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Correios privatizados no mundo não melhoraram prazo de entrega e ficaram mais caros

Projeto de Bolsonaro de privatizar Correios copia ideia de Trump; lá, os trabalhadores do serviço postal já se mobilizam contra

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Cynara Menezes
08 de maio de 2019, 13h38

O ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, disse que o governo pretende incluir os Correios nos planos de privatizações de estatais. A ideia foi confirmada pelo próprio presidente de extrema-direita no twitter, desprezando o fato de a estatal ser superavitária: após prejuízos registrados entre 2103 e 2016, os Correios registraram lucro de 161 milhões de reais em 2018 e de 667,3 milhões de reais em 2017.

Se isso se confirmar, o Brasil será um dos poucos países do mundo a ter um serviço postal privatizado. Detalhe: em nenhum dos países onde isso aconteceu os correios viraram exemplo de sucesso. Pelo contrário, os prazos de entrega continuaram os mesmos ou pioraram e os preços dos serviços foram à estratosfera. Considerado o serviço postal melhor avaliado do mundo, os Correios suíços são uma empresa pública.

Na Alemanha, por exemplo, os correios foram privatizados parcialmente no ano 2000 e totalmente em 2005. Embora o modelo adotado seja citado pelos entusiastas das privatizações, os alemães reclamam que os preços dos serviços postais ficaram incrivelmente altos e sobem todo mês. Em janeiro, o jornal alemão Die Welt noticiou um aumento de até 400% nas postagens para o usuário comum. 38 mil postos de trabalho foram cortados.

Considerada a mais ambiciosa privatização do Reino Unido desde as ferrovias, em 1997, a venda do Royal Mail do Reino Unido, iniciada em 2013 e completada em 2015, cobra hoje um valor 60% maior por um selo do que os correios dos Estados Unidos, que ainda permanecem estatais. As maiores queixas dos britânicos em relação aos correios privatizados são sobre perdas de encomendas e cartas. Atrasos e danos nos pacotes também são alvos frequentes de reclamações. 11 mil trabalhadores foram para a rua.

As maiores queixas dos britânicos em relação aos correios privatizados são sobre perdas de encomendas e cartas. Atrasos e danos nos pacotes também são alvos frequentes de reclamações. 11 mil trabalhadores foram para a rua

Em agosto do ano passado, o Washington Post publicou um artigo afirmando que o plano de Donald Trump de privatizar os correios iria destruí-los. “Os correios estão na vida norte-americana desde 1775, quando o Segundo Congresso Continental nomeou Benjamin Franklin como o primeiro carteiro geral. Atualmente, o serviço postal dos EUA é a agência governamental mais popular do país, com uma taxa de aprovação de quase 90%. Mas agora, o presidente Trump está aparentemente empenhado em destruí-lo”, diz o texto.

Segundo a colunista Catrina Vanden Heuvel, que assina o artigo, quem mais irá sofrer com a privatização, além dos trabalhadores, serão as comunidades rurais. Atualmente, o serviço postal é obrigado a atender todos os norte-americanos, o que não irá ocorrer com uma empresa privada, que cortará postos de atendimento em locais remotos por não serem lucrativos. Uma das ideias que ela defende em vez da privatização é a criação de “bancos postais”, algo similar ao que já acontece no Brasil.

Atualmente, o serviço postal dos EUA é a agência governamental mais popular do país, com uma taxa de aprovação de quase 90%. Mas agora, o presidente Trump está aparentemente empenhado em destruí-lo

Um editorial da Nation lembrou que entre o Dia de Ação de Graças e o fim do ano, os trabalhadores dos correios dos EUA despacham aproximadamente 15 bilhões de cartas e 900 milhões de pacotes “com um nível de eficiência que nunca seria recriado pelo setor privado”. Conclui a revista: “Donald Trump teve um monte de ideias ruins em dois anos como presidente. Mas esta é a pior”.

Os trabalhadores dos Correios dos EUA, ao contrário dos daqui, estão reagindo à privatização, e lançaram uma campanha em defesa do serviço postal como entidade do Estado.

