Socialista Morena
Cultura

Salvador Dalí contra o comunismo

Paixões intelectuais e artísticas não deveriam ser contaminadas pelas opiniões políticas

FOTO: PHILIPPE HALSMAN, 1954
Cynara Menezes
23 de janeiro de 2014, 15h51

–Picasso es comunista, yo tampoco, disse Salvador Dalí em 1951, em um célebre jogo de palavras que significa: “Picasso é comunista, eu também não”.

Em minha opinião, as paixões intelectuais e artísticas não deveriam ser contaminadas pelas opiniões políticas. Como deixar de admirar um Jorge Luis Borges porque apoiou a ditadura militar argentina? Um Mario Vargas Llosa, por suas posições neoliberais? Ou um Nelson Rodrigues, por provocar dizendo-se reacionário e flertando com milicos até que a tortura bateu à sua porta? Para mim são todos dignos de reverência, sim, e a política, neste momento, não interfere em nada. Se até com os roqueiros reaças é possível separar a obra da persona, como não fazer o mesmo com gênios como estes?

O pintor catalão Salvador Dalí Domenech, morto há exatos 25 anos em 23 de janeiro de 1989, foi mais do que controverso politicamente. Anarquista e comunista na juventude, tornou-se um anticomunista ferrenho e apoiou o governo do ditador Francisco Franco na Espanha. O que não me impede de considerá-lo um dos maiores artistas de todos os tempos. Dalí é também um dos meus maiores ídolos literários. Sua obra como escritor é pouco conhecida, mas ele escrevia muito! Publicou um romance, Rostos Ocultos, textos sobre arte e várias autobiografias divertidíssimas. É justamente este senso de humor que me fascina e é algo inexistente na direita brasileira atual, carola, enfadonha, moralista. E sem cultura. Aliás, todas as críticas que Dalí faz aos preconceitos pequeno-burgueses dos comunistas caberiam em nossos “libertários” (sic) como uma luva.

Salvador Dalí era todo o contrário: erudito, freudiano, despudorado, livre. Quando foi expulso do grupo surrealista, André Breton cunhou para ele um anagrama maldoso, Avida Dollars. Como se seu único interesse fosse o dinheiro, o que é uma mentira. A ruptura se deu porque Dalí desejava liberdade de criação e não admitia interferência ou censura ideológica, coisa que os comunistas de então não aceitavam de jeito nenhum. Lamentavelmente, ao longo dos anos, a patrulha se impôs à apreciação artística e a obra daliniana foi sempre subestimada e nunca revista em sua total genialidade.

Neste aniversário de morte de Salvador Dalí, o homenageio com trechos do relato de sua expulsão do grupo surrealista, que também fará 80 anos no próximo mês. É absolutamente hilário. Divirtam-se com o inesquecível, grandioso Dalí. E basta de caça às bruxas, à esquerda ou à direita.

***

Seis Aparições de Lenin sobre um Piano, 1931

Por Salvador Dalí*

No dia 5 de fevereiro de 1934, André Breton reuniu o Areópago surrealista em seu estúdio, na Rua Fontaine, 42, para julgar minha conduta. Eu estava com febre e sofria de um começo de angina. Com minha covardia habitual, a própria ideia da doença acentuava ainda mais meu mal-estar e o desafio desta manifestação me afetava enormemente. Mas eu hauria em minha fraqueza a lógica paranóica que deveria virar completamente a situação a meu favor. Cobri-me para me aquecer, enfiei meu sobretudo de pelo de camelo, me armei de um termômetro colocado sob a língua para conservar minha vigilância desperta em relação ao meu caso, e no momento de sair percebi que eu ia esquecendo os sapatos. Enfiei-o sem amarrar os cordões. Quando cheguei, com Gala, todos estavam me esperando, sentados em divãs, cadeiras e mesmo no chão. Um nevoeiro de fumaça irritava os olhos. Breton, todo vestido num tom verde-garrafa, tinha o aspecto do grande inquisidor e se pôs sem perda de tempo a desfiar o rosário dos meus desvios e dos meus erros. Ele ia e vinha, passando a todo momento em frente da minha tela La Gradiva, pendurada perto da vidraça do seu estúdio. Eu o escutei por alguns momentos, com atenção, mas minha febre subiu, o que exigiu meus cuidados e, ao mesmo tempo que mantinha um ouvido para a exposição do procurador-geral, tirei o termômetro da minha boca e olhei-o. Estava com 38,5º; era demais. Recomenda-se nesses casos tudo fazer para diminuir a temperatura. Tirei meus sapatos, meu sobretudo, meu casaco e minha camiseta de malha. Depois, tornei a colocar meu casaco e meu sobretudo, porque nesse caso é preciso também cuidar para não se refrescar muito rapidamente. Depois, recoloquei de novo meus sapatos. Breton me fulminou com o olhar durante este exercício. Fumava nervosamente o seu cachimbo.

