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Coxinhas vão bugar: Temer pretende privatizar a Casa da Moeda, que nos EUA é estatal

Encomendar a empresas privadas a impressão de suas notas de dinheiro é uma característica de países pequenos, tecnologicamente atrasados ou sem soberania, como o Brasil de Temer

Da Redação
23 de agosto de 2017, 20h31

A sanha privatizadora do governo PMDB-PSDB vai atingir até a Casa da Moeda, órgão que imprime as notas e moedas de real e os passaportes. É um movimento que irá confundir os brasileiros de direita, defensores de que nosso país imite os Estados Unidos em tudo: na terra da “livre iniciativa”, este é um serviço estatal, exatamente como é aqui atualmente. Todas as notas de dólares são impressas por uma entidade do governo, o U.S. Bureau of Engraving and Printing, órgão do Departamento do Tesouro. Os governos do Japão e da Coreia do Sul, dois outros países admirados pelos coxinhas, também produzem suas próprias notas.

Criada em 1694, por Dom Pedro II de Portugal, a Casa da Moeda, responsável pela fabricação das cédulas e moedas, além de passaportes e selos, poderá ser vendida à iniciativa privada até o final de 2018. O governo Temer provavelmente irá jogar a impressão dos reais e passaportes nas mãos de uma empresa privada britânica, a maior produtora de notas de dinheiro do mundo, a De La Rue. Fundada em 1821, a De La Rue imprime a libra esterlina e outras moedas em países como Venezuela, Nigéria, Quênia, Iraque, Sri Lanka e Malta.

Em alguns países, como a Austrália, a empresa estatal que imprime as notas também executa o serviço para outras nações, ou seja, dá lucro

A De La Rue já produziu inclusive cédulas no Brasil: as notas de cruzeiros e cruzados que circulavam até o fim da década de 1980, quando a gigante do Reino Unido perdeu a concessão para a estatal Casa da Moeda. A empresa britânica inventou os caixas eletrônicos em 1967 e é a principal fornecedora destes equipamentos aos bancos brasileiros. Não é nada difícil que, com um currículo destes, ganhe a licitação, se houver, e passe a fornecer também os reais para alimentá-las.

Os países que encomendam a empresas privadas a impressão de seu dinheiro em geral são pequenos, tecnologicamente incapazes de fazê-lo ou estão pouco preocupados com sua soberania, exatamente como o Brasil de Temer. Embora privadas, estas empresas não estão livres de cometer falhas.

Em 2005, a empresa privada francesa que imprimia as notas de dinheiro para as Filipinas gravou errado o nome da própria presidenta do país, Gloria Macapagal Arroyo, que apareceu como ARROVO na cédula de 100 pesos. Na Índia, em 2010, causou polêmica a descoberta de que o governo estava mandando imprimir dinheiro nos EUA e na Inglaterra, o que para a oposição soou como um atestado de incompetência. No país, imprimir notas é uma função do estatal Reserve Bank of India. Com os Kirchner no poder, a Argentina fez o caminho inverso ao do Brasil: em 2012, estatizou a gráfica que vivia de produzir cédulas de 100 pesos para o governo e centralizou tudo na Casa da Moeda.

Em 2005, a empresa privada francesa que imprimia as notas de dinheiro para as Filipinas gravou errado o nome da própria presidenta do país, Gloria Macapagal Arroyo, que apareceu como ARROVO na cédula de 100 pesos

Em alguns países, como a Austrália, a empresa estatal que imprime as notas também executa o serviço para outras nações, ou seja, dá lucro. Isso já aconteceu com a nossa Casa da Moeda, que forneceu dinheiro para a Argentina, Paraguai e a Venezuela. O Note Printing Australia, órgão do Reserve Bank of Australia, imprime notas para o Chile, México, Bangladesh, Indonésia, Tailândia, Romênia, Nova Zelândia e outros países. As notas de euro são impressas pelos bancos centrais de cada um dos países membros e pelo Banco Central Europeu.

Além da Casa da Moeda, o governo Temer pretende privatizar a administração de 14 aeroportos, 11 lotes de linhas de transmissão, 15 terminais portuários, a Lotex e a Companhia Docas do Espírito Santo. Ao todo, são 57 projetos de venda de empresas e parcerias público privada. além de parte da Eletrobras, desprezando opiniões que afirmam que o negócio será danoso ao país. O governo afirma que irá arrecadar cerca de 44 bilhões de reais com as privatizações.

 

 


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Alberto Pinto em 23/08/2017 - 21h01 comentou:

Me impressiona a capacidade de ser contra toda inciativa apenas por ser contra.

Num país onde a pouco tempo se deparou com o colapso dos passaportes, num país onde a EMBRAER passou de quase falência à empresa com selo “Brasil que dá certo” ao fazer os olhos do mundo brilhar e do Brasileiro com seu KC390 avião que veio para substituir o Hércules americano.

