Socialista Morena
Cultura

“Senhoras de Santana” hoje têm 20 anos e se chamam Movimento Brasil “Livre”

Um bando de garotas e garotos com cabeça de velhinhos igrejeiros do século passado conseguiu convencer o banco Santander a cancelar uma exposição de arte queer

Uma das obras que mais chocaram: Cruzando Jesus Cristo com a Deusa Shiva, de Fernando Baril
Cynara Menezes
11 de setembro de 2017, 16h20

Censuraram uma exposição de arte queer em Porto Alegre neste final de semana. Um grupo, liderado pelo Movimento Brasil “Livre” e pela apresentadora de TV e defensora dos animais Luísa Mell, fez um escarcéu nas redes sociais contra algumas das 270 obras da mostra Queermuseu: Cartografias da diferença na arte brasileira, que trazia nomes consagrados como Lygia Clark, Candido Portinari, Flávio de Carvalho e Leonílson. Para espanto dos reais apreciadores da arte, o banco Santander cedeu às pressões dos fanáticos e cancelou a exposição, prevista para acabar em outubro.

“Entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo. Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana”, declarou o banco em sua página no facebook.

Desde a ditadura militar não se via tal furor contra as artes no país. Como neo-senhoras de Santana, as donas-de-casa paulistanas que, nos anos 1980, se arvoravam em defensoras da moral e dos bons costumes, os puritanos do MBL chamavam as obras de “arte degenerada”, “blasfema”, “vilipêndio à religião” e outros adjetivos dignos de beatas do interior. Ao contrário das senhoras de Santana originais, porém, os carolas que exigiram o fim da mostra queer têm ao redor de 20 anos de idade.

Um bando de garotos e garotas que se comportam como velhinhos igrejeiros do século passado, como este cara que ficou cho-ca-do ao ver escrito a palavra “Fuck” e não se importou de pagar mico gravando um vídeo para “lacrar” nas redes sociais.

Uma tela de Adriana Varejão de 1994, ou seja, de 23 anos atrás, que retratava uma cena de sexo com uma cabra, foi uma das mais visadas pelos papa-hóstias do MBL. Também foi criticada como “apologia à pedofilia” a obra da artista plástica Bia Leite inspirada no tumblr Criança Viada, que faz sucesso nas redes desde 2012 com fotos de crianças em poses engraçadas, autorizadas pelos próprios retratados na infância. O autor do tumblr se mostrou indignado com a censura, em post no facebook.

“Esse tumblr é meu, eu criei em 2012 e as fotos foram enviadas pelos próprios donos. As frases que ilustram as obras da Bia são minhas e me doeu pra caralho ver que algo que eu escrevi, que foi tão lindamente entendido por anos, acabar sendo colocado como apologia à pedofilia por tanta gente inconsequente e desinformada”, protestou Iran Giusti.

Também foram criticadas pelos puritanos algumas obras que “ousaram”, em pleno século 21, questionar a religião, como um Cristo com vários braços, misturado com o deus indiano Shiva, e hóstias onde estava escrito “Vagina”, “Língua” e “Cu”. As neo-senhoras de Santana, gente que nunca entrou numa galeria de arte, subitamente viraram críticos renomados. Coordenadora do MBL no Rio Grande do Sul, Paula Cassol vaticinou: “Não entendo que isto seja arte”.

Até o ex-ator pornô Alexandre Frota virou defensor da moral e dos bons costumes contra a exposição queer. “Ataques como esses às famílias e à fé estão cada vez mais comuns e isto precisa parar já!”, disse o protagonista de Garoto de Programa, com a travesti Bianca Soares. Só no Brasil mesmo…

Se a exposição gerou gritaria de moralistas, a censura à mostra queer está mobilizando defensores da livre manifestação nas artes em todo o país. Um ato pela Liberdade de Expressão Artística e Contra a LGBTTFobia está marcado para o próximo dia 12, em Porto Alegre, em frente ao Santander Cultural.