–Dalí, o que é que você tem a dizer?

Eu respondi com veemência que as acusações contra mim baseavam-se em critérios políticos e morais que não tinham valor em relação às minhas convicções paranoico-críticas.

Breton me dardejava com um olhar furioso. É que eu me esquecera de retirar o termômetro da boca, as minhas palavras se tornavam incompreensíveis e eu o cobria de perdigotos. Caí de joelhos, para implorar que me compreendesse.

Ele gritou mais forte do que eu.

Então me levantei, tirei meu sobretudo, meu casaco e retirei uma segunda camiseta de malha, que joguei a seus pés, depois recoloquei meu casaco e meu sobretudo para não me refrescar rápido demais. Os presentes explodiram em gargalhadas.

Eu me virei para eles, para rogar que me compreendessem, mas minha declaração cheia de cuspe redobrou a gargalhada geral.

Breton quase perde seu sangue-frio. Deveria ter tirado o termômetro da boca, mas eu estava com uma tal obsessão pelo meu estado de saúde, que ficaria paralisado. Era preciso escolher entre o mutismo e a gagueira. Breton prosseguia com seu monólogo acusador, colocando em questão toda a minha participação no grupo surrealista. O que eu compreendia sobretudo era a imensa distância que existia, desde o início, entre ele e eu.

Havíamos nos encontrado em 1928, apresentados por Miró, por ocasião da minha segunda estada em Paris. Imediatamente ele se apresentou a meus olhos como um novo pai. Pensava então que ele me proporcionaria um segundo nascimento. O grupo surrealista era para mim uma espécie de placenta que me nutria e acreditava no surrealismo como nas tábuas da Lei. Assimilava com um apetite incrível e insaciável toda a letra e o espírito do movimento, que aliás correspondia tão exatamente à minha natureza profunda, que cheguei a encarná-lo com a maior naturalidade. Na verdade, a dissimulação desse processo era tanto mais paradoxal, quando eu era sem dúvida o mais surrealista do grupo –o único talvez– e que me acusavam de fato de ser surrealista demais. Padres prisioneiros da escolástica tentavam refutar um santo… História tão velha quanto as religiões!

(…)

Le Jeu Lugubre, 1929

Nosso primeiro choque ocorreu por causa do meu quadro Le jeu lugubre. Via-se ali um homem de costas cujas ceroulas filtravam excrementos perfeitamente moldados. Gala já havia me perguntado se eu era coprófago, traduzindo assim o modo de sentir do grupo. A verdade, sabe-se, era que eu tinha de obedecer a meus impulsos inconscientes a fim de me libertar dos meus terrores, mas para Breton esta explicação era insuficiente. Declarando-se realmente chocado com essa imagem, ele exigia que eu afirmasse não passar esse detalhe escatológico de uma máscara. Fiz cara de riso ao declarar que a merda trazia felicidade e que essa aparição na sua obra surrealista seria o sinal de uma nova chance para todo o movimento. Aliás, a literatura histórica era rica em alusões excrementícias, desde a galinha dos ovos de ouro e da cólica divina de Danaé; mas eu compreendi desde esse dia que estava na presença de intelectuais feitos de papel higiênico, enrijecidos por preconceitos pequenos-burgueses e em quem os arquétipos da moral clássica haviam depositado marcas indeléveis. Eles tinham medo da merda. Da merda e do ânus. O que existe de mais humano, no entanto, e de mais necessário a ser superado? A partir deste instante, eu decidira obcecá-los com o que eles mais temiam. E quando inventei os objetos surrealistas, tive o prazer íntimo e profundo, enquanto os amigos do grupo se extasiavam com seu funcionamento, de me dizer que esses objetos reproduziam exatamente as contrações de um cu em ação e que eles admiravam o próprio medo.

