O “muro comunista” acabou. Os muros capitalistas continuam lá

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(O muro entre os EUA e o México. Foto: Ilcp)

O pré-candidato da direita nos EUA, o xenófobo Donald Trump, prometeu, se eleito, ampliar o muro já existente entre seu país e o México: quer que TODA a fronteira entre os EUA e o vizinho passe a ser cercada. A princípio ele propôs um muro de 3200 quilômetros, mas após engenheiros demonstrarem que seria preciso um volume de concreto suficiente para erguer seis novas pirâmides de Giza, ele reduziu a extensão à metade.

Lá se vão 26 anos (completados em novembro) desde que o muro de Berlim caiu em nome do “fim do comunismo”. Desde então, o capitalismo ergueu outros muros, nenhum deles derrubado em nome de qualquer luta pela democracia. Os muros que continuam de pé em geral separam ricos de pobres. No Brasil chegaram a construir um muro separando o morro Santa Marta da zona Sul do Rio.

Será que, na verdade, o problema não está nos muros em si, mas em quem os constrói? Veja muros pelo mundo que não sofrem tantas críticas quanto o muro de Berlim, com toda a razão, sofria.

O muro entre os Estados Unidos e o México continua lá.

O muro que separa os palestinos de Israel continua lá.

O muro que separa ricos e pobres no Peru continua lá.

O muro em Buenos Aires entre a favela Rodrigo Bueno e o chique Puerto Madero continua lá.

O muro entre o Marrocos e a Espanha que impede os imigrantes de entrar continua lá.

Os Muros, por Eduardo Galeano:

 

 

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Publicado em 20 de dezembro de 2015