Enquanto isso, os censuradores (os mesmos que vivem criticando o “politicamente correto” em nome da “liberdade de expressão”) afirmam que não é censura o que fizeram. Em 1981, as senhoras de Santana originais também diziam que não queriam censurar. “Nosso movimento é pacífico, sem conotação política e religiosa. Nunca pedimos censura”, diziam as donas-de-casa, que afirmavam ser “sexualmente resolvidas”. Alguém aí lembrou do “apartidário” MBL?

Detalhe: a exposição não era obrigatória, claro. Ficava em um espaço privado e só iria até lá quem assim o desejasse. O que tanta gente tapada foi fazer numa exposição de arte queer permanece um mistério.

 

 


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iurutaí em 11/09/2017 - 18h02 comentou:

Mistério nenhum: foram aparecer para a mídia, que andava meio afastada. O fascismo, mais do que qualquer outro movimento ou ideologia, precisa da mídia, é ela que amplia as suas ações e discursos. No estado de exceção no qual vivemos, os fascistinhas nadam de braçada diante da tibieza das instituições na garantia dos direitos básicos.
Cabe destacar ainda que, por trás do discurso centrado no individualismo, revela-se, em ações como esta, a real vontade de controle sobre todos os aspectos da vida das pessoas, da Arte à sexualidade, do ensino à religião, única forma de garantir a reprodução dos ideais estreitos que defendem.
controle sobre todos

Responder

    Celso de Assis Jardim da Silva em 09/10/2017 - 12h47 comentou:

    Você é que é um pervertido e apoiador da desconstrução da matriz cultural judaico-cristã que caracteriza a sociedade brasileira e que abomina a perversão. Aliás, a razão do ódio e ataque aos valores cristãos que a maioria da sociedade brasileira defende é por que tais valores contrariam a filosofia de vida desses libertinos que tais quais os Sodomitas dos tempos bíblicos, chegavam ao cúmulo de abordarem cidadãos nas portas de suas casas a fim de lhes molestarem. A história se repete, assim como se repetirá os fogos que destruíram aquela ímpia “civilização”. Erro é erro; ontem é hoje, os padrões morais do Deus eterno nunca mudou.

Sarah Borém em 11/09/2017 - 18h08 comentou:

OK, não vi nada fazendo apologia a pedofilia, mas essa exposição de arte tem desenhos de várias pessoas aparentemente penetrando em animais. o que de lgbt tem nisso?
não da pra estuprar animais e meter isso em meio a um discurso de liberdade. nada a favor do mbl, mas achei a exposição péssima mesmo. e como simpatizando do movimento lgbt, achei ofensivo ao movimento

Responder

THIAGO PEREIRA LIMA em 11/09/2017 - 18h15 comentou:

Adorei o texto, Cynara <3. Que sarcasmo delicioso em cada linha rs

Responder

    Celso de Assis Jardim da Silva em 09/10/2017 - 12h56 comentou:

    É mesmo?! Gostaste então da expressão:”garotas e garotos com cabeça de velhinhos igrejeiros do século passado”? foi? Então, aguarde quando esses corajosos jovens que assumem a “pecha” de conservadores forem distinguidos pelo Deus eterno enquanto todos os progressistas e moderninhos forem lançados no fogo do inferno (aliás, essa historinha parece história infantil, né?! então deixa, estar)

    Beto Gones em 09/11/2017 - 23h24 comentou:

    Celso, prefiro o “fogo do inferno”. Vai tu sozinho pro “paraíso”.

Tupy Gomes Correa em 11/09/2017 - 19h26 comentou:

Li, a tempão, de Césame: O belo se manifesta em toda natureza, de várias formas e maneiras, os artistas têm a faculdade de encontrar e representar na forma e maneira que sua liberdade quiser
Arte não se discute.