(…)

Quando digo que todos os surrealistas partilhavam de todos os tabus pequeno-burgueses, posso provar: eles falavam do sexo de uma maneira simbólica e os Padres da Igreja não teriam muito o que censurar em suas conversas. A maior audácia de Aragon foi a de ter escrito Le Con d’Irene, que é uma obra erótica trabalhada, mas no grupo a sodomização ou os fantasmas anais não tinham cotação na bolsa do amor, como não a tinham a pederastia e o misticismo. Fiquei bastante surpreso ao constatar que Breton impunha uma verdadeira hierarquia de valores em relação aos sonhos. Era rigorosamente proibido evocar uma lembrança onírica relacionada, por exemplo, com Maria, a mãe de Jesus –com a qual me acontecia sonhar constantemente– e mesmo confessar que eu era obcecado pelos cabelinhos do seu cu. Isso era má educação e mau gosto. Infeliz também daquele que não respeitasse o código de fidelidade amorosa: excitar a mulher de um amigo ou mesmo enganar sua amante! Que não se brincasse com o desejo e a luxúria. A liberdade ficava reservada para as grandes aventuras teóricas e platônicas.

(…)

Retrato de Marilyn Monroe como Mao, montagem de Dalí e Philippe Halsman, 1952

A política –o engajamento, como diziam os surrealistas– nos dividira. Eu me inquietava com o marxismo como com um peido, e ainda um peido me alivia e me inspira. A política me parecia ser um câncer que corrompe a poesia. Vi muitos dos meus amigos se dissolverem na ação política, perdendo nisso sua alma quando queriam ganhá-la. O social, a economia, me pareciam irrisórios, coisas vãs e sobretudo falsas –uma ciência inexata por excelência; uma armadilha para apanhar cotovias feita para os artistas, os intelectuais, caírem em contradições inextrincáveis, quer dizer os mais desprotegidos para resistirem aos apelos sentimentais e que se queria mobilizar para defenderem causas que, de qualquer maneira, encontrariam sua solução pelo jogo natural das forças da história e nas quais a inteligência só ocupava um lugar ínfimo. A poesia e a arte eram as grandes sacrificadas do acontecimento histórico. Não se meter me parecia ser o único método de ação e de autodefesa verdadeiramente eficaz. A única honestidade em relação a esta poesia que carregávamos em nós como uma flama rara e delicada.

A defesa dos meus interesses íntimos me parecia tão urgente, autêntica e fundamental quanto a do operariado. Aliás, que seria o triunfo do proletariado se os artistas não propusessem os elementos de um estilo de vida fundamentado na liberdade e na qualidade? Um mundo de grãos de areia anônimos! Uma tecnocracia de formigueiro! Dalí era felizmente irredutível às ideologias confusas. Breton falando de política me parecia assemelhar-se a um professor primário que quisesse ensinar os sinais de trânsito a um bando de elefantes que atravessassem uma loja de porcelanas. A disciplina! Ele só tinha essa palavra na boca! Para um artista, era a lepra.

Eu não queria saber mais disso. Os miseráveis abortos, nascidos de células comunistas, que queriam impor a sua moral, a sua tática, suas pequenas ideias, suas ilusões a Dalí me faziam estourar de rir com sua pretensão. Eu dava de ombros. Quanto a Breton, baixava-os humildemente, em nome do marxismo-leninismo! Antes de se colocar de quatro, ele teve felizmente um reflexo salvador e o caso Aragon, que se seguiu, lhe permitiu tomar posições mais sadias, mas ele arrancou ao mesmo tempo o ventrículo esquerdo da amizade, e não estou seguro de que se tenha recuperado da expulsão de seu irmão fundador, que o renegou depois da publicação de Misére de la Poésie. Estou na origem desta ruptura.

O número 4 de La Révolution surréaliste publicara, em 1931, sob o título de “Rêverie” um texto meu que, sem nenhuma censura, apresentava uma descrição erótica a respeito de Dullita, uma das heroínas da minha infância amorosa. O partido comunista achou este texto pornográfico e uma comissão foi designada para tratar do assunto. Convocou os representantes do grupo surrealista liderado por Aragon, que foi intimado a publicar um comunicado de condenação. Breton se revoltou e em Misére de la Poésie declarou que seria, um dia, “honroso para os surrealistas o fato de terem infringido uma interdição, de espírito tão marcantemente pequeno-burguês”.

