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8 razões pelas quais a classe média Miami no fundo detestaria morar nos EUA

Os EUA são o país mais apontado por certa classe média como o "paraíso na Terra". Mas será que essas pessoas conseguiriam mesmo morar lá?

Cynara Menezes
13 de junho de 2016, 18h51

Os Estados Unidos são o destino favorito dos brasileiros que viajam para o exterior. E são também o país mais apontado por certa classe média como o “paraíso na Terra”. Mas será que essas pessoas, mal-acostumadas do jeito que são, conseguiriam mesmo morar lá? Duvido. Passar férias é uma coisa, viver num lugar sabendo que não se terá os mesmos privilégios que se tem aqui é outra.

Listei algumas das razões pelas quais não acredito que a classe média que adora Miami conseguiria viver nos EUA.

1. Ir ao trabalho de transporte público. Mais da metade dos moradores de Nova York, por exemplo, nem sequer possui carro; entre os moradores de Manhattan, este número chega a 75%. Já em São Paulo, o percentual dos que usam carro todos os dias é de 45%. Sem contar os que possuem mais de um carro para fugir do rodízio, em vez de pensar coletivamente e ir de ônibus ou de metrô.

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2. Passar roupa. Usar a lavanderia é caríssimo (para roupa lavada e passada; só para lavar é barato) e não tem passadeiras disponíveis como aqui. Quem consegue imaginar esse povo que sempre teve a roupinha impecável todos os dias tendo que, eles mesmos, pegar o ferro de passar para fazer o serviço? Duvidê-ó-dó.

(O ex-candidato republicano à presidência Mitt Romney)

O ex-candidato republicano à presidência Mitt Romney

3. Cuidar do jardim de casa. Já viu como é nos filmes? São os próprios moradores e seus filhos que cuidam dos seus jardins. Jardineiro é coisa para gente muito rica! No Brasil, a maioria das pessoas de classe média alta que possui um jardim não sabe nem ligar o aparador de grama.

grama

4. Lavar a própria privada. Hoje em dia, o número de norte-americanos que possui uma empregada doméstica é mínimo. Então, é preciso limpar o vaso sanitário pessoalmente – a não ser que o coxinha brasileiro queira fazer como o coxinha gringo e contrate uma empregada ilegalmente, realidade da maioria delas: de acordo com uma pesquisa feita pela organização Domestic Workers, 46% das empregadas domésticas nos EUA são imigrantes ilegais. Por isso, recebem salários abaixo do mínimo e não possuem nenhum benefício. Bem, não é difícil imaginar que os patrões brasileiros fariam o mesmo, já que aqui houve uma chiadeira geral quando as empregadas passaram a ter direito ao FGTS. Aliás, segundo matéria da BBC, muitas domésticas brasileiras se recusam a trabalhar para compatriotas nos EUA por causa da exploração.

privada

5. Nada de deixar a pia cheia de louça! Não vai ter ninguém para limpar, viu?

pratos

6. O mesmo funciona para arrumar a casa. Faxineira é artigo de luxo nos Estados Unidos. Será que os coxinhas querem mesmo varrer e esfregar o chão como todo mundo faz por lá? Vai ter gente querendo voltar na hora.

vassoura

7. Gorjeta de 15% a 20% aos garçons. Como aqui, o valor não é obrigatório, mas é o costume. Se no Brasil eles já choram para dar 10%, imaginem mais…

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8. Ser “dono-de-casa”, o pai que fica em casa fazendo os trabalhos domésticos enquanto a mulher trabalha fora, é uma tendência crescente nos EUA, principalmente quando o homem tem facilidade de manter um home office. O casal normalmente faz as contas para decidir quem é que fica em casa, pensando mais nas finanças familiares do que em questões de gênero. Resultado: o número de stay-at-home-dads dobrou no país dos anos 1970 para cá. Se os homens brasileiros da classe média se recusam até a lavar pratos, quantos deles estariam dispostos a fazer o mesmo?

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Fabiano Maciel em 31/10/2017 - 09h52 comentou:

– Ir ao trabalho de transporte público (Eu já faço isso hoje)
– Passar roupa (Eu que passo minhas roupas)
– Cuidar do jardim de casa.(Não sei fazer, por isso, moraria igual aqui, em um apartamento)
– Lavar a própria privada (Não tenho dinheiro para pagar faxineira. As tarefas de casa são dividias entre eu, minha esposa e meu filho)
– Nada de deixar a pia cheia de louça (Sou eu que lavo a louça lá em casa)
– O mesmo funciona para arrumar a casa (já respondi)
– Gorjeta de 15% a 20% aos garçons (Não tenho dinheiro para comer fora)
– Ser “dono-de-casa” (Seria um sonho … )
Ou seja, lá é o paraíso mesmo … obrigado por em confirmar isso.

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    Jean em 31/10/2017 - 10h59 comentou:

    No Brasil pobre acha que é classe média, classe média acha que é rico é rico acha que não é brasileiro.

    Marcio Rocha em 09/03/2018 - 12h57 comentou:

    Vc é pobre cara.

edison em 31/10/2017 - 18h35 comentou:

Fabiano Maciel, me desculpe, mas voce é pobre.

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Patricia em 31/10/2017 - 23h01 comentou:

Fabiano, acorda. Vc é pobre, rs.

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Paulo Martins em 06/11/2017 - 18h58 comentou:

Quanta ofensa,chamar uma pessoa de “pobre”! Aqui neste paiseco,quando se quer ofender alguém é só acusá-lo de ser “pobre”.Antigamente chamavam de “negro”,mas agora tem medo da legislação anti-racista(por enquanto!).Este Edson deve ser um frustrado ou com o pinto ou com pessoas que tem um grau de intelectualidade maior que o seu(ou com as duas coisas ao mesmo tempo).Pobre,meu caro,é tua postagem,tua opinião e teu cérebro! Faça como o Bolsonazi,contrata um professor para te dar aula de qualquer coisa.Para cérebro vazio,qualquer espaço preenchido já é vantagem! E…vai catar coquinho em Miami!

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JavaNunes em 02/06/2019 - 18h07 comentou:

Na Europa , Alemanha, também é assim, e quer saber? Eu gosto!
Não suporto estar almoçando e uma serviçal ficar me olhando pronta para me agradar como se fosse um bichinho de estimação.
Não gosto de mulher ou outras pessoas na minha casa me mandando arrumar isso e fazer aquilo, faço quando tenho vontade e pronto! Se é algo muito complexo que eu não sei fazer e que seja perigoso, eu pago alguém para fazer sem ficar chorando pelo preço a pagar, desde que seja justo. Se é algo simples, eu compro uma ferramenta e faço do meu jeito.
Também não tenho essa mania de passar roupa, eu sou meio largado mesmo.
Agora cá entre nós, depois dessa segunda conspiração Americana contra o Brasil, eu tomei nojo dos Estados Unidos e seus adoradores passionais. Nem o hino mais daquela nação eu suporto.

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Luís Henrique em 09/07/2019 - 20h47 comentou:

O problema não é o cara ser pobre. O problema é o cara ser pobre e convocar entrevista coletiva para explicar “minha vida de classe média”.

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