Responder

Josemar Machado de Lima. em 11/09/2017 - 19h40 comentou:

Se algumas pessoas estão “Demonstrando sua indignação” em forma de protesto nas redes sociais, ÓTIMO e SAUDÁVEL. Quando um brasileiro entrar na Exposição armado e matar todos que estão ali, ai sim saberemos o significado da palavra OBSCENO.

Responder

    Beto Gomes em 09/11/2017 - 23h25 comentou:

    ?????

Liberal em 11/09/2017 - 19h45 comentou:

Movimento Brasil Livre é tão “liberal” quanto o astrólogo ultra-católico e débil mental Olavo de Carvalho.

Responder

GUSTAVO HORTA em 12/09/2017 - 00h08 comentou:

coitadinha da ovelha levou aquela enrabada antes de ser sacrificada, sera que tem algum mistério por trás dessa cena.. hê

Responder

Izaac em 12/09/2017 - 05h47 comentou:

Não vou entrar no mérito das obras. Só acho que essa zueira toda fez muito mais pessoas verem as mesmas do que veriam se não houvesse esse bafafá. Ou seja, seria um tiro pela culatra do MBL se fosse esse o objetivo dele. Mas não era esse o verdadeiro objetivo, e sim aparecer.

Responder

auro em 12/09/2017 - 07h37 comentou:

Ainda bem que houve bom senso por parte do Santander. Arte e deprevação são totalmente distintas. e essa com certeza ultrapaçou o limite da arte. nem todos as peças eram de mau gosto, mas como dizem sabendo usar não vai faltar

Responder

    Hélio em 13/09/2017 - 15h22 comentou:

    Talvez nem você nem seu deus deva visitar tais exposições
    Ou
    Marque um podcast com os artistas e seu deus, para que nos diga quais os limites da arte …
    .
    .
    .
    Segura na linha! Acabei de falar com deus
    Ele adorou a ovelha
    Agora fiquei confuso

    Beto Gomes em 09/11/2017 - 23h30 comentou:

    Enquanto esses imbecis condenam uma exposição artística, seus filhos, sobrinhos, irmãos e netos menores de idade acessam livremente sites pornográficos nos celulares, tablets e notebooks. Mas, como eles fingem q não sabem, está tudo bem. Que geração de tapados e alienados intelectuais!

Mota em 12/09/2017 - 07h47 comentou:

Quem escreveu esse artigo não tem identidade ideológica. Nunca vi uma oposição tão burra. Tanto que provavelmente não entenderá esse comentário.

Responder

    Beto Gomes em 09/11/2017 - 23h31 comentou:

    Caro Mota, não entendi seu comentário.

Henrique Kirschke em 12/09/2017 - 08h19 comentou:

Quando o feitiço do politicamente correto vira contra o feiticeiro kkkkk, piada demais isso , queria ver essa galera chorando ,levar o filho / sobrinho de 5 /10 anos de idade e mostrar um cara ferrando uma cabra se ia achar normal , impor esse tipo de situação , não deixa de ser o que vocês “mais odeiam” ,fora que é crime descriminar /zombar da religião de qualquer um nesse país , a estátua de Jesus e mais outras ali no caso ,mesmos eu que não sou praticante de qualquer religião achei escroto demais isso , chora faxcixtasss disfarçados kkkkk

Responder

    Cynara Menezes em 12/09/2017 - 11h22 comentou:

    é o contrário: vocês, defensores do politicamente incorreto, é que se sentiram ofendidos e ficaram de mimimi

Alan Pires Ferreira em 12/09/2017 - 09h34 comentou:

Esses canalhas tentam censurar e destruir tudo o que questione o poder absoluto do macho branco cristão e heteronormativo, conforme concedido pelo deus mesquinho deles. Como já dizia Cícero, resistir é preciso, viver não é preciso.