Foi a ruptura. Os militantes pudibundos apareceram de repente totalmente ligados à moral estreita da família monogâmica, dominada pela propriedade privada e Aragon, seu vassalo, querendo sobretudo aproveitar a primeira ocasião para romper com os surrealistas que lhe impediam levar adiante sua carreira literária. Ele tinha razão, ao perceber que os comunistas sem cultura lhe permitiriam mais facilmente publicar seus romances hábeis e comerciais. Eu me diverti muito contemplando os dois irmãos inimigos em flagrante contradição de amizade e de pensamento. Uma vez mais fiquei feliz por constatar que a política nada tinha a ver com as motivações profundas dos militantes soi-disant apaixonados. Mas, evidentemente, sobre este verdadeiro problema, Breton não falou nada nesse dia.

*Trechos do livro As Confissões Inconfessáveis de Salvador Dalí, Livraria José Olympio Editora, 1976

 


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Flavio Lima em 23/01/2014 - 20h27 comentou:

Parabéns pelo seu equilíbrio, Cynara. Ando com tanto asco e saco cheio de direitista que nem consegui ir ao fim do texto dele.
O que você escreveu, sempre legal.
Minha esquerdopatia esta cada vez mais intensa!

Responder

    morenasol em 23/01/2014 - 21h18 comentou:

    sério? eu acho hilário, morro de rir.

    Flavio Lima em 27/01/2014 - 09h59 comentou:

    Não é um problema do SD, mas meu mesmo. Como a fascistaiada ao redor torna o ar ruim, minha reação geral é de nojo. Não consigo achar graça em um monte de coisa, devo estar ficando velho.

    mau21mau em 24/01/2014 - 01h51 comentou:

    AHAAHAA, Eu também ri muito: "Eu me inquietava com o marxismo como com um peido, e ainda um peido me alivia e me inspira"

    Muito interessante. Se eu entendi bem ele não era necessariamente direitista, e sim ele pegou nojo da intromissão do partido comunista no setor artístico (Surrealismo) que ele tanto se encaixava. A questão é, assim como ele e a Cynara, eu penso que a máquina política é uma ameaça ao propósito da arte seja ela orientada à esquerda ou à direita. Apesar de ambas arte e política estarem associadas ao pensamento das críticas aos paradigmas sociais, a política almeja o poder, enquanto que a arte almeja simplesmente existir, pensar, refletir sem compromisso algum com uma verdade ou dogmatismo, simplesmente o compromisso de ser percebido de maneira individual de acordo com as convicções de cada um, e por isso abstrata.

Josué Rowstock em 23/01/2014 - 20h35 comentou:

Verdade. Apesar de sua opção política não devemos depreciar a sua arte. É como venho no Brasil fazendo com o Lobão na música, simplesmente eu não leio nada do que ele escreve e as músicas dele continuam sendo boas para ouvir, quase dormindo. Um abraço

Responder

Filipe em 23/01/2014 - 22h25 comentou:

Caríssima Morena, eu achei maravilhoso seu texto sobre Dali. Lança luz nas vanguardas que fizeram a cabeça de muitas gerações. Parabéns!!!

Responder

Riobaldo em 23/01/2014 - 23h13 comentou:

Gosto de Borges, algum Llosa, mas Dali é esteticamente muito ruim. Não gostaria dele se fosse comunista, liberal, ou o que quer que fosse: mediocre. Mais superestimado do que Picasso, outro que por ser de esquerda tem prestígio, mas é bem fraquinho também. Não chega perto de Gauguin, de Van Gogh, de Kupka. Daria um bom desenhador de vídeo games.

Responder

    Ana Cristina em 25/01/2014 - 12h12 comentou:

    Como diz o velho dito popular… gosto não se discute, é que c* cada um tem o seu. Mas desmerecer artistas de vanguarda para a época como Dalí e Picasso é desconhecimento do contexto e da história da arte na época em que cada um se manifestou artisticamente!!!! Não vejo graça nenhuma na Monalisa, por sinal não combinaria em nada com a decoração da minha casa, mas desmerecê-la é não conhecer os motivos artísticos que fizerem deste quadro um ícone! Como disse a Morena, saber separar arte de política é fundamental , saber separar técnicas/conhecimento artístico de gosto pessoal é fundamental. Nunca entendi porque falavam tanto de Niemeyer, quando iniciei no curso de arquitetura entendi a revolução que ele fez na arte de arquitetar, ele inovou para sua época, é isso que fazem os artistas!!!!

