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O que o MBL e os terraplanistas têm em comum?

Difícil eleger quem está mais fora de órbita, se os terraplanistas, que acham que a Terra é plana, ou os emebeelistas, que acham que a Globo é comunista

O mundo segundo o MBL, ops, os terraplanistas. Mapa de Antar Dayal
Guilherme Coutinho
28 de dezembro de 2017, 15h48

Os terraplanistas, aquele grupo bizarro que acredita que a Terra é plana, e o MBL, aquele grupo que defende a reforma trabalhista sem nunca ter trabalhado, têm muitas coisas em comum. Ambos propagam ideias medievais, desafiam a lógica e, por incrível que pareça, possuem um crescente número de seguidores nas redes sociais. Mas existe uma outra semelhança peculiar: os dois movimentos costumam usar o termo “globalista” para, por motivos diferentes, denominar seus contraditores. Enquanto que para os terraplanistas o termo remete ao grupo que “insiste em acreditar” que a Terra possui formato esférico, para a turma de Kim Kataguiri, globalista se refere à agenda da Rede Globo –para eles, uma emissora comunista. Difícil eleger quem está mais fora de órbita.

Apontar as Organizações Globo como um símbolo de esquerda é um sintoma do delírio conservador do MBL. A bem da verdade, o conglomerado dos irmãos Marinho é a perfeita antítese do comunismo e da esquerda: uma megacorporação capitalista, que construiu seu império graças à ajuda dos militares, cuja ditadura apoiou desde a primeira hora, e que representa, em tempo integral, os maiores detentores de capital do país –seus anunciantes, por sinal. Ao tentar criar esse tipo de factoide, o MBL desinforma os milhões de seguidores, atraindo-os para um campo ainda mais conservador, com um discurso sem o menor compromisso com a realidade. Como se não bastassem as fake news que dissemina nas redes sociais…

Quando marchou ao lado do MBL no golpe e no apoio à "reforma" trabalhista e à PEC do teto, a Globo deixou de ser "comunista" na hora

Essa narrativa nonsense e aparentemente pontual começou quando o grupelho comemorou o fim do Esquenta, dominical apresentado por Regina Casé, para eles um programa de “extrema-esquerda”, no final do ano passado. Tamanha sandice passaria despercebida, mas a alcunha de esquerdista da “agenda globalista” da emissora virou assunto frequente a partir daí. A Globo foi tachada de comunista por não se alinhar ao grupo em temas como a absurda censura da exposição QueerMuseu no Santander Cultural, em Porto Alegre, e o estatuto do desarmamento. Os ataques se intensificaram quando os emebeelistas temeram a pré-candidatura de Luciano Huck, que parecia ameaçar os planos de seus candidatos favoritos, João Doria entre eles.

Mas MBL e Globo nem sempre ficaram de lados opostos. Como se pode imaginar, duas instituições conservadoras, de direita e protagonistas no processo injusto de destituição de Dilma Rousseff militaram juntos em temas como a “reforma” trabalhista e a PEC do teto dos gastos. Nesses casos, a emissora deixou de ser “comunista” na hora; afinal, na maioria das vezes, criticar a postura da Globo é fazer uma crítica indireta à própria ideologia política, atirar no próprio pé. Em 2017 o MBL mentiu, manipulou, censurou e difundiu o ultraconservadorismo cada vez mais presente na nossa sociedade. A Globo também não foi por um caminho muito diferente: seguiu sua vocação direitista e conservadora ao apoiar pautas elitistas e plutocratas, além de encobertar corruptos aliados, sobretudo os tucanos.

A Globo da foice e do martelo só existe nos devaneios febris do MBL, tão distante da realidade quanto o geocentrismo. Mas, na disputa sobre quem é mais aloprado, pelo menos nos terraplanistas o delírio não é movido a canalhice.

