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Um ano atrás, o Brasil fazia uma burrada histórica: trocava Dilma pelo baixo clero

Em agosto de 2016, uma mulher honesta foi golpeada por um movimento encabeçado pela mídia comercial, empresários sanguessugas, setores do judiciário e os políticos mais corruptos do país. E só decaiu desde então

A presidenta Dilma no Senado, um ano atrás. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Cynara Menezes
31 de agosto de 2017, 23h42

Faz um ano já. Um ano que a presidenta Dilma Rousseff, uma mulher honesta, foi arrancada do cargo para o qual foi reeleita, golpeada por um movimento encabeçado pela mídia comercial, empresários sanguessugas, setores do judiciário e os políticos mais corruptos do país. Este grupo conseguiu convencer um bando de incautos de que tirar Dilma do cargo era lutar contra a corrupção. E eles caíram que nem patinhos.

O que aconteceu desde então? O efeito imediato foi o Brasil decair aos olhos do mundo. Aquele país emergente, que desde a ascensão de Lula ao poder, em 2003, tinha começado a ter voz e a ser respeitado lá fora, voltou a ser uma republiqueta, um daqueles lugares remotos e atrasados onde ainda acontecem golpes de Estado e funcionários do governo são barrados em aeroportos. A cafonice do presidente ilegítimo veio a calhar para a debacle da nação.

O projeto que foi colocado em curso pelos golpistas é o do partido derrotado, o PSDB, só que piorado. A parte tucana é a venda de todo o patrimônio público brasileiro. É até engraçado como tucano parece ter fetiche por privatizações. É do PSDB também o assassinato da CLT e dos direitos dos trabalhadores, assim como o fim da aposentadoria. De volta ao governo sem votos, a principal função dos tucanos é, como sempre, agradar empresário. Eles inclusive parecem empresários, quando não são.

A poderosa Globo pensou que ia dar as cartas no pós-golpe, descobriu que esta turma é mais difícil de dobrar do que imaginava, e perdeu. Subestimou Temer e seu exército de Wlads tatuados, Gatos Angorás e Fufucas

Tragicamente para o país, movidos por estes interesses, os tucanos sustentam o PMDB no poder, e todo o baixo clero do Congresso Nacional. O PT, sobretudo Lula, mantinha o baixo clero razoavelmente sob controle. O PSDB não tem nenhum controle sobre ele; são aliados, parceiros. Os tucanos não-governistas estão na mesma posição que a Globo; achavam que poderiam dar o golpe no baixo clero e ter um governo-tampão liderado por, quem sabe?, Fernando Henrique Cardoso. Assim, provariam ao mundo que também são capazes de criar um Brasil de fato importante, protagonista global, como o de Lula no seu auge –coisa que o príncipe da Sociologia nunca logrou. E o que nos tornamos depois do impeachment de Dilma? Uma província periférica obscura, imersa em corrupção e ignorância.

A poderosa Globo pensou que ia dar as cartas no pós-golpe, descobriu que esta turma é mais difícil de dobrar do que imaginava, e perdeu. Subestimou Temer e seu exército de Wlads tatuados, Gatos Angorás e Fufucas. Esta gente aparentemente exótica é o que há de mais perigoso que sempre existiu no Congresso, porque são sinônimo de clientelismo, fisiologismo, duas palavrinhas que definem a má política e paradoxalmente eternizam no poder aqueles que as praticam como ofício. Duas características do PMDB de Temer.

A parte do baixo clero no “projeto” é principalmente a questão das terras e da mineração. Sem nenhum obstáculo no caminho, os peemedebistas (e pepistas, demistas, o baixo clero está em tudo) irão tratorar tudo. Vão acabar com um monte de reservas indígenas, vão explorar o subsolo, vão vender para estrangeiros. E, para “economizar”, vão cortar tudo que possa ser considerado gasto social. Como sabem se mover nos subterrâneos como ninguém, os baixocleristas já tomaram conta dos cargos de segundo escalão em todas as repartições Brasil afora. Será que conseguiremos nos livrar deles agora que chegaram ao poder? Tenho dúvidas.

O mais trágico desse pós-golpe é que nada, nada indica que estas “ideias” e “reformas” que o consórcio PSDB-PMDB está levando a cabo irão fazer a economia melhorar. Pelo contrário, o que se desenha é aumentar a desigualdade e a pobreza e levar à ruína do país, de todos. Acordarão os empresários a tempo? Da mídia comercial não esperamos mais nada. Quanto egoísmo, quanto desamor pelo país, quanta irresponsabilidade.

Este é o Brasil após um ano sem Dilma. Eu sinto saudade da minha ex.

 


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Leandro em 01/09/2017 - 19h29 comentou:

Texto quase perfeito. Só trocaria no lugar de “empresários”, um “grandes empresários” ou ainda, “os detentores do grande capital” Porque os empresários pequenos e médios são os incautos que caíram como patinhos nesse golpe vestindo camisas da CBF pra bater panelas e foram só massa de manobra. É aquele povinho que se acha rico, que gosta de exclusividades, a odiosa classe média que a Marilena Chauí define bem.

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Elizabeth Paz de Almeida em 03/09/2017 - 01h07 comentou:

Quase tudo já foi dito. O que falta, e já está tardando, é ação organizada e urgente a EXIGIR JUSTIÇA!! Para que Dilma retome o seu mandato , interrompa toda essa insanidade , a fim de preparar , com um mínimo de tranquilidade e o máximo de esperança , o futuro governo.

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