“Nossa mensagem ao público é bastante simples: ‘Serviço Postal dos Estados Unidos –Conserve-o. Ele é seu!'”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios dos EUA, Mark Dimondstein, em um comunicado. “Não venda esse tesouro nacional para interesses privados que irão cobrar mais por menos serviço.” Eles planejam entregar a mensagem em 100 localidades ao redor do país. Além de rejeitar a privatização e alertar para a subida dos preços com a privatização, os trabalhadores também querem acabar com o mito de que os correios são mantidos por impostos.

Aqui no Brasil, os trabalhadores dos Correios fizeram campanha para Bolsonaro.

 

 

 


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Jorge Ferreira da silva em 08/05/2019 - 18h07 comentou:

Estamos fortemente sendo ameaçados, se correr o bicho pega se fica o bicho come, o correio está ferrando todos brasileiros, nossas encomendas não chegam, e aínda não podemos fazer nada, o Brasil em felizmente, está matando o povo, na caneta 🖋.

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Vitório Manoel Juliani em 08/05/2019 - 18h27 comentou:

Atualmente, o correio funciona como transportadora para compras on-line, o preço poderá até aumentar, mas somente quem o utilizar pagará. Atualmente o prejuízo é pago por todos.

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Cladson em 08/05/2019 - 19h07 comentou:

O PT quebrou os correios e a culpa é da empresa…. Isto está maquiando a real interesse da venda ! Provavelmente é caixa dois, comissão de venda ou o nome que quiserem dar!

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Jean carlos em 08/05/2019 - 20h37 comentou:

E por acaso toda essas reclamações tbm n acontecem nos correios daqui? A diferença é q ficaria mais devolver processar pelos danos, coisa q hj é praticamente impossível.

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Clarindo Saunders em 09/05/2019 - 13h09 comentou:

Vitório Manoel, aí que você se engana, a ECT não recebe dinheiro público, pelo contrário, o governo retira dinheiro do Correios quando precisa. No governo Dilma foi retirado 6 bilhões dos fundos dos Correios, com a promessa de devolução, mas nunca foi devolvido.
Em vez de lutar por privatização deveríamos lutar por melhores serviços… Isso em todas as áreas… Saúde, segurança, educação e etc.

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Pedro em 10/05/2019 - 00h09 comentou:

Você quer um serviço melhor ou alguém para processar? Pra serviço melhor tem que cobrar qm tá lá e fiscalizar. Vender a empresa não vai melhorar o serviço, vai acontecer o mesmo que aconteceu com a vivo. Governo vendeu telefonia continuou só ficando mais caro e serviços cada vez piores.

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Pedro em 10/05/2019 - 16h16 comentou:

O blá, blá, blá sobre o que é melhor é interminável. O nosso mundo está pedindo para ser mudado, com urgência.

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Nino em 16/06/2019 - 22h44 comentou:

Boa matéria, mas cuidado para não cair em generalizações, Morena.
Esse funcionário dos Correios aqui nunca fez campanha para Bolsonaro, e na unidade onde trabalho em MG- uma unidade grande, por sinal – bolsominions são minoria absoluta .
Faço esse alerta por que os Correios vão precisar ser defendidos, e não é justo que todos nós- funcionários e população -paguemos o preço por causa de uma pequena parcela de acéfalos que saíram queimando bandeira do PT usando uniforme de carteiro. Até porque esse tipo de atitude partidária não é permitida ao funcionário uniformizado, durante o desempenho de suas atribuições; é contra o estatuto da empresa.
Além de alienados, esse carteiros bolsominions feriram a lei da administração pública com seus atos inconsequentes. Não me representam e não representam os carteiros e funcionários dos Correios em todo o Brasil.
Forte abraço e sigamos lutando!

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Alan Marques da Cruz em 30/08/2019 - 15h18 comentou:

Não foi a maioria dos trabalhadores que apoiaram o Bozzo, e sim uma minoria. Nós funcionários estamos lutando para barrar essa privatização, pois quem vai pagar a conta como sempre serão as pessoas mais pobres.

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