Responder

    Ricardo em 12/09/2017 - 12h09 comentou:

    Que baboseira é essa? Que questionamento ao “macho branco heteronormativo conforme concedido pelo deus mesquinho deles” é representar um cara ferrando uma cabra, Maria fumando um crivo e aquela bizarrice de misturar Jesus com Shiva (sendo que Shiva tem quatro braços, não 8, 10 e nas suas representações não segura nenhum dos objetos da pintura)? Argumentação vazia. Fosse Homens se beijando, transando, mulheres entre si. Mas definitivamente não é o caso. E não foi pouco LGBT que vi reprovando algumas pinturas como a da cabra. Ah, mas já sei, “eu não entendi”, sou um “ignorante”. Fim, né?

    cidadao em 15/09/2017 - 00h45 comentou:

    Tb nao é por aí.
    Ta cheio de negros, mestiços, árabes heteros homofobicos.
    Tem até mesmo gays q acham q movimentos de Parada do orgulho gay são exagero.

    Pôr sempre o branco hetero como o alvo de ser preconceituoso é um preonceito e não juda nada.

    Celso de Assis Jardim da Silva em 09/10/2017 - 13h08 comentou:

    Nosso Deus mesquinho irá um dia te emudecer, seu discípulo de Lúcifer.

Ricardo em 12/09/2017 - 10h03 comentou:

Nunca a expressão “o mundo dá voltas” valeu tanto e tão rápido quanto para esse texto. Há pouco mais de um mês a mesma blogueira apontava suas armas e sua patrulha para Chico Buarque por causa da sua nova canção “Tua Cantiga”. Não apenas ela, mas uma legião nas redes sociais foram linchar o maior compositor da MPB por uma leitura literal da letra (opa – de domingo para cá cansei de ver carteiraço de entendidos em arte ridicularizando as interpretações “descontextualizadas” e “literais” da massa “ignorante” que protestou e se ofendeu com as obras expostas) a ponto de ele fazer nova postagem tentando se defender com vídeo do professor de linguística Sérgio Freire “explicando” a letra. Censura? Lá não, aqui sim , pelo visto. Não fosse um artista do calibre do Chico e a música já teria sido retirada de circulação. A verdade é que coerência não se vê por aqui. As posturas de parte à parte, de esquerda e direita, mudam ao sabor do vento. Quando me convém, ponho minha tropa de choque nas ruas para cercear o que não se submete à narrativa que considero a correta. Quando não, me levanto ao menor movimento dos soldados adversários. Tenho que fincar a minha bandeira bem no alto para que meu público que espera alinhamento à agenda de forma rígida não fuja ou me chame de traidora, não é mesmo? Bem, vamos analisar a situação: O Banco Santander é uma instituição privada, um banco. Seus recursos vem dos correntistas. Uma quantidade grande dos seus clientes ameaçou tirar seu dinheiro de lá e levar para outra instituição financeira se o banco continuasse mantendo a exposição. Eles não gostaram, se ofenderam com algumas obras expostas. Tem o direito de não gostarem e tem o direito de ameaçarem retirar seu dinheiro do banco como forma de pressão. O Banco não tem a obrigação de atender a essa pressão. Mas… O banco, que como eu disse, vive desse dinheiro, optou por não se indispor com seus clientes. Simples assim. Censura seria uma entidade governamental proibir a exposição via Ministério da Cultura ou o Secretário da Cultura de Porto Alegre. Ou daqui a pouco o governo criar um index do que pode e do que não pode ser visto, lido, etc. Aí entraríamos noutro terreno. Mas não é o caso. Os clientes do banco se indignaram, este optou por atendê-los. Você mantém um blog que seguidamente expressa sua indignação com uma série de coisas e junto com ativistas das Redes Sociais consegue muitas vezes seu intento. Censura? Seu direito inalienável de opinar e pressionar. Concluindo, longe de me colocar ombro a ombro com o MBl, do qual quero tanta distância quanto de radicais de esquerda, para mim a exposição deveria ser mantida pelo Santander, explicando de forma bem clara o que poderia lá ser encontrado e com restrição de faixa etária para a visitação (havia crianças pequenas sendo levadas pelos professores). Simples. Não ocorre o mesmo nos canais de assinaturas? Determinados filmes vem a advertência: “o filme a seguir contém violência extrema, cenas de nudez, etc”. Simples. Mas e a bandeira? Se eu não finco a bandeira, leitores fiéis e rígidos batem em retirada, né?