Paulo Souza Jr. em 23/01/2014 - 23h43 comentou:

Meus caros. Eu fico triste com a total falta de bom senso e racionalidade de vocês.
No entanto, uma das poucas coisas sensatas, fora do delírio de vocês, que admirei, foi a apreciação da arte, coisa muito rara hoje em dia, que mostra um lado puro e mágico do ser humano. Mas porque vocês insistem nas expressões de "esquerda" e de "direita"? Isso não existe, o que existem são as mais variadas ideologias políticas e quando o sujeito tem uma ideologia que não é o socialismo de vocês, vocês confundem o indivíduo como um de "direita".

Tenho a impressão que acham que sou a favor do governo aristocrata que está no poder desde 1889, que é o que todos os partidos são a favor nesse país, através da compra de favores.
Sou a favor de algo que esse país nunca teve: construir e implementar o que será bom para o país na medida do bom senso, com patriotismo, educação de qualidade, inovação científica, bem estar familiar, entre outros.
São coisas que são mais possíveis através do capitalismo neoliberal, que é uma necessidade. Isso é algo que vocês não podem entender, porque acham que é possível um sistema livre de mazelas, pelo fato de serem leitores utopistas e não observadores no mundo real e atual (que não é o de 1848 ou 1917).

Responder

    Tiago em 24/01/2014 - 01h34 comentou:

    Não li nada demais nas opiniões e no texto, o qual é muito ilustrativo no que diz respeito à vida não-artística de escritores e pintores. As expressões "esquerda" e "direita" são uma forma de transparecer as divisões de ponto-de-vista existentes no universo político, tendo cada uma um significado representativamente oposto da outra. Essas expressões são ótimas para economizar toda a descrição desnecessária em algum texto, cuja leitura exige certo conhecimento prévio do assunto.
    O Capitalismo Neoliberal é uma necessidade para aqueles que já possuem muitos bens. Para as pessoas que sobrevivem com menos de R$ 2,00 diários, o Capitalismo Neoliberal fornece a esperança de serem premiados com a Mega-sena, ou outras coisas semelhantes

    Paulo Souza Jr. em 24/01/2014 - 22h40 comentou:

    O capitalismo neoliberal é a chance para essas pessoas de terem a liberdade de, se forem inteligentes, buscadoras do seu sonho como empreendedoras e se receberem o amparo necessário, poderem ascender socialmente. Isso não seria possível em uma sociedade socialista ortodoxa, uma vez que o Estado limitaria o trabalho dessas pessoas a serem sempre empregados e se acomodarem no colo do governo.

    A pobreza dessas pessoas não teria seu fim com o socialismo, teria fim com a educação e a instrução empreendedora necessária para essas pessoas, o que o capitalismo não impede. O capitalismo não funciona com populações miseráveis, essas pouco consomem e pouco produzem, não tendo profissão, formação para competirem no mercado. Portanto estão fora do sistema capitalista. Sua miséria não tem origem no capitalismo.

    Alex em 26/01/2014 - 13h02 comentou:

    Rapaz,
    Das maiores fortunas do mundo, quantas são de uma aristocracia hereditária? Quantas são de pessoas que vieram da pobreza?

    Paulo Souza Jr. em 28/01/2014 - 23h00 comentou:

    Meu caríssimo. É essa a questão que estou discutindo? A maior parte dos aristocratas mantém parte de suas riquezas hoje por meio do empreendimento com fins lucrativos, mas a moral principal deles não é essa e sim, manter os interesses da elite no governo que são o que eles querem para o país, de modo a se manterem ricos e protegidos. Se fossem capitalistas mesmo, formariam mão-de-obra qualificada em quantidade maior, porque aí se beneficiariam de trabalho mais produtivo.

    Mendes em 24/01/2014 - 19h22 comentou:

    Rapazinho, não são os utopistas que vivem fora do mundo real, tu és o próprio mundo burguês de 1848 ou
    1917, segundo suas palavras… Não acreditar em papai noel, como tu queres fazer crer que cremos e por isso somos, uns idiotas. Traanferimos a tua pessoa que ainda dá crédito ao neoliberalismo.
    .

    Paulo Souza Jr. em 26/01/2014 - 01h30 comentou:

    Está aí em você a total alienação revelada, realmente expliquei, mostrando pontos lógicos e básicos que qualquer um pode entender e o que recebo como resposta é mais um "tu és o próprio mundo burguês", resposta quase que igual e tacanha a de vários outros socialistas, igualzinho também as palavras de Marx. Ou seja, vocês estão mesmo em um delírio, só repetem palavras como se estivessem com um programa inserido em seus cérebros.