O que ocorre na casa da moeda é o mesmo que ocorre na IMBEL, existe demanda

(O que na iniciativa privada representa lucro e se tem lucro, logo haverá produção para atender a demanda)

Porém nas estatais, ocorre totalmente o contrário. Há demanda, a união arrecada e não repassa de volta a quem produz, o que afeta a produtividade (Falta de passaportes e armas para venda para civis na IMBEL). A estatal perde com isso, e o cidadão também, enquanto o estado arrecada para gastar como julgar conveniente.

Privatização é afastar as mãos leves das empresas que servem ao Brasil.

Responder

    Giovana em 24/08/2017 - 10h30 comentou:

    O “colapso dos passaportes” não teve nada a ver com o desempenho da Casa da Moeda. Nesta linha, dever-se-ia então privatizar o governo, que foi quem não disponibilizou o orçamento necessário para a produção de passaportes.

    Fernando em 24/08/2017 - 11h04 comentou:

    Alguém já se deu ao trabalho de verificar quanto era o faturamento e lucro da empresa há muito pouco tempo? Alguém já pesquisou como se comporta uma empresa niveladora de produtos de segurança no mercado? Quem toma as decisões, ou seja, seriam os empregado de carreira? A Casa da Moeda tem o parque fabril mais moderno do mundo e se os custos estão inadequados, verifiquem as razões, antes de emitirem comentários sem fundamentação. Continuem comprando notícias de um governo tendencioso e que está desesperado para arrecadar dinheiro antes do término da sua gestão. Porque ninguém questiona que foram gastos em torno de 63 bilhões na construção de estádios para copa do mundo e espera-se arrecadar com as privatizações algo em torno de 45 bilhões.

    John em 27/08/2017 - 03h24 comentou:

    Alberto você vive no mundo da fantasia não é mesmo vou te deixar com algumas frases quem sabe tu consegue raciocinar mesmo eu achando algo impossível

    “Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importarei com quem redige as leis.”
    Mayer Amschel (Bauer) Rothschild

    Todo aquele que controla o volume de dinheiro de qualquer país é o senhor absoluto de toda a indústria e comércio, e quando percebemos que a totalidade do sistema é facilmente controlada, de uma forma ou de outra, por um punhado de gente poderosa no topo, não precisaremos que nos expliquem como se originam os períodos de inflação e depressão.”
    James Garfield
    presidente americano, 1881

    Á uma certa lentidão de raciocínio na direita mas á esse ponto fica difícil hein, vai estudar cara para de passar vergonha na internet.

Paulo Lima em 23/08/2017 - 22h46 comentou:

Nos EUA existem duas moedas corrente (no mínimo… Já houve várias simultâneas). As Federal Reserve Notes, que são emitidas pelo FED (que é um banco PRIVADO) e são, basicamente notas promissórias de dívidas não lastreadas em qualquer tipo de ativo, e as United States Notes, também conhecidas como “Green backs”, que foram emitidas por Abraham Lincoln, durante a guerra civil norte americana.

O US Bureau of Engraving and Printing imprime ambas, mas as notas do Federal Reserve que compõe a maioria do dinheiro circulante no planeta, não necessariamente devem ser impressas pelo Bureau, já que pertencem a um banco privado.

Pode-se ver exemplos das duas moedas nesta foto:

O que as pessoas não compreendem é que não se está falando de “privatizar a Casa da Moeda”. O que está por trás disso é a privatização da emissão de moeda. Isso é entregar aos bancos privados a emissão de moeda, o que significa a total submissão da soberania nacional aos bancos. Se isso acontecer, acabou! Não tem mais saída para a população. É FIM! Ponto final! Se os bancos controlarem a emissão de moeda no país, não importam mais as leis. Eles vão controlar tudo impunemente. Desde o seu Zé da padaria, até a Petrobras e dar uma banana para quem contestar.

Também é interessante notar que o Brasil, na época de FHC, privatizou a emissão de moeda. É por isso que nas notas da época de FHC NÃO APARECE a inscrição “República Federativa do Brasil”, apenas a inscrição “Banco central do Brasil”. Quando Lula assumiu em 2003 e pagou a dívida com o FMI (que é parte do sistema de Breton Woods, criado pelos banqueiros internacionais) o Brasil passou a emitir moeda própria e aí nota-se o aparecimento da inscrição “República Federativa do Brasil” nas notas de Real. Isso significava que tínhamo retomado a nossa soberania e não mais estávamos sob o jugo dos bancos internacionais.

Isso, ninguém aprende na escola, na faculdade, nem em lugar nenhum. É preciso anos de pesquisa própria e individual pra conhecer a história e chegar a essas conclusões.

Responder

    Rafael em 24/08/2017 - 14h52 comentou:

    O que eu posso dizer do seu comentário é muito obrigado.

    Fernando em 24/08/2017 - 18h30 comentou:

    A casa da moeda só fabrica as notas é moedas. Não tem nada a ver com a emissão.

    Fernando em 24/08/2017 - 18h33 comentou:

    A emissão é decidida pelo Banco Central, sempre foi assim, continuará assim, e ao contrário do que disse, não mudou nada depois que Lula entrou.

