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Esqueçam as panelas, elas continuarão mudas

A esquerda não devia esperar o arrependimento dos paneleiros: precisa arregaçar as mangas e lutar, conforme sua história e vocação

Charge de Vitor Teixeira
Guilherme Coutinho
31 de outubro de 2017, 11h21

A esquerda precisa parar de exigir da turma do Fora Dilma as mesmas alegorias que eles fizeram durante o processo do impeachment. Já está mais do que claro que a revolta da classe média era contra o resultado das eleições de 2014 e não contra a corrupção. Ademais foi o peculiar canto de suas Le Creusets que promoveram o Sr. Mesóclise de vice decorativo a presidente inimputável. Não dá para reclamar muito de um subproduto das próprias reivindicações.

As panelas não vão soar novamente, não importa o quanto isso seja cobrado. O sentimento de frustração por ter perdido as eleições e o ódio ao PT uniram a direita brasileira em torno do objetivo comum de derrubar Dilma Rousseff. Pequenas divisões internas e diferenças ideológicas não atrapalharam a unidade de um movimento que tomou corpo e se mostrou coeso na maioria do tempo. No entanto, esse movimento não se voltará contra Temer. A maioria daqueles que se rebelaram contra Dilma aprova as reformas plutocratas do atual governo e consideram Temer um mal necessário.

Apesar de não assumir, grupos que se manifestaram a favor do impeachment estão satisfeitos com o peemedebista no Planalto

Os reincidentes casos de corrupção parecem não afetar esse julgamento. A revista piauí, que teve acesso a um grupo de whatsapp do MBL durante dois meses, esclareceu a relação utilitarista do movimento com Temer: “E é o seguinte: vamos tentar botar pra frente essa previdência. Ainda dá tempo. O zumbizão tá lá pra isso kkk”, disparou Renan Santos, um dos líderes do grupo. O movimento Vem Pra Rua divulgou um texto explicando porque ainda não se manifestou como nos tempos de Dilma. “Até o momento, o Vem Pra Rua entende que não há o que justifique uma campanha contra a continuidade do governo Temer. O balanço do que foi feito até agora é positivo. Poderia ter sido melhor? Com certeza, mas ainda é positivo”, disseram no artigo Afinal, o Vem Pra Rua é a favor ou contra Temer?, disponível no site do grupo.

Apesar de não assumir, grupos que se manifestaram a favor do impeachment, de uma forma geral, estão satisfeitos com o peemedebista no Planalto. Talvez por isso, esses grupos tenham dado tanta importância a assuntos que não se relacionam diretamente com política. De repente, pautas como exposições em museus e cenas em novelas passaram a ocupar mais espaço em suas reivindicações do que milhões de reais em apartamentos ou gravações envolvendo senadores e o próprio Presidente da República. A corrupção deixou de ser a pauta central, e a difusão do conservadorismo lança uma nuvem de fumaça sobre o governo mais corrupto da história.

A maioria dos Fora Dilma aprova as reformas plutocratas do atual governo e consideram Temer um mal necessário

Nem mesmo a compra de votos à luz do dia e as duas absolvições de Temer provocaram manifestações. PEC do Teto? Fim da CLT? Leilão do pré-sal? Nada disso provocou uma reação popular como deveria. Temer parece caminhar com tranquilidade para o fim de seu mandato golpista e lesa-pátria. A esquerda não devia esperar o arrependimento dos paneleiros: precisa arregaçar as mangas e lutar, conforme sua história e vocação. O que não pode faltar é o povo nas ruas.

 

 


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José Cláuver em 31/10/2017 - 12h15 comentou:

Concordo com seu diagnóstico, Cynara.

Com o golpe de 2016, a classe média brasileira (e os ricos também, é óbvio) perdeu o pudor de revelar seus sonhos escravocratas. As medidas de destruição do estado e de nossa incipiente rede de proteção social deixam esse pessoal feliz.
Na estupidez reinante no país, ficou “in” ser racista, ser homofóbico, ser inimigo da cultura e das artes, destilar ódio de classe…

Se não fosse o povo pobre e a parte minoritária da elite intelectual do país que ainda insiste em pensar, nosso destino seria a barbárie.

Mas enquanto estivermos vivos, resistiremos.

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    Cynara Menezes em 31/10/2017 - 18h53 comentou:

    o texto é do guilherme coutinho, obrigada

Sergio em 31/10/2017 - 14h56 comentou:

Caríssimo… Nem ouviremos as panelas, mas, seja honesto, porque a prometida luta que a esquerda bradou dizendo: “Não vai ter golpe, VAI TER LUTA”, também não se concretizou. Em suma, as panelas que bateram, rasgando vestes com ódio da corrupção petista, hoje, calaram-se com diante da mesma grosseira corrupção. E por outro lado, quem foi arrancando do poder, também calou-se e NÃO LUTA! Desgraçadamente para nossa nação, ambos os lados ou se conformaram com o governo atual e o sistema político ou desistiram de lutar.

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    Wander Ferreira em 01/11/2017 - 10h20 comentou:

    Pior é que vc tem toda razão

edson campos em 31/10/2017 - 23h23 comentou:

Este povo(manada) do brasil merece tudo que está acontecendo e eu não acredito que este povo tenha consciência, pois em sua maioria, é, sempre foi e sempre será um analfabeto(que não conhece o alfabeto) político. É um povo alienado e que sente prazer em ser colonizado, antes pelos portugueses e agora pelos Estados Unidos, que deveriam ser o exemplo, pois foram colônia e agora são o país mais importante do mundo.

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Gabriel Siqueira Rodrigues em 14/12/2017 - 11h48 comentou:

E a relação utilitarista que o a esquerda tem com Temer? Segundo o datafolha a popularidade do PT só tem crescido durante o governo Temer. Estão fazendo corpo mole no fora Temer. O foco é 2018.

Responder

    Cynara Menezes em 15/12/2017 - 12h05 comentou:

    cresceu porque as pessoas estão se dando conta do que aconteceu e que antes era melhor para TODOS. algumas pessoas, né? porque outras preferem continuar viajando na maionese

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