Responder

    Cynara Menezes em 12/09/2017 - 11h21 comentou:

    desculpa, mas você não entendeu patavinas do texto que escrevi

Ricardo em 12/09/2017 - 11h55 comentou:

Eu não entendi “patavinas” do que tu disseste pelo simples fato de eu discordar da tua opinião de que é censura quando a ação de abreviar a mostra partiu de uma instituição privada e não de um órgão público? Eu não entendi “patavinas” porque considero a comparação com as senhoras católicas pueril e rasa? Eu não entendi “patavinas” porque penso que poderia haver restrições em relação da idade de quem poderia ter acesso à mostra? Eu “entendi patavinas” porque observei que tiveste a mesma atitude que hoje condenas há pouco mais de um mês e que aliás, é regra no seu blog e em blog seja de esquerda, seja de direita? Eu “não entendi patavinas” porque ponderei que os correntistas do Santander, que o financiam para abrigarem mostras como essas se sentiram ofendidos por ela e manifestaram seu legítimo descontentamento com a legítima intenção de fecharem suas contas no banco e que a comparação é descabida com as senhoras católicas – se não é, não seria com a patrulha diária promovida por este blog? Podias aproveitar o ensejo e observar que o acirramento não exclusividade do lado de lá e que Bolsonaros se viabilizam justamente nessas horas. ” Você não entendeu patavinas do meu texto”. Resposta confortável e adequada para seguir na minha bolha. Até.

Responder

    Cynara Menezes em 12/09/2017 - 14h35 comentou:

    o que eu fiz naquele texto foi dizer que não existe nada nem ninguém que seja inatacável. nem chico nem ney nem a exposição queer do santander, nada está acima da crítica. CENSURAR é outra coisa. ou seja, você não entendeu patavinas. até

    Ricardo em 12/09/2017 - 15h18 comentou:

    O que você faz é reafirmar a zona de conforto. Naquela vez toda a crítica mordaz à letra do Chico, mesmo que feita à base uma interpretação literal (binguíssimo: as críticas às obras foram literais?), foram apenas uma crítica. A manifestação de quem se ofendeu com a mostra, é censura. Você vê diferença porque lhe é conveniente. Cansei de ver movimentos parecidos aos do MBL aqui e em redes sociais que forçaram a retratação de textos, apagarem twites, pedidos de desculpas, etc. Aliás, um exemplo prático: Em maio de 2015 a peça “A mulher do Trem” foi cancelada por uma onda de protestos nas…Redes Sociais! Por causa do uso de black face! Binguíssimo! Mas aí era da tua turma, aí não era censura, não é mesmo Cynara? Lembrando que era uma peça patrocinada por outra instituição bancária privada, o Itaú Cultural, numa curiosa coincidência com o caso de agora. O que não tem de coincidência é o fato de que não me recordo de naquela vez você ou alguém do teu espectro político ter berrado: “Censura!” Até porque ajudaram no cancelamento da peça. De forma legítima protestaram. Afinal, ninguém nem nada é inatacável, não é mesmo, Cynara? Uma mostra interrompida é censura. As retratações e o cancelamento a que me refiro devido a patrulha de esquerda não são? Como já disse, a conveniência e a ocasião ditam opinião dada. Como não enxergas assim, diz que eu não entendi. Decerto. Não entendi como você. Insinuar que eu “de forma alguma entendi” é pedantismo, arrogância, insulamento, desinteresse no diálogo. Nessa resposta a mim dizes que a exposição Queer não é inatacável, mas lá em cima trataste de desqualificar sarcasticamente quem não gostou das “obras”: “As neo-senhoras de Santana, gente que nunca entrou numa galeria de arte, subitamente viraram críticos renomados”. É atacável por quem então? Só por você ou meia-dúzia de bebedores de Chopp da Vila Madalena? Diz aí quais os pré-requisitos para avaliar as obras lá expostas? Tem que fazer parte da tua galera? Tu tens as credenciais e quem não gostou naturalmente não as tem? Até.

