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Como Steve Bannon usa o homeschooling como estratégia da extrema direita

No Brasil, projeto sobre ensino domiciliar foi o único sobre educação na lista dos 35 projetos prioritários do governo entregue ao Congresso

Bolsonaro observado por Bannon em março de 2019 nos EUA. Foto: Alan Santos/PR
Do Alternet
14 de setembro de 2021, 21h58

Por Alex Henderson, no Alternet
Tradução Cynara Menezes

Steve Bannon, o guru de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, tem um longo histórico de promoção do movimento de homeschooling ou educação domiciliar. Já em 2010 –sete anos antes de ele se tornar o estrategista chefe da Casa Branca no governo Trump– Bannon e seu parceiro David N. Bossie promoveram o homeschooling no documentário Fire from the Heartland. E o jornalista Heath Brown, em um artigo publicado pelo Daily Beast em 13 de setembro revelou como Bannon está usando as mães do homeschooling para promover sua agenda de extrema direita durante a era Biden.

O guru de Trump e Bolsonaro tem um longo histórico de promoção do homeschooling. 7 anos antes de se tornar estrategista da Casa Branca ele já defendia o ensino domiciliar. Agora o homeschooling é o ponto chave da estratégia eleitoral de Bannon para 2022

Há pouco tempo, em seu podcast War Room, Bannon exortou pais a assinarem uma convocação por homeschooling para suas crianças como uma forma de protestar contra a obrigatoriedade de máscaras em escolas públicas. A pandemia de Covid-19, de acordo com a Johns Hopkins University em Baltimore, matou mais de 4,6 milhões de pessoas ao redor do mundo –incluindo mais de 662 mil nos Estados Unidos. Mas o extremista de direita Bannon, como muitos outros aliados do ex-presidente Trump, vêm promovendo a ideia de que os norte-americanos precisam se preocupar mais com as máscaras, as vacinas e com o especialista em imunologia Dr. Anthony Fauci do que com a Covid-19.

Bannon recentemente declarou em seu podcast: “A tempestade que está para vir são as mães norte-americanas. Quando houver a volta às aulas e Fauci estiver falando sobre vacinar as crianças e usar a escola, a volta às aulas para forçar a relação entre a máscara e a CRT (Teoria Crítica da Raça, na sigla em inglês)”.

A Teoria Crítica da Raça é um tipo de estudo acadêmico que pode ser encontrado em algumas universidades. A CRT, que argumenta que o racismo do passado continua a afetar as instituições no presente, não é nem ensinada na pré-escola, no ensino fundamental ou no ensino médio. Mas isso não impediu os republicanos de extrema direita de espalharem o medo irracional sobre a teoria, já que eles estão sempre em busca de novas formas de aterrorizar os eleitores brancos.

Não é a primeira vez que Bannon mistura mulheres, raça e educação. Este era o pano de fundo de seu filme de 2010, Fire from the Heartland, estrelado por lideranças conservadoras que vêm advogando pelo homeschooling como uma saída conservadora para tudo que está supostamente errado na educação pública

Brown, autor do livro Homeschooling the Right: How Conservative Education Activism Erodes the State (Homeschooling a direita: como o ativismo educacional conservador erode o Estado, em tradução livre), lançado este ano, explica: “Não é a primeira vez que o ex-estrategista chefe de Donald Trump mistura mulheres, raça e educação. Este era o pano de fundo de seu filme de 2010,  Fire from the Heartland, estrelado por lideranças conservadoras como Phyllis Schlafly, Michele Bachmann e Dana Loesch, que vêm advogando pelo homeschooling como uma saída conservadora para tudo que está supostamente errado na educação pública. E agora é o ponto chave da estratégia eleitoral de Bannon para 2022.”

Em seu artigo, Brown mergulha na história do movimento homeschooling, apontando que, nos anos 1970, os republicanos de extrema direita eram contra a educação domiciliar por acharem que se tratava de uma pauta liberal para as escolas públicas. Um destes republicanos era Bob Dornan, que passou muitos anos na Câmara dos EUA quando Orange County, Califórnia, era o ninho do conservadorismo. O artigo de Heath inclui um vídeo de Dornan falando em um protesto em Sacramento contra “textos não-cristãos nas escolas” nos anos 1970, antes de se tornar deputado.

Dornan tem 88 anos agora, e Heath o cita como exemplo de alguém que viu as escolas como um campo de batalha da guerra cultural. Agora, de acordo com Brown, Bannon está disseminando este tipo de mensagem.

“Para Bannon, ao que tudo indica, as escolas são campos de batalha sobre pertencimento e propriedade”, Brown observa. “Proibir as escolas de ensinar sobre racismo é uma forma de defender a vizinhança, seja em Charleston ou Richmond.”

***

NOTA DO SITE: No Brasil de Bolsonaro, o projeto sobre homeschooling foi o único sobre educação na lista dos 35 projetos prioritários para o governo em 2021 entregue ao Congresso, em fevereiro. O governo já criou inclusive uma Frente Parlamentar em Defesa do Homeschooling. “Nós entendemos que é direito dos pais decidir sobre a educação dos seus filhos, é uma questão de direitos humanos. Então, a iniciativa sai deste ministério sob esta vertente. Faço um apelo a todos os parlamentares, não vamos esperar tanto tempo para aprovar esta medida, as famílias no Brasil precisam disso”, disse Damares Alves, ministra da Mulher e dos Direitos Humanos, no lançamento da frente.

Recentemente, Damares usou o homeschooling para justificar a exclusão de deficientes das salas de aula convencionais, se alinhando ao discurso do colega da Educação, Milton Ribeiro, que defendeu “classes especiais” para os portadores de deficiência porque, segundo ele, “atrapalham” o aprendizado dos demais.

Nesta quinta, 1 de setembro, Ribeiro irá à Comissão de Educação do Senado explicar sua declaração e também outra fala sua em que afirma que “universidade deveria, na verdade, ser para poucos”. Sobre a educação domiciliar, o ministro falou que “é uma escolha que a família faz, dar oportunidade aos pais de escolher se vão fazer ou não homeschooling”.


(1) comentário Escrever comentário

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Thessa Cristina em 15/09/2021 - 14h46 comentou:

O movimento homeschooling no Brasil é grande, viu!? Tenho acompanhado muitas páginas no Instagram, pois, com a pandemia, tive que assumir a pre- alfabetização de meu filho devido à suspensão das aulas da rede pública. A questão toda é que o perfil das famílias que desenvolvem essa metodologia com seus filhos é conservador e muitas vezes religioso. Dependendo da base ideológica que seguirem, talvez se forme um exército de intolerantes no futuro. Preocupante.

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