    É simples e básico: não pode haver em uma economia, a farta produtividade, quando não há ninguém com o objetivo de acumular capital (recursos de produção) para obter lucro.
    Se não obtém lucro, não reinveste, se não reinveste, a produção não aumenta ou só vai aumentar até um limite, e sendo assim, com a produção não aumentando, ela vai se tornando insuficiente para satisfazer as necessidades de uma população, que essa sim, cresce.

    E não é só isso, se são pessoas somente "lá em cima" que tomam decisões sobre níveis de produção e preços, essas podem se tornar incompatíveis com as necessidades da "linda coletividade", porque esses "lá de cima", não sabem das necessidades de cada localidade e de cada indivíduo, bem como das limitações físicas e intelectuais desse segundo. É básico. Por isso que eu digo que vivo no mundo real e vocês não.

    Cassio em 26/01/2014 - 15h38 comentou:

    Discute "alienação", "lógica", "mundo real", com esse Sr. aqui… http://www.marxists.org/portugues/einstein/1949/0

    O sonho americano não foi feito das benesses do capitalismo, Lincon , que apesar da simpatia de Marx, jamais foi um socialista… mas certamente não era um liberal clássico https://www.marxists.org/archive/marx/iwma/docume

    Primeira intervenção na livre economia na era da democracia moderna. http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Sherman_Antitrus

    Primeiro plano de assistencialismo em massa! http://pt.wikipedia.org/wiki/New_deal

    ou até mesmo os protestos anti-segregação racial e Vietnã…
    enfim se vc acha que o mundo capitalista anda sozinho aconselho a ver isto aqui… http://www.youtube.com/watch?v=LGUzOjqZ2sU

    Enfim todas as boas coisas que o Liberais vendem, nasceram de lutas, ações, seja de classe, ou de movimentos sociais, e que na verdade foram frutos de ações muito contrárias a idéia do deus livre mercado.

    Então Amigo quem não compreende de fato o mundo que vive acho que és tu!

    Paulo Souza Jr. em 28/01/2014 - 00h05 comentou:

    Uma das questões que Einstein coloca é, não com estas palavras, mas com mesmo sentido: o ser humano é um ser que depende da sociedade, para o seu sustento material e fisiológico, mas cada indivíduo tem a capacidade de produzir de forma muito útil de acordo com suas limitações e habilidades. Neste trecho você consegue concluir que cada indivíduo terá seu benefício provindo da sociedade, mas com qualidade, desde que a natureza individual de cada um nessa sociedade seja livre.

    Cada indivíduo tem um dom, uma habilidade para algo, logo, ao existir o Estado socialista radical, total estatizador, você está impedindo a livre capacidade de muitos de empreenderem segundo suas habilidades e oportunidades locais, já que a propriedade privada para a produção é proibida.

    Empreendimento esse que possibilitará esse indivíduo de ver as necessidades reais da sociedade, produzindo o que ela necessita. Você tirar esse direito de todos, é punir os bens intencionados pela ação dos mau intencionados. É para isso que existem as leis e as empresas, o primeiro, impede o abuso dos grandes, o segundo é o gerador das novas idéias que geram os bens materiais e outros mais que precisamos. Veja: http://www.youtube.com/watch?v=3w9EBb9c_Yk, é bom de ver, aconselho.

    É exatamente pela característica humana de egoísmo, que o capitalismo, mesmo com seus problemas, é necessário e não o modelo ideal. No socialismo, com o total ou quase nivelamento de todos por baixo, quem gerara riqueza?? O Estado não comercializará com ninguém de fato, como ele vai obter acréscimo de ganho para aumentar a produtividade? No capitalismo você tens uns mais pobres e outros mais ricos, no socialismo radical, todos são pobres, acesse: http://www.youtube.com/watch?v=Rpw23vQwfqw e veja até o final, aconselho.

    Não me venha com links do wikipedia, são sujeitos a muitos erros.

    Não, Einstein quis dizer que o ideal é o socialismo para ele, mas este não é possível, leia de novo.

    Ninguém está totalmente certo ou errado, sendo socialista ou capitalista, boas idéias e justiças podem surgir de pensamentos em parte socialistas.

    Não defendo o mercado livre total, isso não é ser liberal necessariamente, saúde, educação e energia deveriam ser totalmente gratuitos. Sou contra o modelo soviético, clássico e o modelo misto.