    Rose em 09/10/2017 - 21h44 comentou:

    Valeu! Obrigada por teu discernimento e tua resposta bem dada, Ricardo.

Júlio César Apollo em 12/09/2017 - 13h33 comentou:

“Cruzando Jesus Cristo com deusa Shiva” o título da obra já demonstra a intenção pérfida de ofender o cristianismo e o induísmo. A tentativa de efeminar o deus Shiva e colocá-lo num “cruzamento” (ato sexual entre animais) mostra a intenção clara de emporcalhar o cristianismo e o induismo. Jesus e Shiva não são macho e fêmea muito menos animais.

Responder

    Hélio em 13/09/2017 - 15h15 comentou:

    “Jesus não eh isso
    Jesus nao eh aquilo”

    Evangélico não eh o dono de Jesus.
    Que nem sua existência tem provada, sutentada por relatos de 2000 anos atrás.

    Acredito no Jesus que quiser, na minha religião Jesus eh isso aí,

    Não gostou? enfia o dedo no cu pra ver se melhora.

    cidadao em 15/09/2017 - 00h39 comentou:

    Ta por fora, ja viu essas gravuras religiosas de templos hindus?

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GILBERTO em 12/09/2017 - 16h32 comentou:

Vamos falar de diversidade e inclusão através da arte. Mas (sempre tem um mas, né?) desde que isso não traga nenhum tipo de ameaça para gregos e baianos, zés e manés e outras espécies. Arte tem de ser insípida, destituída de ousadia, feita pra colocar na sala de estar e mostrar pros parentes que vem fazer visita fora de hora. Arte tem de ser fofa e agradar ao maior número de pessoas possíveis. E o Santander sendo a instituição filantrópica que é, rapidamente defenestrou todo mundo sem maiores discussões afinal, o que os acionistas e clientes iriam falar? Meu banco patrocina ”obras de arte de gosto duvidoso”! Incita parafilias grotescas! Tô chocado, nunca pensei! E o Romero Britto, cadê exposição dele?

Responder

Paulo em 12/09/2017 - 17h37 comentou:

MBL, Bolsonaro e quejandos, a tempestade perfeita, a serpente esta prestes a colocar o ovo, 2018 promete, hoje a noite vou assistir um filme adulto, preciso pedir autorização pro MBL!!!!

Responder

    Celso de Assis Jardim da Silva em 09/10/2017 - 13h12 comentou:

    Desde que você assista para seu entretenimento, tudo bem. Agora se convidares umas crianças para assistires contigo, me convida também que vou aí te prender.

cidadao em 13/09/2017 - 18h00 comentou:

A Igreja Catolica ta cheio de anjos infantis com genitais masculinos.

Artes eroticas da Grecia antiga, como vasos e outros objetos com cenas de sexo, etc.

Templos hindus com sexo até om animais, etc.

Se fosse levado essas artes antigas (que mesmo a contragosto de muitos moralistas são vistos como artes) pra lá queria ver conseguirem usar bom argumento pra retirar exposição sem deixar revelar a motivação puramente moralista religiosa:

https://photos.smugmug.com/Features/Europe/France/France-Haute-Maurienne/i-zsKhRjR/1/83f86947/M/10982-france-haute-maurienne-M.jpg

_______________

Até muitos liberais de “direita”, anti-estado, criticaram o MBL.