 

 


(8) comentários Escrever comentário

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Sergio em 28/12/2017 - 18h30 comentou:

Erro no texto! A Globo não é conservadora! Não faz parte da agenda conservadora defender a ideologia de gênero. A Globo se move conforme seus interesses. Ora conservadora! Ora progressista. Ora de direita. Ora de esquerda. Mas, em tudo, sempre ela em primeiro lugar. Outra, Kim Kataguiri tem muio em comum, por exemplo com a Deputada do PC do B Luciana Santos. Ambos falam e… Não saem do canto! Um, rasgava as vestes por causa da corrupção no governo de “esquerda” do pt, e hoje… silencia! A outra disse que “não vai ter golpe, vai ter luta”, e hoje… não luta nada! É uma pena para o Brasil! Por isso que Temer permance firme e forte no poder.

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    Danilo em 02/01/2018 - 16h00 comentou:

    Concordo que a Globo mude “de lado” sempre, porém, a úncia vez que a Globo usou a camiseta “das esquerdas” foi na eleição municipal do Rio, no entrave do Freixo (psolista) e o Crivella. Pois, o que estava em disputa era muito mais um Globo vs. Record/IURD.

    ROBSON em 23/01/2018 - 11h04 comentou:

    MBL é uma aberração, uma anomalia do mundo moderno que tem que ser enterrado pra sempre!!

Paulo Martins em 29/12/2017 - 15h05 comentou:

Enquanto estes canalhas imberbes do MBL não levarem um pau de torcer a boca eles continuarão,cada vez mais,a investir contra o povo e a favor de uma agenda fascista.A esquerda está aturando calada,na base do dar a outra face e só vai se estrepar,como sempre.Na hora em que acordar e responder à altura do que esta canalha merece,eles sumirão do mapa.Afinal onde se escondiam estes ratos antes de 2013?

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iurutaí em 31/12/2017 - 10h33 comentou:

Eu incluiria na disputa o psol, nas pessoas de seus luminares: Luciana Genro e Marcelo Freixo, tão ali cabeça a cabeça, com o terraplanismo e o canhestro moralismo mebelista.

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Marcos F. em 01/01/2018 - 16h30 comentou:

Vou fugir do assunto. É só uma observação. O MBL ataca temas difusos e sem muito senso de argumento e crítica na sociedade pois é a única saída para esse grupo justificar sua existência. Se falar de corrupção vão precisar se voltar contra o governo de Michel Temer e isso eles não podem fazer. Sobra para quem? Para a arte, para o estilo de roupa, a sexualidade, enfim. O tema “moral e os bons costumes” é um tema simples e de fácil assimilação. Todos têm um discurso moralista. Entretanto, fico estarrecido como é fácil vender esses discursos superficiais para uma sociedade como a nossa. E curioso. O MBL não entra em temas sérios da estrutura do país, exemplos: não se discute uma reforma econômica mais democrática e de integração para estimular a concorrência; criar uma nova classe média empresarial (não estamos falando só de empreendedorismo); promover o debate e estímulo a concorrência para um crédito mais barato; estimular as economias regionais – muitas cidades brasileiras têm suas economias locais reprimidas ou mortas (não pelo seu dinamismo somente) – enfim… essas pautas é que são reais. Acho, e fico no campo do achismo, que os seguidores desse grupo sentem em seu dia a dia isso, ainda que subjetivamente. Só não expressam. Ou não conseguem se expressar da realidade que vivem. O MBL representa o discurso da estrutura empresarial velha, que agrupa empresários irrelevantes (em determinadas áreas) e empresários lesivos ao país. É isso que eles não podem combater. Já os seguidores deles não. Os seguidores do MBL querem espaços para suas ambições e anseios financeiros maiores. É um jogo enroscado para esse grupo. O MBL vai precisar de muitos discursos genéricos, simplificativos para tentar justificar o que não pode entregar. Porém quem defende o modelo econômico livre, menos Estado – não cairia no discurso dessa gente tão facilmente, esse grupo é um deformador da opinião pública. Agrega interesses dos que querem manter tudo como está. Contradições atrás de contradições, é o que vamos ver sempre.

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Pedro em 27/01/2018 - 09h43 comentou:

A Globo é apenas casuísta, como qualquer organização que vive de dinheiro do governo. Se o Psdb ou o Pt pagar por comerciais, obviamente a emissora, como qualquer outra, vai falar bem!

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Matheus em 31/01/2018 - 11h43 comentou:

Vocês ainda dividem o mundo em direita e esquerda? O mundo é mais complexo que dividir tudo em dois lados, por favor.

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