    Éder em 23/11/2014 - 02h22 comentou:

    Muito bom Paulo.
    Recadinho para os comunas de plantão, nem todos são desprovidos de inteligencia, apesar de parecerem ter um retardo em estágio avançado, mas vocês conseguem entender o que leem? Segue um trecho famoso de Lenin:

    “Usaremos o “idiota útil” na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão as migalhas que caírem de nossas mesas. O Estado será Deus“.
    ————–

    Assim Vladimir Lênin trabalhava sua loucura soviética, principalmente com os “tidos aliados” externos do Kremlin. A lógica era muito simples, embora a pessoa, o “idiota útil”, podia ser ingênuo sob a ótica aliada dos soviéticos, ou até mesmo de outras ideologias socialistas e comunistas, os mesmos eram desprezados pelos soviéticos e pela central do poder, e óbvio, que eram usados da forma mais cínica possível, e depois descartados como simples objetos sem valor algum para o Estado, ou para o projeto de poder do partido.
    Art. Fábio Pereira Ribeiro

Elias em 23/01/2014 - 23h56 comentou:

Militares malvados, comunistas bonzinhos é isso mesmo? Estude história pelo amor de deus, vai descobrir que é o oposto, fora do governo promovem guerras e genocídio dentro promovem guerras e genocídio. O Brasil vive uma guerra de bandidos armados contra uma população alienada e desarmada, o governo nada faz e ainda promove isso, essa é a realidade de hoje.

Responder

Gianni_Schicchi em 24/01/2014 - 00h13 comentou:

Sou igualmente fascinado por Dali. Só um reparo, o livro que ele escreveu recebeu o título de Faces Ocultas na edição da Record, 1973. Gosto demais dos teus textos.

Responder

Mendes em 24/01/2014 - 15h55 comentou:

Um grande enganador. Criou uma escola de farsantes. Durou pouco, como se vê. Nada sobrou. Só fantasias
de uma mente doentia. Com o passar dos anos, mais se torna esquecido. Porém, ai porém, existem as viuvas
saudosas. Existe gosto para tudo. Saudades das ditaduras, das guerras de extermínio… etc…etc…

Responder

marcio ramos em 24/01/2014 - 18h32 comentou:

Se nao fosse Gala Dali não seria… eita artistaiada atcada cheio de firulas e fraquinhos…

Responder

Ludwig em 25/01/2014 - 01h35 comentou:

Duas frases resumem o socialismo e seus efeitos:
"O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros" da brilhante Thatcher.
A outra diz que a história se repete.
Defender o socialismo deve-se à no mínimo não conhecer a história. Cuba, Coréia do Norte, o território da antiga Alemanha Oriental, entre outros. Basta uma visita a esses países para ver o "sucesso"que é/foi o socialismo.
"Nobre" socialismo que respeita as liberdades individuais, incentiva a união das classes, favorece à todos, há a meritocracia.
Viva a evolução, viva o capitalismo!

Responder

    Arthur em 13/03/2014 - 04h50 comentou:

    Dizer que a história se repete é o maior sintoma de não conhecer a história. Acreditar na evolução (natural) da sociedade é outro sintoma de não conhecimento da história.
    Não sei se você sabe, mas vá[email protected] socialistas, começando por Trotski, também Zizek, Meszáros, e muitos outros, muitos mesmo, fazem/fizeram críticas à Cuba, URSS e ao que muitos chama de marxismo vulgar. Marxismo vulgar este que você tenta, com todo o seu conhecimento histórico, sua constatação da realidade e sua ideologia, criticar. Pena que críticas como as suas já foram superadas a tempo, pena que Cuba foi criticada por pessoas de esquerda antes de um espertinho de direita fazer uma crítica vazia à ela.

    Sócrates Souto em 12/09/2017 - 14h58 comentou:

    Pare de ser influenciado! Pense bem, antes de falar.

    A Coreia do Norte se diz comunista, mas não é. Com certeza, não é. No comunismo, não existem classes sociais, porém, isso é bem mostrado neste país.

    Cuba está em boas condições, para um país que quase não tem nenhum apoio. Ou melhor, não tem nenhum apoio.

    O comunismo é um ótimo jeito de trazer a igualdade. Ele só não é respeitado.

    E, à propósito, sua primeria frase não deveria se referir ao socialismo, e sim ao capitalismo

    Sócrates Souto em 06/10/2017 - 18h14 comentou:

    Aliás, tudo o que você diz se refere diz ao capitalismo. Por exemplo: no comunismo as classes não existiriam; você diz que o comunismo não respeita as igualdades; VAI PESQUISAR!

creo souza em 25/01/2014 - 03h59 comentou:

Essas pessoa que diz odiar o capitalismo,são cheias de capital,não vivem sem a mordomia que o capitalismo oferece.O comunismo é assim,o governo vive na mordomia,e o povo na miseria.

