Socialista Morena
Politik

Ufa, ainda tem ministros no STF com coragem de desafiar os saudosistas da ditadura

Os demais passarão à História não como guardiões da Constituição, mas como sabujos dos que adorariam rasgá-la

Foto: Rosinei Coutinho/STF
Cynara Menezes
08 de novembro de 2019, 17h12

Foi apertado: 6 votos a 5 contra a manutenção da prisão em segunda instância, que beneficiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o resultado da votação desta quinta-feira trouxe uma lufada de esperança de que nossa combalida democracia ainda tem fôlego para se reerguer e perseverar. Um verdadeiro alívio em um momento em que o filho do presidente da República fala em “novo AI-5” e não é contestado pelo general de pijamas à frente do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Os seis ministros do Supremo Tribunal Federal que não se vergaram às ameaças de militares e civis saudosistas da ditadura merecem receber parabéns pelo voto e são dignos de nosso respeito, a começar por Gilmar Mendes e Rosa Weber. Os cinco ministros que votaram em favor da prisão antes do trânsito em julgado, deixando à mostra sua pusilanimidade e sugerindo interesses ocultos, se juntam aos magistrados que, ao longo da história, demonstraram inclinação autoritária e o pouco apreço ao devido processo legal, uma contradição em termos.

Gilmar se mostrou um legítimo juiz garantista e um ministro valente, que não se curvou às chantagens e ameaças veladas dos defensores de torturador. Um verdadeiro fodão do bairro Peixoto, como diria o saudoso Casseta & Planeta

Com todas as restrições que a esquerda sempre fez e sempre fará a Gilmar, ele se mostrou um legítimo juiz garantista e um ministro valente, que não só batalhou pelo resultado obtido ontem como claramente conduziu o presidente do Supremo, Dias Tóffoli, a acompanhar o voto do relator, Marco Aurélio Mello. As suspeitas de chantagens por parte da Lava-Jato, as ameaças veladas dos defensores de torturador, nada disso foi suficiente para intimidar Gilmar. Um verdadeiro fodão do bairro Peixoto, como diria o saudoso Casseta & Planeta.

Rosa Weber não fica atrás. De todos os ministros do Supremo, ela, ainda por cima mulher, era o “voto de Minerva” mais pressionado, desde o pedido de habeas corpus de Lula, em abril do ano passado, quando fraquejou e votou contra o ex-presidente e contra seu próprio entendimento, favorável à prisão após esgotados todos os recursos. Desta feita, mesmo tendo sido chefe do atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e com os militares no seu encalço, Rosa não cedeu e manteve sua visão original pela prisão apenas após o trânsito em julgado, esgotados todos os recursos, como reza a Constituição.

O decano, Celso de Mello, que pode inclusive anular o processo contra Lula no julgamento sobre a suspeição de Moro, nas próximas semanas, deixou clara sua desaprovação aos excessos da Lava-Jato, ao declarar que estava votando contra a prisão em segunda instância “contra o abuso de poder eventualmente perpetrado por agentes estatais”. Ricardo Lewandowski salientou a necessidade de se ater ao que diz a Constituição, que “não é mera folha de papel, que possa ser rasgada quando contraria forças políticas do momento”.

Aos demais cinco ministros (Fux, Carmem Lúcia, Barroso, Alexandre de Moraes e Fachin), todo o meu desprezo. Me lembram aqueles ministros militares da foto célebre de Dilma, cobrindo o rosto de vergonha pelo papel sujo que desempenharam

Marco Aurélio, o relator, atuou como o maestro de tudo isso. Foi sob a batuta dele que a decisão final nasceu, por sua irredutibilidade em favor da presunção da inocência, sob um argumento imbatível: “É impossível devolver a liberdade perdida ao cidadão”. Quem devolverá os quase 600 dias que Lula passou na prisão, sem provas de que é criminoso, e após dois julgamentos contaminados por interesses políticos dos que chegaram ao poder com sua condenação?

Aos demais cinco ministros (Fux, Carmem Lúcia, Barroso, Alexandre de Moraes e Fachin), todo o meu desprezo. Me lembram aqueles ministros militares da foto célebre de Dilma, cobrindo o rosto de vergonha pelo papel sujo que desempenharam na ditadura. Passarão à História não como guardiões da Constituição, mas como sabujos dos que adorariam rasgá-la.

 


Apoie o site

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito

Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta Corrente: 23023-7
(4) comentários Escrever comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Pedro Gabriel Portugal Junior em 08/11/2019 - 17h24 comentou:

Bem assim Cynara. A foto da Dilma é emblemática. Parabéns. Sou seu fan.

Responder

Cláudio em 09/11/2019 - 04h00 comentou:

VIVA LULA LIVRE ! ! ! ! ! Vai representar o povo brasileiro na posse do novo presidente argentino, Fernández.

Responder

Telga de Araújo Filho em 11/11/2019 - 07h28 comentou:

O Alexandre Morais votou argumentando, os outros merecem todo desprezo.

Responder

Verdi Cortês Xavier em 13/11/2019 - 12h26 comentou:

Que maravilha de texto!!! Esse é o sabor original do jornalismo de ponta.

Responder

Deixe uma resposta

 


Mais publicações

Politik

Casa Grande: senadora Ana Amélia defende chicote contra apoiadores de Lula


Criticada, a senadora disse em entrevista nesta segunda-feira que "levantar o rebenque não é um ato violento"

Politik

Fim da corrupção SQN: denúncia contra Temer é rejeitada na CCJ pela segunda vez


Em menos de seis meses, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara rejeitou duas denúncias contra o presidente que os paneleiros colocaram no lugar de Dilma para "acabar com a corrupção"