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Glenn Greenwald deixa o The Intercept acusando site que fundou de censurá-lo

Editores baseados em Nova York teriam impedido o jornalista de publicar um artigo onde apresenta denúncias contra Joe Biden

Glenn Greenwald em audiência pública na Câmara em 2019. Foto: Gustavo Bezerra
Da Redação
29 de outubro de 2020, 16h23

O jornalista norte-americano radicado no Brasil Glenn Greenwald anunciou nesta quinta-feira no twitter que renunciou ao cargo que ocupa no site The Intercept, fundado por ele em 2013 junto com Jeremy Scahill, Laura Poitras e a First Look Media. Segundo Glenn, os editores do site em Nova York, todos “veemente apoiadores” de Joe Biden, se recusaram a publicar um artigo seu com denúncias contra o candidato democrata.

“O artigo censurado, baseado em e-mails recentemente revelados e em depoimentos de testemunhas, levanta questões críticas sobre a conduta de Biden”, disse o jornalista em comunicado publicado na plataforma Substack. “Não contentes em simplesmente impedir a publicação deste artigo no meio de comunicação que co-fundei, esses editores do Intercept também exigiram que eu me abstivesse de exercer um direito contratual de publicar este artigo em outra publicação.”

“Não contentes em impedir a publicação deste artigo no meio de comunicação que co-fundei, esses editores do Intercept também exigiram que eu me abstivesse de exercer um direito contratual de publicar este artigo em outra publicação”, disse Greenwald

Greenwald publicou o artigo sobre Biden que teria sido censurado no Substack na tarde desta quinta-feira. No texto, intitulado O Verdadeiro Escândalo: Mídia dos EUA usa falsidades para defender Joe Biden dos e-mails de Hunter, o jornalista acusa os principais veículos de comunicação do país de esconder a denúncia feita contra o filho de Joe Biden pelo New York Post.

Segundo Glenn, a mídia liberal alega que as acusações contra Hunter Biden não são verdadeiras, como fez a rádio pública NPR, ou que são de difícil comprovação, como disse a repórter da CBS News, Leslie Stahl, a Donald Trump quando confrontada sobre o porquê de não repercutirem o caso. “Isso não pode ser verificado”, afirmou. O jornalista assegura que os fatos podem, sim, ser verificados, e exibiu no artigo uma série de perguntas que enviou a Biden e que não foram respondidas.

Em sua carta de renúncia, o jornalista diz que fundou o The Intercept com o mesmo compromisso de total liberdade editorial que sempre desejou para si próprio na carreira.

“Isso seria alcançado garantindo que os jornalistas, uma vez que cumprissem o primeiro dever de exatidão factual e ética jornalística, seriam não apenas liberados, mas encorajados a expressar opiniões políticas e ideológicas que se desviassem da ortodoxia dominante e de seus próprios editores; a se expressarem em sua própria voz de paixão e convicção; e a serem completamente livres das crenças dogmáticas ou da agenda ideológica de qualquer outra pessoa –incluindo as dos três co-fundadores”, escreveu. “É espantoso para mim, mas também um reflexo do nosso atual discurso e do ambiente iliberal na mídia, que eu tenha sido silenciado em meu próprio veículo de comunicação.”

Nos últimos meses, Greenwald, destoando de quase toda a mídia liberal de seu país de origem, tem feito seguidas críticas e reparos ao candidato democrata, Joe Biden. No começo da campanha, Glenn, entusiasta da candidatura de Bernie Sanders, chegou a ecoar as insinuações de que Biden estava “senil”, embora sempre lembrando que foram nomes do próprio partido Democrata que questionaram primeiro seu suposto “declínio cognitivo”.

Mais recentemente, apoiadores de Biden criticaram a presença de Greenwald no canal conservador Fox News para criticar a mídia liberal do país por seu silêncio em relação às denúncias envolvendo Hunter, o filho do candidato democrata. O jornalista condenou a “censura” feita pelo facebook e pelo twitter, que colocaram restrições aos posts relacionados ao assunto.

“O poder de censura, como o que exercem agora os gigantes da tecnologia, é um instrumento de preservação do status quo. A promessa da internet desde o início era que seria uma ferramenta de libertação, de igualitarismo, ao permitir que quem não tem dinheiro e poder pudesse competir em termos justos na guerra de informação com os governos e corporações mais poderosos”, criticou.

O site entrou em contato com Glenn Greenwald sobre o que acontecerá com o The Intercept Brasil, mas ainda não recebeu resposta. Este post será atualizado mais tarde.

Na mesma tarde em que Greenwald divulgou o comunicado, a escritora feminista Naomi Klein rebateu o jornalista dizendo que ele não foi censurado, mas “editado”, e que está usando o episódio para promover seu blog no Substack. “Ele não foi ‘censurado’, foi editado e bem editado. Chorar censura é uma jogada de marketing para ganhar assinantes para seu novo Substack. As pessoas irão mesmo cair nesta?”, tuitou.

Ela também acusou Greenwald de estar “alimentando o lixo”, porque Trump Jr. está se aproveitando do episódio para atacar a mídia.

Após as críticas de Klein, Glenn Greenwald também publicou no seu novo site a troca de e-mails com os editores novaiorquinos do The Intercept a quem acusa de censura.

 


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PAULO ROBERTO MARTINS em 31/10/2020 - 12h36 comentou:

Mas este é o momento deste jornalista ajudar a campanha do Trump? Não entende a importância de tirar aquele palhaço da presidência de seu país? Quer dizer que podemos esperar aqui ,em 2022,às vesperas da eleição,esquerda contra direita ,que o sr. Glenn resolva publicar um artigo bombástico contra o condidato de esquerda,ajudando Bolsonaro,a uma semana da eleição? Porque não,se depender da vaidade dele? Eu não entendo as pessoas,realmente. Giram sua metralhadora para todos os lados e esperam ser consagrados sempre os grandes heróis do mundo.Pisou na bosta,sr. Gleen,infelizmente.Esperava mais de sua inteligência( ou de seu bom senso)!

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Bernardo Santos Melo em 01/11/2020 - 19h19 comentou:

E a camisa ROSA do GOLEIRO do SÃO PAULO na goleada de 4 x 1 , será que a DAMARES assistiu ?
O goleiro de ROSA revelou o que FLÁVIO DINO já dizia sobre o guaraná ROSA do MARANHÃO, nós Brasileiros revoltados contra a Familícia ,
Iremos cada vez mais protestar contra a inescrupulosa trinca Tchuca -Damares- BOZO !
A CRISE é a VERGONHA deste DESGOVERNO RACHADEIRO , nem que todos tenhamos que VESTIR ROSA iremos assistir VIRADA da ESPERANÇA , unidos em SAMPA com o 50 de
BOULOS & ERUNDINA JÁ !

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