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13 mentiras (e uma omissão) do “documentário” do MBL sobre o golpe

Fiz o sacrifício de assistir ao filme para ver quantos erros factuais eles utilizaram para montar sua “realidade” sobre a destituição de Dilma

Foto: reprodução
Cynara Menezes
10 de fevereiro de 2020, 18h09

A mídia comercial, a direita e a extrema direita não cansam de repetir que há muitas “mentiras” no filme da Petra Costa sobre o golpe, Democracia em Vertigem, indicado ao Oscar de melhor documentário. Um dos grupos que acusa a cineasta de mentir é o MBL (Movimento Brasil Livre), que ajudou a consolidar a farsa do impeachment levando gente cúmplice ou desavisada às ruas a partir da reeleição de Dilma Rousseff, em 2014.

O MBL também fez um documentário sobre o golpe, disponibilizado às vésperas da cerimônia de premiação em Hollywood na página do deputado Mamãe Falei no youtube. Mamãe Falei chegou a publicar um vídeo apontando “todas as mentiras” do filme de Petra. Pois bem: decidi fazer o sacrifício de assistir ao doc do MBL para ver quantos erros factuais eles utilizaram para montar sua “realidade”.

Enquanto o filme da Petra traz uma visão feminista do golpe contra a primeira mulher presidenta do Brasil, o documentário do MBL só tem homem. Contei cinco mulheres dando entrevista no meio da macharada, entre elas Janaína Paschoal

Assim como o filme de Petra Costa é narrado por ela mesma, o do MBL é narrado por um dos fundadores do MBL, Alexandre Henrique Ferreira dos Santos, o “Salsicha”. As coincidências param aí: enquanto o filme da Petra traz uma visão feminista do golpe contra a primeira mulher presidenta do Brasil, o documentário do MBL só tem homem. Contei cinco mulheres dando entrevista no meio da macharada, sendo uma delas Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment.

Os erros que encontrei no filme:

1. O Foro de São Paulo é de extrema esquerda e foi criado depois da vitória de Lula, em 2002: o Foro foi criado em 1990, quando Fernando Collor ainda era presidente, como uma iniciativa contra as políticas neoliberais em nosso continente. À exceção do Partido Comunista Cubano, todos os partidos filiados ao Foro são de esquerda, social-democratas ou de centro esquerda. Chegaram ao poder não por luta armada, o que os caracterizaria como de “extrema esquerda”, e sim democraticamente, pelas urnas.

2. As Farc se aliaram ao foro de São Paulo: essa é uma fake news várias vezes repetida para que se torne verdade, como ensinava o nazista Joseph Goebbels. As Farc não só nunca integraram o Foro de São Paulo como, em 2005, o PT barrou a entrada de representantes das Farc em um encontro do grupo.

3. Lula “usava os cofres do BNDES para financiar seus amigos ditadores”: essa mentira foi desmontada totalmente por uma auditoria feita pelo próprio BNDES . O banco torrou nada menos que 48 milhões de reais de dinheiro público para chegar à conclusão que nunca existiu uma “caixa preta” e que não houve nenhuma irregularidade nos empréstimos durante os governos Lula e Dilma.

4. Alexandre Borges, um dos gurus do MBL, é “cientista político”: não é, é publicitário, segundo o perfil dele no Linkedin. Borges não tem formação em Ciência Política para ser apresentado como “cientista”, como faz o filme. Ele próprio se apresenta como “analista”, não como cientista.

“Cientista político”?

5. O MBL conseguiu levar gente para as ruas apenas com a ajuda do Vem Pra Rua: na verdade, a mídia comercial passou a divulgar todas as manifestações contra o governo Dilma, funcionando como divulgadora dos protestos. A Globo anunciava em seus noticiários os protestos com data e hora, convocando as pessoas para as ruas.

6. O PT pediu o impeachment de FHC: isso nunca aconteceu formalmente. Alguns setores do partido fizeram de fato esta proposta, mas, em 1999, o líder máximo do PT, Lula, manifestou com todas as letras ser contrário ao impeachment de FHC. “Se eu achar que, porque as coisas estão ruins, o presidente tem de renunciar, daqui a pouco vai ter gente defendendo a renúncia dos governadores do PT. Aí, vai virar moda no Brasil”, declarou Lula.

7. A “marcha” do MBL a Brasília em maio de 2015 para pedir o impeachment de Dilma foi um sucesso: a real é que foi um fiasco. Não teve cobertura dos veículos de comunicação e as “milhares de pessoas” que eles esperavam que se unissem à marcha nunca apareceram.

