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Trabalho

Nunca mais vote nelas: são contra a igualdade salarial entre homens e mulheres

Voto contrário de deputadas de direita espanta, mas não surpreende, já que Bolsonaro defendeu que mulheres ganhem menos "porque engravidam"

Montagem com fotos da Agência Câmara
Cynara Menezes
05 de maio de 2023, 14h44

Dez deputadas de direita, alinhadas com o bolsonarismo, votaram contra o Projeto de Lei do governo Lula que prevê que as empresas sejam obrigadas a pagar salário idêntico a homens e mulheres desempenhando a mesma função, sob pena de multa. O projeto foi aprovado nesta quinta-feira na Câmara e vai ao Senado, com o voto contrário de 36 deputados da direita ou extrema direita. Votaram a favor 325 parlamentares.

As deputadas mulheres que votaram contra foram: Adriana Ventura (Novo-SP), Any Ortiz (Cidadania-RS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli (PL-SP), Caroline de Toni (PL-SC), Chris Tonietto (PL-RJ), Dani Cunha (União-RJ), Julia Zanatta (PL-SC), Rosângela Moro (União-SP) e Silvia Waiãpi (PL-AP). Guardem estes nomes para rechaçar na próxima eleição.

Ainda se entende que um homem seja a favor das mulheres ganharem menos. Mas uma mulher? Como é que pode? Fica a sugestão para as deputadas que votaram contra a igualdade salarial: ganhem menos que seus colegas homens! Ou isso só vale para suas eleitoras?

A desculpa esfarrapada que estas parlamentares mulheres estão dando para votar contra um projeto de interesse do seu próprio gênero é que “a lei já existe”, se referindo a um artigo da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), destroçada desde o golpe contra Dilma Rousseff pela própria direita. Mas o projeto que Lula enviou ao Congresso tem uma inovação fundamental: altera a CLT para tornar obrigatória a equiparação salarial entre homens e mulheres. A empresa que não cumprir será multada.

O texto aprovado também determina que empresas com mais de 100 empregados publiquem, a cada 6 meses, relatórios de transparência salarial. “Falar de igualdade salarial é falar sobre a emancipação das mulheres”, disse a relatora Jack Rocha (PT-ES). “Este será mais um passo para avançarmos no enfrentamento à desigualdade no ambiente de trabalho, que se aprofundou durante a pandemia de Covid-19.”

Além disso, ao apresentar o projeto, o governo federal concluiu o processo de adesão à EPIC (Coalizão Internacional de Igualdade Salarial), que envolve entidades como a OIT, a ONU Mulheres e a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Outra mentira que vem sendo repetida pela direita e extrema direita para justificar a oposição à equidade salarial é que “não existe mais” desigualdade salarial entre homens e mulheres, o que é desmentido pelos números oficiais sobre o tema no Brasil e no mundo.

De acordo com a ONU, se os governos dos países não contribuírem para acelerar o processo, como Lula fez agora, a desigualdade salarial entre homens e mulheres levará 257 anos para acabar. Atualmente, segundo o IBGE, as mulheres brasileiras ganham em média 20,5% a menos que os homens exercendo o mesmo cargo. Em algumas áreas, como a agricultura e o comércio, a diferença ultrapassa os 35%.

A situação é ainda mais desigual para as negras: mulheres negras com ensino superior recebem 55% menos que homens brancos com o mesmo grau de escolaridade. Por isso o projeto prevê que, se for comprovada a discriminação em função de raça, etnia ou gênero, “além do pagamento das diferenças salariais devidas, o juízo determinará o pagamento de multa cujo valor equivalerá ao décuplo do maior salário pago pelo empregador, elevado em 100% em caso de reincidência”.

O voto destas mulheres de direita e extrema direita contra um projeto que beneficia as próprias mulheres espanta, mas não surpreende: o presidente em quem todas elas votaram e felizmente não foi reeleito já defendeu que mulher tem que ganhar menos porque engravida. Mas ainda se entende que um homem seja a favor das mulheres ganharem menos, afinal ele vai continuar a ganhar um salário acima do delas. Mas uma mulher que defende isso? Como é que pode?

Fica a sugestão para as deputadas que votaram contra a igualdade salarial: ganhem menos que seus colegas homens! Ou isso só vale para suas eleitoras?

Com informações da Agência Câmara


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(13) comentários Escrever comentário

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Sanderval em 06/05/2023 - 18h49 comentou:

Que tipo de blogueira é você, que nao sabe que salarios iguais ja estao na lei há anos?
Precisa estudar um pouco.
Porque vc nao faz o curso de jornalismo?

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    Cynara Menezes em 07/05/2023 - 19h20 comentou:

    você não leu nem o texto e quer dar lição de moral?

Loira Capitalista em 07/05/2023 - 08h59 comentou:

se as mulheres de fato ganhassem menos que os homens para realizar as MESMAS tarefas, empresas que buscam o lucro só contratariam mulheres…
Eu trabalhei em quatro grandes empresas do setor agrícola e nunca vi uma mulher ter um salário inferior ao de um homem para as mesmas tarefas, e isso no setor agrícola que era até então dominado pelos homens. Hoje existem mais mulheres nas Universidades de Agronomia que homens.

