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Direitos Humanos

“Época” acusa ministra Damares de ter adotado criança indígena irregularmente

A Atini, ONG fundada pela ministra, já havia sido denunciada anteriormente por tráfico e sequestro de crianças indígenas

A capa da revista. Foto: reprodução
Da Redação
31 de janeiro de 2019, 15h07

Reportagem de capa da revista Época acusa a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (sic) do governo Bolsonaro, Damares Alves, de ter adotado irregularmente uma criança indígena aos 6 anos de idade, que vive com ela e tem hoje 20 anos, Lulu Kamayurá. A repórter Natália Portinari, que esteve no Parque Nacional do Xingu e assina a reportagem junto com Vinicius Sassine, antecipou no twitter parte do teor do texto, que estará disponível na edição deste fim de semana.

Segundo trecho da matéria disponível no site, Damares se recusou a responder aos repórteres por que não adotou formalmente Lulu. A ministra teria levado a menina para tratar dos dentes e nunca mais devolvido à família. A jovem não foi ouvida. Embora se trate de um assunto particular de Damares, anterior à entrada no governo, ela usou a página oficial do ministério no facebook para publicar uma nota, seguindo o exemplo do ministério da Educação, que usou o perfil do MEC para atacar o jornalista Ancelmo Gois.

“Alguns detalhes se perdem na memória dos índios, mas há um fio condutor que une o relato de todos eles. Lulu deixou a aldeia sob pretexto de fazer um tratamento dentário na cidade e nunca mais voltou. Contam que Damares e Márcia Suzuki, amiga e braço direito da ministra, se apresentaram como missionárias na aldeia. Disseram-se preocupadas com a saúde bucal da menina”, diz a reportagem.

Chorei, e Lulu estava chorando também por deixar a avó. Márcia levou na marra. Disse que ia mandar de volta, que quando entrasse de férias ia mandar aqui. Cadê?

Entrevistada, a avó paterna da menina, Tanamakaru, que a criava, afirmou que Lulu foi levada à força da aldeia pela ministra e sua assessora Márcia Suzuki. “Chorei, e Lulu estava chorando também por deixar a avó. Márcia levou na marra. Disse que ia mandar de volta, que quando entrasse de férias ia mandar aqui. Cadê?”

A Atini Voz Pela Vida, ONG fundada pela ministra, já havia sido denunciada anteriormente pelo Ministério Público de tráfico e sequestro de crianças indígenas. Em 2009, lideranças das nações Yawalapiti, do Mato Grosso, e Kayapó, do Pará, denunciaram à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados a adoção ilegal de crianças indígenas por duas organizações evangélicas –a norte-americana Jovens Com Um Ideal (Jocum) e a brasileira Atini. Segundo os caciques, as duas entidades sequestrariam crianças com a desculpa de que estão evitando o infanticídio.

Segundo disse o cacique Aritana à comissão, há dezenas de casos de desaparecimento de crianças indígenas adotadas por militantes da Atini e Jocum com a desculpa de impedir o infanticídio. A Atini foi processada pelo Ministério Público Federal em 2016 para que indenize os indígenas da nação Karitiana, acusada pela ONG em um documentário de matar recém-nascidos, sendo que os Karitiana não têm o infanticídio como prática de sua cultura. Em Rondônia, onde vivem, os indígenas passaram a ser apontados como “os índios que matam crianças”.

 

 


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Pedro em 31/01/2019 - 22h54 comentou:

Nada que vem dessa gente me surpreende. É o vale tudo. Nem os monarcas absolutos se consideravam tão absolutos. Prender o Lula é fundamental para fazer o que estão fazendo e vão fazer.

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