____________

Esse videos do Maestro Bogs, Clayson, Pirula fizeram videos muito bons sobre isso:

https://www.youtube.com/watch?v=FpOJ_DK36Do

https://www.youtube.com/watch?v=qK3dWfbZkPQ

https://www.youtube.com/watch?v=7NbbvTa8A8I

https://www.youtube.com/watch?v=vjuCywTioXI

Responder

    Fernando Modesto Borges de Oliveira em 15/09/2017 - 11h47 comentou:

    Fico me perguntando se essa garotada do MBL é, realmente, conservadora ou, aproveitaram as circunstância para agregar capital político a marca MBL.

Luiz Carlos P. Oliveira em 14/09/2017 - 10h42 comentou:

O tal “movimento apartidário” atribuiu à esquerda a realização da exposição. Nada mau para quem se auto-denomina “apartidário”. A ignorância agora estende suas garras para a cultura. Vamos dar uma marreta para cada um desses debilóides e enviá-los à Europa, para que “tentem” quebrar estátuas do Rodin ou de outros artistas, que talvez eles considerem pornográficas.

Responder

Fernando Modesto Borges de Oliveira em 15/09/2017 - 11h35 comentou:

Vocês cortaram a parte que ele se refere aos Deuses africanos, Oxóssi e Ogum, como sendo o capeta. O que achei interessante é que para alguém que é leigo, àquelas são desenhos de pessoas negras, parecem até super heróis, supondo que ele saiba que eles são Deuses, ele foi orientado a pensar que eles são ruins. Em contrapartida, se ofende com a “releitura” de Cristo. Exigem o direito unilateral de liberdade de expressão, são ditadores hipócritas, desde quando a arte precisou passar por plebiscito para ser validada?
O Movimento Bronco Livre quer nos tornar primitivos novamente.

Responder

cidadao em 16/09/2017 - 16h46 comentou:

Pessoal, Cinara, divulga isso aqui la no face e todo lugar q vcs puder:

O Bolsonaro elogiou Japão como exemplo de educação e cultura contra a dita descultura imoral do Brasil, mas sera q Bolsonaro sabe dessa?

https://pt.wikipedia.org/wiki/Kanamara_Matsuri

Kanamara Matsuri —-> Festival de culto ao penis, simbolo da fertilidade, no Japão. A céu aberto, tem até crianças. Imagina se isso fosse levado pro no Brasil como parte da cultura japonesa q ele tanto elogia, será q Bolsonaro e os moralistas iam ficar com cara de desconcertados?

Ah e Bolsonaro ja confessou ter feito zoofilia om galinhas no passado qdo nao tinha muita mulher:

https://www.youtube.com/watch?v=RILZiWfOA7Y

https://www.youtube.com/watch?v=4w4lcbzL5g4

Responder

cidadao em 16/09/2017 - 16h48 comentou:

Esse é festival japonês:

https://www.youtube.com/watch?v=KAFzjd19AVU

https://www.youtube.com/watch?v=YATVqstQRZw

Responder

washington em 07/10/2017 - 22h36 comentou:

Como disse o PAPA se eles querem procurar DEUS nao sou eu que vou julga-los mais cuidado com a IRA DE DEUS.

Responder

    Celso de Assis Jardim da Silva em 09/10/2017 - 13h17 comentou:

    Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor.(Salmos 33:12)
    Infelizmente, há movimentos que utilizam a “arte”, para ridicularizar o Senhor e seus princípios, resultado: Maldição.

Flávia Marinho em 09/10/2017 - 21h43 comentou:

Kkkkkkkkkkkkkk to rindo, mas to tensa. A situação no Brasil é dramática, é um surto coletivo. O texto é ótimo e os comentários são um show à parte. Kkkkkkkkkkkk

Responder

    Beto Gomes em 09/11/2017 - 23h47 comentou:

    Concordo, Flávia. A humanidade está realmente evoluindo? É preocupante ver pessoas com acesso à informação e ao conhecimento falando em fogo do inferno e censurando exposições de arte.

Real Washington em 09/10/2017 - 21h49 comentou:

Washington (o fake): Deus é amor. Você tem ira, Seu pastor tem ira. Quem te vende um lugar no céu tem ira…Deus não tem ira.

Responder

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