Responder

    Flávio Alimandro em 28/01/2014 - 19h55 comentou:

    "O anticapitalismo só se mantem em evidencia por viver as custas do capitalismo" Ludwig Von Mises.

Vitória em 25/01/2014 - 15h40 comentou:

Salvador Dalí, maior artista de todos os tempos, vivo, ousado, e com uma visão que enxerga além da alma, do tempo e do espaço, sabendo muito bem separar política da arte. Não posso acusar o seu blog de não ter feito a mesma coisa, pois aqui se discute ideologias políticas. Portanto, por ter esta finalidade, o texto também está de parabéns.

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igor em 25/01/2014 - 15h52 comentou:

http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pr

sua amiga de redacao discorda do seu ponto.

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    morenasol em 26/01/2014 - 12h22 comentou:

    e o que você quer? que eu a censure? nossa revista é plural, cada um pode ter a opinião que quiser. você deve estar acostumado com o pensamento único da veja, né?

Ze Borba em 25/01/2014 - 22h05 comentou:

"O comunismo é um tipo esquisito de alfaiate, pois quando a roupa não cabe na pessoa, corta-se a pessoa" Millor Fernadez .

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Renato Costa Dias em 26/01/2014 - 14h29 comentou:

Grande acerto, MORENA! : "Em minha opinião, as paixões intelectuais e artísticas não deveriam ser contaminadas pelas opiniões políticas. Como deixar de admirar um Jorge Luis Borges porque apoiou a ditadura militar argentina? Um Mario Vargas Llosa, por suas posições neoliberais? Ou um Nelson Rodrigues, por provocar dizendo-se reacionário e flertando com milicos até que a tortura bateu à sua porta?" . Admiro a jornalista, quando faz jornalismo. Quanto à SOCIALISTA, doce ilusão e muitos enganos.

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Messias Macedo em 27/01/2014 - 15h49 comentou:

[data venia. RISOS]

Uma dica musical!

Perera Elsewhere! Fantástica! Impressionante!…

aqui http://www.deezer.com/album/7049764

ou aqui http://pereraelsewhere.tumblr.com/

Respeitosamente,

Messias Franca de Macedo
Feira de Santana, Bahia
MUNDO

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Bacellar em 27/01/2014 - 20h11 comentou:

Gosto muito de algumas telas dele. Mas bom mesmo é aquele cara do EstudioTM™

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Ricardo G. Ramos em 28/01/2014 - 14h12 comentou:

Até o imenso Buñuel, de quem foi amigo e colaborador, o achava superior a Picasso. Mesmo depois de Dali tê-lo dedurado ao FBI tachando-o de comunista, uma inverdade. Dá pra separar Política e Arte, mas sinto muita dificuldade de ouvir, ler, ver ou participar de qualquer coisa com esses elementos que não escondem sua insustentável maneira direitista de ser. Pena.

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carlos em 28/01/2014 - 23h23 comentou:

Cynara, volte a escrever. Estou sentindo falta das suas bobagens. Escreve ai qualquer coisa sobre o McDonalds e os agentes infiltrados nele….kkkkkkkkkkkk

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julio cesar em 05/01/2015 - 19h51 comentou:

comunismo=nazismo

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    Sócrates Souto em 12/09/2017 - 15h02 comentou:

    Cara, você não tem mente não? Pense antes de falar.

    O comunismo e o nazismo são formas TOTALMENTE diferentes de pensar. Me ache uma evidência que diga isso.

    Os nazistas eram o Partido Socialista Nacional. Mas isso, como todo o nazismo, é sem sentido. É como a Coréia do Norte e China. Dizem ser comunistas, mas não são. Não tem relação nenhuma, isso.

    Não seja influenciado.

Amanda em 19/04/2018 - 21h13 comentou:

Se não cabe julgar o posicionamento político de um artista através de sua arte, não a enviese politicamente no texto que tem como objetivo despersonalizar os que não corroboram com o mesmo pensamento. Dessa forma você está atribuindo uma funcionalidade política a essa arte, você está utilizando-a para atingir objetivos estritamente políticos. A arte não merece essa degradação perversa (Em nome dos artistas pós-estruturalistas)

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