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Direitos Humanos

LASA: governo Daniel Ortega deve parar com repressão a manifestantes na Nicarágua

Associação de Estudos Latino-Americanos afirma que histórico de ingerência dos EUA não pode ser desculpa para massacrar manifestantes desarmados

Estudante em protesto contra Ortega. Foto: VoA
Da Redação
07 de junho de 2018, 15h48

A Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA, na sigla em inglês), a maior agremiação de profissionais e instituições do mundo dedicada a estudos sobre a América Latina, soltou uma nota oficial instando o presidente da Nicarágua Daniel Ortega a parar de reprimir os manifestantes que protestam contra seu governo. A LASA reconhece o histórico de ingerência estrangeira nos países centro-americanos, mas afirma que isso não pode ser usado como desculpa para a violência contra manifestantes desarmados.

Desde os primeiros protestos contra a reforma da Previdência de Ortega, em abril, já morreram 127 pessoas, de acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e os feridos superam os 1200. Mesmo depois que o presidente retirou a proposta, idealizada com a ajuda do FMI, os protestos continuaram, agora pedindo a renúncia de Ortega e sua mulher, Rosário Murillo, que é vice-presidenta do país. Opositores e sandinistas acusam o casal de criar uma nova dinastia na Nicarágua, similar ao ditador que a revolução derrubou, Anastacio Somoza. “Ortega, Somoza, son la misma cosa”, bradam os manifestantes.

Desde os primeiros protestos contra a reforma da Previdência de Ortega, em abril, já morreram 127 pessoas, de acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e os feridos superam os 1200

Segundo a LASA, o governo supostamente de esquerda de Ortega encampou “a repressão mais violenta que experimentou o país em décadas” e comparou os jovens mortos aos sandinistas que lutaram contra Somoza. “Estamos tristes e horrorizados pela violência desatada contra cidadãos que exercem seu direito de protestar. Choramos pelos mortos e suas família, e por aqueles cujos parentes ainda estão desaparecidos”, diz a nota. “Como acadêmicos que dedicaram suas carreiras a pesquisas na América Central e a trabalhar com o povo da Nicarágua, queremos expressar nossa profunda preocupação pelas violações extremas dos direitos humanos básicos que se produziram no país. Nenhum governo deve reprimir violentamente seus próprios cidadãos por expressar suas opiniões, nem deve tratar de evitar que a imprensa informe sobre esses protestos.”

“Nos preocupam especialmente os ataques aos campus universitários e a repressão aos estudantes. Como nos EUA, onde jovens manifestantes contra a violência policial sob o lema Black Lives Matter foram caluniados como ‘pistoleiros’, os estudantes nicaraguenses que participaram dos protestos foram acusados de ser ‘delinquentes’ e membros de gangues”, continua o texto. “Esses jovens nicaraguenses que tomaram as ruas ou seus campus são os herdeiros da juventude sandinista que lutou contr o regime de Somoza para construir um futuro melhor para seu país. Como aqueles que os precederam, esperamos que os sacrifícios desta nova geração não sejam em vão.”

Estamos tristes e horrorizados pela violência desatada contra cidadãos que exercem seu direito de protestar. É com profunda tristeza que escrevemos isso. A Nicarágua foi um farol de esperança para muitos no mundo todo

Para a associação, as medidas que devem ser tomadas são: parar a repressão ao protesto pacífico; permitir uma investigação exaustiva e imparcial da violência; punir os agentes estatais e outros responsáveis pela violência; libertar os presos políticos; participar do diálogo com a sociedade civil; garantir a segurança física dos estudantes, professores e funcionários da universidade; e respeitar a integridade dos campus universitários.

“Nos apressamos a agregar que estas medidas devem ser tomadas por iniciativa do povo nicaraguense e seus representantes constituídos. Dada a longa e trágica história do imperialismo estadunidense na América Central e os muitos problemas regionais que têm suas raízes nas intervenções estrangeiras, somos conscientes da necessidade de respeitar a soberania da Nicarágua”, adverte a LASA. “No entanto, isso não exclui as críticas à violência tolerada pelo governo contra manifestantes desarmados.”

Ao final, a Associação, cujo último congresso, em maio, teve uma maioria de representantes de Cuba, lamentou: “É com profunda tristeza que escrevemos isso. A Nicarágua foi um farol de esperança para muitos no mundo todo comprometidos com a justiça social. Esperamos sinceramente que possa voltar a sê-lo”.


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Ana Mercedes em 07/06/2018 - 18h36 comentou:

Obrigada, Socialista Morena, por falar sobre o que acontece na Nicarágua, denunciar de maneira clara e firme a farsa de Daniel Ortega e apoiar a luta do povo nicaraguense! Você é uma das poucas que rompe o silêncio e indiferença da esquerda no Brasil.

Responder

    Cynara Menezes em 08/06/2018 - 00h03 comentou:

    é meu dever separar o joio do trigo. obrigada pela leitura

John em 04/08/2018 - 21h14 comentou:

Será mesmo cynara que é isso que está acontecendo lá? será que não é mais uma primavera arabe agora em continente americano? eu não como se aceita rapidamente os julgamentos que se ouve e se le na mídia hegemônica sem o filtro das experiencias com golpes passados, ainda mais na nicaragua que já foi vitima de diversas tentativas de golpe.

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John em 04/08/2018 - 21h16 comentou:

A justificativa é sempre a mesma “manifestantes desarmados”, mas se recordarmos bem os videos que saíram dos chamados “desarmados” na venezuela identificamos varios deles armados até os dentes, provocando atentados para desestabilizar o governo, acho que é um pouco falha essa cobertura já aceitando o erro sem uma analise mais critica da situação da nicaragua, ainda mais vinda de organizações que nem conhecemos direito ( e aposto que nem você as conhece tão bem assim)

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