e apostou na sororidade 🤷🏻♀️
Claudia em 15/07/2025 - 19h16 comentou:
Sou mais a versão da Dolly: foi honesta e apostou na sororidade. Já a versão da Beyoncé tá mais pra dependente emocional passando pano pra macho galinha/infiel
Hey Texas, Hold'hem! em 09/08/2025 - 16h52 comentou:
A autora do texto esquece todo o contexto que involve a história da musica country ( dita de “branca” ou para brancos, dado que o country “negro” existe há muito tempo também Beyoncé não é de forma nenhuma a primeira, mas é um estilo que não tem a plataforma que é dada ao country “branco”). A musica country sempre colocou a mulher numa posição de “stand by your man” / “apoie o seu o seu homem”aconteça o que acontecer. Este tipo de letra foi desafiado pela primeira vez como sucesso pela cantora Shania Twain.
Penso que Beyoncé tinha em mente o seu público alvo quando tornou a musica “mais agressiva” ou empoderadora.
Existem diversas versoes de Jolene hoje em dia umas como “resposta” de Jolene outros mesmo com a mulher a dizer a Jolene para ficar com o homem mesmo. É um sinal dos tempos.
Teria sido bem mais interessante, em vez de fazer promoção aberta as duas musicas, falar da musica enquanto instrumento politizado em si. Quero com isto dizer, que não é acidente que a musica country enfatize a submissão feminina ao homem e coloque as mulheres umas contra as outras. Alias num álbum bem mais recente de Parton ela faz duas canções que contam a mesma situação do ponto de vista da mulher “casada” e da “amante” sobre o mesmo homem e em ambas o verdadeiro culpado é ele.
O contexto de empoderamento (pós Shania Twain) e tendo em atenção o contexto da “mulher negra” explicam que a versão de Beyoncé tenha tomado o contorno que tomou (neste ponto veja-se por exemplo o fenômeno que aconteceu com a serie “Empire” que tinha sido projectada com o personagem masculino como figura central de poder e foi modificado rápidamente para dar esse papel á sua esposa na série).
Em outro assunto, é a primeira vez que ouvi falar de Dolly Parton e o seu marido terem tido uma relação aberta…