Responder

Patriota Triste em 08/05/2023 - 09h36 comentou:

Não adianta argumentar com que canta hino nacional para pneus, faz vigília para ETs pedindo intervenção militar, considera que é certo cultural a memória de torturadores,
quem faz maldades e as distorce imputando-as às pessoas nas quais ainda existe decência, humanidade e empatia . O que eles gostam é da barbárie. São espíritos maus que tentam com suas estatísticas sem embasamento cientifico, mentiras, calunias, barulho, insensatez, ódio, maldade, defender o indefensável, justificar o inexplicável.
Sabe aquele tipinho asqueroso que quando não tem mais argumentos começa a mentir e a gritar. Felizmente, depois de eleições amplamente questionadas, a vitória foi comprovadamente das pessoas de bem, que sabem que a democracia, mesmo não sendo perfeita ainda é o melhor dos regimes, que não confundem liberdade de expressão com a liberdade de cometer crimes de calúnia e difamação. Já os derrotados, não tem e nunca terão escrúpulos, para eles os fins tortos que almejam sempre justificam os meios baixos que usam. Eu já tive orgulho do meu País, chorava de emoção ao ouvir o hino Nacional e me orgulhava das cores da nossa bandeira. Hoje, estes símbolos me causam arrepios. Porque foram maculados, por gente que faz exatamente o contrário do que eles representam. Outra expressão que me dá medo é ” Em nome de Jesus”, porque vem sempre precedida de uma mentira, ou atrocidade com “bafo de Capeta”. Esses fanáticos deveriam repensar, porque serão vítimas dos maus exemplos que estão dando aos seus filhos.
Em tempo. Sou casada há 45 anos com o mesmo marido. Cristã, idosa, tenho dois filhos bem sucedidos, bons, honestos, trabalhadores e bem ajustados. Nem por isso, acho que todos devam ser como eu, mas, existem valores que devemos perpetuar: dentre eles, humanidade, honestidade, bondade, não violência e sinceridade. Qualquer que sejam nossas crenças religiosas, nossa etnia, nossa orientação sexual ou nossa idade. Porque ninguém é bom ou ruim em função de onde nasceu, da cor da sua pele, da sua orientação sexual, idade ou situação econômica. O que define um ser humano são suas ações, seu amor ao próximo e a si mesmo. A maioria das leis seriam desnecessárias se as pessoas praticassem o respeito ao próximo a empatia e o bom senso.
Aliás, para mim, esta é a verdadeira definição de uma pessoa conservadora. A que conserva valores humanos e tem inteligência e bom senso para não usar ardis a fim de exterminar os que pensam diferente.

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Fábio P. R. em 08/05/2023 - 16h40 comentou:

É sempre tão bizarro quando uma pessoa tenta explicar todo um contexto utilizando-se de um exemplo pessoal…

Responder

Afonso Queiroz em 08/05/2023 - 18h34 comentou:

Que coisa estúpida da direitalha bozonarista; dela, realmente, pode-se esperar qualquer coisa, parece que a única intenção é bagunçar, senão, que se explique: como uma mulher, justamente por ser mulher, saber o que é engravidar e, que, em inúmeros casos, é responsável sozinha pela educação de seus filhos, concordar com o fato de que ela deve ganhar menos, fazendo as mesmas coisas e tendo a mesma responsabilidade que os homens? Só podemos explicar o bozonarismo como uma doença uma praga tal qual a covid que acompanhou o governo nefasto que tivemos nestes últimos anos!

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Norma Maria em 13/05/2023 - 09h58 comentou:

E sempre tao bizarro quando a pessoa senta no rabo para falar do rabo do outro…

Responder

Norma Maria em 13/05/2023 - 10h00 comentou:

Nossa, Afonso. Que texto mais sem conexão!
Parabéns, nota 2!

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Caronte em 19/05/2023 - 09h10 comentou:

Ah, assistindo a TV agora pela manhã vi a solução:

O Santander vai dar 21% de desconto nas dívidas da mulheres, afinal, quem ganha 21% a menos, tem que pagar 21% a menos de juros…

Viram, tudo resolvido…rsrs…

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    Cynara Menezes em 22/05/2023 - 15h18 comentou:

    se você continuar usando termos ofensivos, seus comentários serão excluídos

Caronte em 24/05/2023 - 08h32 comentou:

Façamos assim, me indique seu e-mail ou outro canal, e eu comento seus textos e publicações apenas para você…ok?

E quem sabe você se atreva a responder com algum argumento, embora eu duvide…

Responder

    Cynara Menezes em 25/05/2023 - 10h54 comentou:

    seus comentários, desde que não agressivos, serão publicados. termos como “feminazis”, por exemplo, não serão permitidos

Morgana em 06/07/2023 - 09h32 comentou:

Ah, nos salve Monsieur Pierre Bordieu…

Se ao menos, como defende o francês em seu livro “A Dominação Masculina”, as mulheres estivessem a vender seus corpos (para o sociólogo, a única forma verdadeira de uso livre do corpo e da sexualidade feminina, embora toda noss cultura nos tenha ensinado o contrário), eu entenderia, Cy…

Mas olhe, chuchu…as moças reivindicam que “fazem o que querem com seus derrières”, mas no fim o padrão de uso “livre” (e gratuito) é apenas dentro dos limites lascivos dos machos, os quais elas dizem que querem se livrar…

Cy, minha quase-social-democrata-morena, amor, fassunão, nêga…

Não dá gás nessas coisas horrorosas não…

Libertação nossa é grana, tutu, poder, cargo, influência, doutorado, mestrado, ou como dizem os antigos: “pau grande para bater na mesa”…

Fora disso, neném, é só deitar de bruços…

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