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Bolsonaro mentiu ao dizer que pediu desculpas por ter chamado a filha de “fraquejada”

O presidente também faltou com a verdade no debate ao dizer que é dele o Casa da Mulher Brasileira, programa de Dilma que Damares desmontou

Bolsonaro no debate. Foto: reprodução
Da Redação
29 de agosto de 2022, 17h27

No debate do pool de veículos em que voltou a agredir uma mulher jornalista, no último domingo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou ter pedido desculpas por ter se referido à própria filha, Laura, como “fraquejada”, na tristemente famosa fala de 2017 no Clube Hebraica, no Rio, onde ofendeu também indígenas e quilombolas. “Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher”, disse o então pré-candidato à presidência.

“Eu realmente falei da ‘fraquejada’, já me desculpei, peço desculpas novamente”, disse Bolsonaro no debate, em resposta ao adversário Ciro Gomes. Mas quando aconteceu esse pedido de desculpas? Nunca. Podem vasculhar as redes, porque esse pedido não existe. O presidente simplesmente mentiu para poder dar uma invertida em Ciro: “Você falou que a missão mais importante da sua esposa era dormir contigo”. E o pedetista, sim, se desculpou diversas vezes por isso –a primeira ainda em 2002, imediatamente após o deslize.

Bolsonaro nunca pediu desculpas. O que fez foi parar de fazer a “piada” para não se prejudicar. Tanto é que, em 2020, voltou a conectar o nascimento de meninas a “fraquejadas” do homem. “Três meninas? Três fraque… Não vou falar, senão vai dar problema”

Mas onde e quando Bolsonaro pediu desculpas à filha Laura? Na verdade, o que ele fez foi parar de fazer esse tipo de “brincadeira” para não se prejudicar eleitoralmente. “Uma coisa é ter filho homem, outra é ter filha mulher. Aí, eu dei até aquela canelada, falei que dei uma certa relaxada, aquela brincadeira que homem faz, que pergunta se é fornecedor ou consumidor, eu fiz e me dei mal. Eu não faço mais essas brincadeiras, porque vai para a maldade, como se eu fosse um inimigo das mulheres”, disse, já candidato, em 2018. Não pediu desculpa nenhuma.

Pelo contrário, em 2020, ocupando a presidência da República, ele voltou a conectar o nascimento de meninas a “fraquejadas” do homem, quando uma apoiadora no Alvorada comentou que as suas três filhas estavam assistindo ele por chamada de vídeo no celular. “Três meninas? Três fraque… Não vou falar, não, senão vai dar problema”, disse Bolsonaro, rindo.

Bolsonaro também mentiu ao citar como um feito seu a criação da Casa da Mulher Brasileira, parte do Programa Mulher, Viver sem Violência, lançado pelo governo Dilma Rousseff em março de 2013, como ação complementar à Lei Maria da Penha. No mesmo diálogo com Ciro, ao enumerar os “60 programas” para as mulheres supostamente sancionados pela atual administração (na verdade foram 46 sancionados, nenhum deles de iniciativa do governo federal), ele disse, lendo num papel: “A Casa da Mulher Brasileira também é outra ação nossa”.

Na realidade, Dilma inaugurou a primeira Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 2015, e Bolsonaro o que fez foi desmontar o programa. Em 2019, sua ministra da Mulher, Damares Alves, disse, durante audiência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, que era impossível para o ministério manter o programa porque não havia como custear.

Dilma inaugura a primeira Casa da Mulher Brasileira. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Naquele ano, dos 13,6 milhões de reais reservados no orçamento, o ministério de Damares não havia gasto nem um só centavo com a construção de unidades da Casa da Mulher Brasileira, que agora Bolsonaro se gaba de ser projeto seu. A casa reúne serviços especializados e multidisciplinares de atendimento às mulheres em situação de violência, com delegacia, juizado, defensoria, promotoria e equipes psicossocial e de orientação para emprego e renda, além de brinquedoteca e área de convivência.

 

 


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