    John em 27/08/2017 - 03h27 comentou:

    Todo aquele que controla o volume de dinheiro de qualquer país é o senhor absoluto de toda a indústria e comércio, e quando percebemos que a totalidade do sistema é facilmente controlada, de uma forma ou de outra, por um punhado de gente poderosa no topo, não precisaremos que nos expliquem como se originam os períodos de inflação e depressão.”
    James Garfield

Fernando em 23/08/2017 - 22h57 comentou:

O governo consegue comprar cédulas de outras empresas a um custo menor. Prova disso é que neste ano, depois de atrasos da estatal, o Brasil adquiriu cédulas de R$2 a um custo que foi 17% menor que o do Casa da Moeda. Uma prova contundente da ineficácia e ineficiência da estatal, que recaem nos bolsos dos pagadores de impostos.

Aqui o link da matéria:

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,bc-importa-100-milhoes-de-cedulas-de-r-2-e-colecionador-paga-ate-r-4-99-pelas-notas,70001741938

Responder

    John em 27/08/2017 - 03h30 comentou:

    Kkkkkkkkkkkkkk “prova” da ineficacia estatal, bom já que tu gosta de exemplos vou dar dois, JBS e Odebrest, elas também são estatais? mais exemplos os 360 bancos que quebraram nos eua eram estatais? hummmm ta bom vou dar uma piscada aqui pra “prova de eficacia” do modelo privado.

Roberto em 24/08/2017 - 07h24 comentou:

Coxinhas NÃO vão bugar. Eles dirão que os EUA são um país comunista.

Responder

iurutaí em 24/08/2017 - 08h32 comentou:

Impossível “bugar” o que ja é bugado. Presos a uma ideologia que se sustenta em um discurso que não resiste ao crivo da análise material (números! Estatísticas!), nossos caros repetidores de idéias prontas acreditam que soberania, desenvolvimento tecnológico, controle sobre reservas, interesse nacional são conceitos que só fazem sentido quando aplicados aos EUA.

Responder

    Fernando em 24/08/2017 - 18h29 comentou:

    Traz aí as razões pra não privatizar com números e estatísticas, porque eu pus lá no meu comentário

    iurutaí em 25/08/2017 - 17h01 comentou:

    Para o senhor Fernando, talvez o sr. não leia a Folha de São Paulo, mas a economista Laura de Carvalho nela escreveu, ano passado um artigo no qual antecipa e analisa a política de privatizações do atual “governo”. Neste artigo, a autora vale-se de uma ampla análise desenvolvida por economistas do FMI, mostrando a insensatez da venda de ativos estatais para sanar déficits públicos. Constam, também, no artigo os números referentes ao lucro líquido da Casa da Moeda e dos Correios. Como não sou assinante da folha online, passo-lhe o link para uma matéria recente em que o artigo é citado.
    http://www.tijolaco.com.br/blog/deu-prejuizo-vende-os-numeros-de-laura-carvalho/

taciana em 24/08/2017 - 10h41 comentou:

A tentação e ocasião fazem o ladrão.
Nunca vi falar – nem nos piores momentos – em privatizar a Casa da Moeda. Será para fazer mais facilmente as malas de dinheiro?

E que segurança terá a nossa economia se o meio circulante estará em mãos privadas, talvez até estrangeiras?

Responder

Steiger em 24/08/2017 - 17h02 comentou:

Pra mim tá ótimo. Tem estado, sou contra!

Responder

    John em 27/08/2017 - 03h33 comentou:

    espero que você pague plenamente por sua ignorancia, torço para que se ferre mais do que os outros.

Thieres em 24/08/2017 - 18h50 comentou:

Não existe bug nenhum, o que existe, pelo contrário, é unanimidade. Qualquer um da direita vai defender esta desestatização, assim como qualquer outra. Isso se chama estar vinculado a princípios e não a proselitismos da militância.

Responder

    iurutaí em 25/08/2017 - 17h07 comentou:

    A quem servem os princípios, é claro, não interessa; de onde emanam, nem para quais fins apontam. É, eu já desconfiava que se tratava de uma religião, começo a ter certeza.

Ekuka em 30/08/2017 - 09h32 comentou:

No Brasil tem que privatizar tudo, pois todos nós já sabemos que as empresas, servem apenas para fins politicos(cabide de emprego e troca de favores), quanto a privatização da casa da moeda não é diferente, porém tem que ser administradas por uma empresa de outro País, Pais esse não corrupto, tipo Suecia ou Dinamarca.

Responder

Ekuka em 30/08/2017 - 09h34 comentou:

Tudo que o estado administra não funciona afunda.

Responder

Ekuka em 30/08/2017 - 09h37 comentou:

Quem gosta e pede dinheiro é Capitalista. Certo Arnaldo?

Responder

Ekuka em 30/08/2017 - 09h38 comentou:

Comentários devem ser livres e expostos. Assim diz a democrácia.

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