“Multidão” na marcha do MBL em 2015

8. O “Revoltados Online” não participou ao lado do MBL dos protestos contra Dilma: logo no início, o documentário afirma que os dois grupos se afastaram imediatamente, porque os Revoltados tinham bandeiras com as quais o MBL não concordava, como “intervenção militar”. Segundo o filme, a intenção do MBL era “isolar” o líder dos Revoltados, Marcello Reis. No entanto, durante o decorrer do documentário, Marcello aparece várias vezes lado a lado com o MBL. Eles só começam a se distanciar de fato em outubro de 2015.

O líder dos Revoltados e Kim, lado a lado

9. A economia ia mal no governo Dilma em 2015: segundo o insuspeito Jornal da Globo, em janeiro de 2015, antes de os golpistas desestabilizarem o país, o desemprego era o menor da História. “O Brasil fechou 2014 com a menor taxa de desemprego já registrada. Na média do ano, ficaram sem trabalho 4,8% dos brasileiros pesquisados pelo IBGE”, dizia a reportagem. O desemprego está hoje em 11%, sendo que a informalidade tem atingido níveis recordes: 41,1% da população ocupada não têm carteira assinada.

10. Helio Bicudo, um dos autores do processo de impeachment, é “fundador do PT”: o próprio Bicudo desmentia essa informação. “Não participei da sua fundação”, disse Bicudo em entrevista em 2001, informando que só se filiaria ao partido mais tarde, em 1982, três anos depois da fundação do partido, quando se candidatou a vice de Lula na campanha pelo governo de São Paulo.

11. O movimento pró-impeachment era “apartidário”: a frase tantas vezes dita por Kataguiri e outros membros do MBL é desmentida pela História. O impeachment não teria acontecido se o PSDB, derrotado nas urnas em 2014, não tivesse pago 45 mil reais a Janaína Paschoal e Miguel Reale Junior para fazer o pedido. E se Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, do PMDB, não tivesse acatado. Em maio de 2016, vieram à tona áudios com um dos fundadores do MBL, Renan Antônio Ferreira dos Santos (irmão do narrador do doc), mostrando que os partidos financiaram os atos contra Dilma.

12. As “pedaladas fiscais” constituem crime de responsabilidade, o que legitimaria o impeachment: nunca houve consenso jurídico a este respeito. Enquanto os juristas ligados ao PSDB diziam que é crime de responsabilidade, outros afirmavam que não. Uma perícia feita por especialistas do Senado mostrou que não houve crime de responsabilidade nas pedaladas. Portanto, o amparo da Constituição ao impeachment não existiu, daí a esquerda falar em “golpe”.

13. O golpe foi dado para “restaurar a democracia” e “interromper um projeto autoritário” no Brasil: essa é a tese central do documentário do MBL. “O nascimento de um Brasil livre”, diz o subtítulo do filme. Mas, quase quatro anos após Dilma deixar o poder, a democracia no país nunca esteve tão ameaçada. Censura de obras de arte (o próprio MBL começou com isso ao impedir a exposição Queermuseu em Porto Alegre, em 2017), ameaças à imprensa e a jornalistas, uso de dinheiro público para atacar adversários (como a cineasta Petra Costa, alvo do perfil oficial da Secom nas redes sociais), ameaça de “novo AI-5” por parte dos filhos do presidente e seus auxiliares… O próprio Kim Kataguiri, o “apartidário” eleito deputado federal pelo DEM, ataca Carlos Bolsonaro, dizendo que “é um perigo para a democracia”, e que seu irmão Eduardo é “um Che Guevara de sinal trocado”. Que “Brasil livre” é esse? Hoje, ao contrário da época do PT, não temos nem sequer segurança de que haverá eleições presidenciais em 2022.

E a omissão: O documentário do MBL, diferentemente do de Petra, omite os votos mais ridículos dados pela turma em favor do impeachment na Câmara, em que a grande maioria repete por que está tomando a decisão: “pela minha família”. Apenas os votos mais “patrióticos” e fundamentados entram no filme, escondendo dos espectadores o circo lamentável e constrangedor que resultou na destituição que ajudaram a engendrar, não se sabe com que dinheiro, já que o documentário tampouco deixa claro quem financiou ou financia o MBL.

Confira você mesmo.

UPDATE: o MBL publicou DOIS VÍDEOS tentando rebater este post. Segundo eles, as mentiras contadas são apenas “questões semânticas”. Tucanaram a mentira.

