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No Ceará, PDT rifa primeira mulher governadora por candidato favorito nas pesquisas

Izolda Cela perdeu disputa interna para o candidato de Ciro, o ex-prefeito Roberto Cláudio, considerado por Lupi "mais forte" para vencer a disputa

A governadora do Ceará, Izolda Cela, do PDT. Foto: divulgação
Da Redação
19 de julho de 2022, 16h40

Enquanto em nível nacional insiste com Ciro Gomes, empacado num longínquo terceiro lugar nas pesquisas, no Ceará, terra de Ciro, o PDT foi bem mais pragmático: rifou a atual governadora, Izolda Cela, e irá lançar o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, como candidato à sucessão. O principal critério para a escolha foi uma pesquisa encomendada pelo partido à Quaest, no início do mês, onde Cláudio aparecia tecnicamente empatado com o deputado federal bolsonarista Capitão Wagner, do União Brasil, e Izolda estava 22 pontos atrás.

Ficam as perguntas: por que os pedetistas só são pragmáticos no Ceará, terra de Ciro? Por que o favoritismo nas pesquisas não é considerado importante em nível nacional? Ou optar pelo “mais forte em todas as pesquisas” só vale na disputa local?

Nesta segunda-feira, 18 de julho, em votação interna do diretório regional, o PDT cearense escolheu Roberto Cláudio para ser o candidato do partido ao governo por 55 votos, contra 29 da governadora. Izolda foi eleita vice-governadora do Estado em 2014, na chapa com Camilo Santana, do PT, dobradinha que vinha se repetindo desde 2006, quando Cid Gomes teve como vice o professor petista Francisco Pinheiro.

O próprio Camilo é bem próximo a Cid e seu irmão Ciro. Em abril, os três apareceram cantando juntos em homenagem a Izolda, quando o petista renunciou ao cargo para se lançar ao Senado e consequentemente Izolda tomou posse.

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“Estamos juntos nessa celebração, emocionados, porque em 130 anos o nosso estado tem a primeira mulher governadora. Temos muito orgulho de fazer parte desse projeto que tornou a educação do Ceará a melhor do Brasil!”, escreveu Ciro em seu perfil no instagram sobre Izolda, rifada agora.

A escolha de Roberto Cláudio foi considerada uma vitória dos Ferreira Gomes, que vêm atuando para pôr fim à dobradinha com os petistas. “Lamento muito que a primeira mulher governadora do Ceará não poderá concorrer à reeleição, após decisão do PDT. Siga firme, Izolda! O Ceará tem muito orgulho de sua força e determinação”, protestou Camilo no twitter. Diante da decisão, a aliança entre PDT e PT deve ser rompida.

“Meu partido PDT decidiu hoje, em reunião de diretório, que não terei o direito a concorrer à reeleição. Respeito a decisão. Seguirei firme, com força e coragem, honrando meu mandato e trabalhando muito pelo nosso Ceará. Sempre com respeito e verdade. A luta continua!”, publicou a governadora, também na rede social.

O presidente nacioal do PDT, Carlos Lupi, defendeu a escolha. “Não se trata de ser justa ou não ser justa. O partido avalia com a sua autonomia e independência. A decisão é de um partido político autônomo. Ninguém pode escolher ou vetar candidato do PDT. O PDT que escolhe seus candidatos”, disse Lupi, segundo o Diário do Nordeste.

Em entrevista ao jornal O Globo em maio, o presidente do PDT já havia deixado claro que achava Izolda pouco competitiva e criticado o fato de a governadora não ser muito conhecida. Lupi disse achar “pouco provável” que em três meses Izolda se tornasse favorita e que Roberto Cláudio é “o mais forte em todas as pesquisas”.

Para optar pelo candidato de Ciro, o PDT cearense ignorou outra pesquisa, encomendada pelo PT ao Vox Populi, onde Izolda Cela aparecia como franca favorita, ganhando em primeiro turno, quando era associada a Lula, Ciro e Camilo. Sem estes apoios, ela pontuava com uma diferença similar ao levantamento da Quaest, 20 pontos atrás do candidato bolsonarista. Roberto Claudio, por sua vez, tinha empate técnico com o Capitão Wagner também no Vox Populi, reforçando a opção pragmática do PDT por ele.

Ficam as perguntas: por que os pedetistas só são pragmáticos no Ceará, terra de Ciro? Por que o favoritismo nas pesquisas não é considerado importante em nível nacional? Ou optar pelo “mais forte em todas as pesquisas” só vale na disputa local?

 


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Bernardo Santos Melo em 20/07/2022 - 04h07 comentou:

Continuo admitindo que os Gomes serão teimosos no 1º turno mas fecharão com Lula caso ocorra 2º turno . Não irá para Paris .
Por outro lado a derrota de Ciro Gomes já está consumada , ficando apenas uma questão : haverá fôlego no PDT para não participar do governo Lula e optar por ser oposição por mais quatro anos ?
Neste cenário adverso sinto saudade de Leonel Brizola e lamento o bem intensionado Sr Lupi ser um sujeito tão pequeno e inexpressivo para presidir seu partido e lutar pela classe trabalhadora de nosso país .
Ciro Gomes com toda sua inegável competência técnica para gerir grandes projetos governamentais esqueceu-se de estudar a arte de agregar e influenciar pessoas , talvez não tenha lido Dale Carnegie .
Humildade , Empatia e não arrogância certamente farão parte de um próximo CIRÃO em 2026 .

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