 

 

 

 

 


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(22) comentários Escrever comentário

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Rodrigo em 10/02/2020 - 18h53 comentou:

Depois do impeachment da Dilma o mimimi era de que não haveria eleições em 2018, agora é 2022. Parece que vocês vivem em uma eterna espera por uma ditadura, como se desejassem isso.

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    Cynara Menezes em 11/02/2020 - 12h31 comentou:

    por que será, né? será que é porque os que vocês colocaram no poder adoram a ditadura, homenageiam torturadores e vivem falando em “novo AI-5”?

Hudson Campos em 10/02/2020 - 19h44 comentou:

Cynara, obrigado pelo convite, mas não sei se tenho estômago pra assistir a essa obra (aqui no sentido de obrar, usado no século XIX). Fico com sua análise, que já me contemplam… abs.

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Caverninha em 11/02/2020 - 06h23 comentou:

Confira EU mesmo? Deus me livre!

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Roberval Alves Portela em 11/02/2020 - 08h24 comentou:

Excelente trabalho, parabéns.

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Sergio Caldieri em 11/02/2020 - 13h14 comentou:

Perfeito Cynara, parabéns!
O golpe ainda teve o apoio cultural da CIA e Mossad.

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Marcelo Alves em 11/02/2020 - 19h37 comentou:

Assisti os dois documentário, pra min os dois e ruim, mais ainda acho o democracia em vertigem pior !!!! Na minha opinião o democracia em vertigem conta uma historia mais fantasiosa !! E sobre essa publicação não concordo pois não vi essas coisa que ela diz que e mentira !!! Mas e como eu digo os dois e ruim e melhor ir ver o filme do pele !!kk desculpa a brincadeira mas e minha opinião !!!!

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Marcelo Alves em 11/02/2020 - 19h42 comentou:

KKKK desculpa os erros de portugues !! Acontece !! Mals

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Paulo Roberto Martins em 12/02/2020 - 10h49 comentou:

Mimimi é o que a direita faz quando se procura mostrar os vínculos deste presidente sórdido com as milicias criminosas do Rio de Janeiro. Mimimi é a lorota religiosa e falso moralismo que estão querendo socar a toda a população,é o falso pudor e o empoderamento das máfias evangélicas na política nacional.Bando de safados,todos!

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Esmerindo Bernardes em 12/02/2020 - 20h07 comentou:

Bravíssimo Cynara! A verdade (fatos) é uma excelente aroeira no lombo desses falsos moralistas mentecaptos. Foi horrível também entrar numa loja da rede de supermercados daquele que acusou o PT de ter sido o autor de seu sequestro (posteriormente desmentido) e ouvir aquela música chata convidando clientes para irem “prá rua”.

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Marcos em 13/02/2020 - 13h18 comentou:

PT pediu SIM o Impeachment de FHC, não apenas uma vez… Milton Temer, Jacques Wagner protocolaram pedidos de impeachment.

https://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/18/politica/1460937256_657828.html

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Fabiano em 13/02/2020 - 17h20 comentou:

Parabéns pelo “excelente” artigo. Tiro pela culatra. Apenas reforça que o documentário feito pelo MBL está MUITO MAIS de acordo com os fatos do que foi o processo de impeachment da marionete que ganhou vida própria… Democracia em Vertigem nem deveria ser classificado como “Documentário”, mas sim uma obra de ficção de uma menininha mimada e birrenta sobre sua visão pessoal de mundo…

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    Cynara Menezes em 14/02/2020 - 10h09 comentou:

    chola mais, não é assim que vocês falam?

Roberto Araujo em 13/02/2020 - 22h49 comentou:

Se houvesse o Oscar da resistência, ele iria pra você, Cynara, por ter suportado o filme deste indigente e indigesto movimento.

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Silvio Filho em 17/02/2020 - 10h48 comentou:

Eu vejo pessoas que por terem perdido a eleição dizem que o governo não é legítimo e que a democracia está em risco.
Temos hoje um presidente eleito seguindo todo o processo democrático, temos a Petra indo para os EUA e falando tanta, mas tanta bobagem que fica difícil levar em consideração QUALQUER coisa que a esquerda fale.
O Governo do PT roubou e não roubou pouco, a Dilma cometeu os crimes pelos quais sofreu o impeachment.
Nada mudou na democracia, eleições continuam acontecendo normalmente, porém, a turma da militância de esquerda prefere colocar a culpa em um espantalho do que entender que errou e que não é isso que o povo quer.
Legal falar de ditadura, mas era no programa do Haddad que havia a ideia de regular a mídia, legal falar de ditadura, mas vamos então falar sobre cuba, venezuela, coréia do norte….
Tem muito mais omissões no seu texto do que em qualquer documentário…

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Silvio Filho em 17/02/2020 - 10h49 comentou:

Pensar pela cabeça dos outros… e assim o gado se forma…

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Telga de Araújo Filho em 17/02/2020 - 11h53 comentou:

Coitado do Fabiano.

Responder

João em 18/02/2020 - 16h52 comentou:

Caro Silvio Filho, acho que você precisa ler de novo o artigo! Temos hoje um crápula ligado às milicias do Rio de Janeiro, envolvido em roubo de dinheiro público através de funcionários fantasmas, sonegação de impostos, rachadinha, e outras falcatruas, que faz apologia à ditadura e a torturador e assassino aqui no Brasil. Um presidente fazendo constantes ameaças à imprensa e atacando jornalistas quase que diariamente e , parece que você gosta disso e acha isso normal. A Petra não falou merda, não, contou o que viu e o mundo inteiro entendeu. Você finge que não entendeu a farsa denunciada por ela . Regular a imprensa não é impedir que ela produza bom jornalismo, é pra que o mal jornalismo seja responsabilizado pelo desserviço que faz. O PT não roubou mais que os outros e nem foi pra justiça contestar eleição. Isso quem fez o PSDB ao não aceitar a derrota de 2014. Você tá igual ao MBL e o miliciano presidente, mentindo descaradamente pra justificar as merdas que faz. Errar todo governante erra e isso não é motivo pra golpe. Não, Dima não cometeu os crimes que você diz , tanto que ela nem foi processada e nem condenada por nenhum crime, e o próprio Temer assumiu que foi golpe. Ao falar em ditadura, você cita Cuba, Venezuela( Lá tem mais eleições que nos EUA, onde a escolha de presidente é indireta), Coreia do Norte, mas não cita Arábia Saudita, China, Brunei, Egito, além do mais, o que isso tem a ver com o assunto? A impressão que dá, é que você foi pago pra soltar esses seus zurros aqui!

Responder

Álvaro em 19/02/2020 - 10h00 comentou:

Excelente texto.
Claro que o assunto necessitaria de uma enciclopédia para expor todas as nuances e correlações históricas, políticas, sociológicas… etc.
Mas por mais que se exponha a verdade e as evidências, sempre haverão os que simplesmente escolhem ignorar e difamar, motivo pelo qual ficar rebatendo com lógica e atenção passa a ser mera perda de tempo.
Para estes, que mostram os dentes para difamar o que eles pensam que não lhes atingem, por se considerarem seguros por defenderem o lado que domina, nem toda prova ou argumento do mundo seria suficiente para ao menos fazerem-nos considerar questionar suas convicções.
Para eles não importam provas, bastam suas convicções; e o fato de não serem capazes de olhar para as necessidades do próximo, do seu próprio país ou descendentes. Só conseguem ver o que escolheram: seus próprios umbigos!

Responder

Raabe em 21/02/2020 - 16h45 comentou:

Intens 5 e 7:

“a mídia comercial passou a divulgar todas as manifestações contra o governo”

“a real é que foi um fiasco. Não teve cobertura dos veículos de comunicação”

Teria alguma divergência aqui???

Responder

Salvador Espancador de Tontos em 23/02/2020 - 22h25 comentou:

Raabe (inho), logo da pra ver que associar não é o teu forte. Então evite argumentar por tal estratégia. Ela falou de duas coisas distintas: manifestações antipt e a “marcha” dos tontos (sic Sérgio Moro). Consegue entender a diferença? Pergunta retórica: sei que vc num entende diferença entre nariz de porco e tomada de dois furos

Responder

Leandro Morato em 06/03/2020 - 22h44 comentou:

Fiz questão de ler a matéria da Socialista e assistir o vídeo do MBL, para ter a versão dos dois lados.

No vídeo do MBL não mostraram nenhuma prova convivente de que a Socialista Morena mentiu, a melhor prova mostrada foi uma lista de membros de uma reunião Foro de São Paulo onde a Farc aparecia, porém não sei se a lista é verídica ou se as Farc realmente participou. Nos casos que o MBL atribui um título que a pessoa não tem, como ser cientista político, eles chegam até a admitir que mentiram.

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