Socialista Morena
Cultura

15 dicas imperdíveis de Histórias em Quadrinhos para ler nas férias

O Socialista Morena traz uma retrospectiva com grandes HQ’s lançadas em 2022, para todos os gostos e perfis

Biografia do Che em quadrinhos
Piu Gomes
12 de janeiro de 2023, 13h07

1. Meu Diário de Nova York  – A canadense Julie Doucet, que ganhou em 2022 o Grand Prix de Angoulême pelo conjunto da obra, passou sua carreira em constante experimentação de modos narrativos, cruzando as fronteiras dos quadrinhos, literatura e artes plásticas. Considerada uma das principais figuras do feminismo contemporâneo”, em Meu Diário de Nova York traça um retrato hilariante, emocionante e de uma franqueza desconcertante a respeito das ambições, angústias, sonhos e tropeços de uma jovem mulher iniciando sua vida sexual e profissional. A obra tem arte em P&B detalhada, onde o traço dos personagens mistura realismo e caricatura numa diagramação dinâmica.

2. Aldobrando – O aclamado Gipi se juntou ao também italiano  Critone para contar uma história capaz de tocar o coração dos leitores de todas as idades, com suspense da primeira à última página: a aventura do jovem órfão Aldobrando em um cenário medieval fantástico, que faz lembrar histórias clássicas, como O nome da rosa e Dom Quixote. Em um ambiente hostil, onde a crueldade e a opressão prevalecem, Aldobrando precisa partir ao encontro do seu destino. Aldobrando é um conto sobre a pureza de caráter, os enganos do poder e a determinação necessária para perseguirmos nossos sonhos. Arte clássica em cores que vão do dia quente à noite fria.

3. Metamaus – Nas páginas deste livro, numa série de entrevistas e material inédito, Art Spiegelman volta a Maus, graphic novel vencedora do prêmio Pulitzer. Metamaus vai a fundo nas perguntas que Maus tem evocado ao longo do tempo – por que o Holocausto? Por que ratos? Por que quadrinhos? – e nos fornece um documento essencial sobre a gênese deste romance gráfico que tem encantado gerações. O livro é acompanhado por um DVD  com Maus em versão digital, incluindo links para um vasto arquivo de áudios (em inglês) com entrevistas entre Art Spiegelman e seu pai – um sobrevivente dos campos de concentração, documentos históricos e uma grande variedade de cadernos de anotações e esboços do autor. Para os que ainda não gastaram o 13º.

4. Fade Out – Ed Brubaker e Sean Phillips, autores dedicados ao noir nas HQ, trazem um épico ambientado nos tempos áureos de Hollywood. O leitor segue as pistas do assassinato de uma estrela em ascensão, partindo das hospedagens de luxo rumo às entranhas de LA. Tudo isso enquanto o roteirista Charlie Parish é espremido entre o senso de justiça do seu melhor amigo e o seu próprio senso moral em decadência.

5. Sensor  – Do alto de seus 35 anos de carreira no mangá, o mestre do terror Junji Ito explora novas fronteiras com um grande conto de horror cósmico, no qual uma mulher misteriosa se torna a única oposição contra a manifestação das trevas do Universo. Em meio à maquinações de uma seita megalomaníaca e um mergulho no passado das campanhas anticristãs no Japão, seguiremos os passos de Kyoko sob a ótica de um jornalista que descobre sua história e fica fascinado pelos eventos sinistros que a rodeiam.

6. Rosie na Floresta – Uma comédia ácida, absurda, erótica e ultraviolenta, passada no coração da Amazônia, onde uma jovem e encantadora traficante se aproveita da paixão de seu cãozinho por ela para usá-lo como mula de drogas. Mas após um trágico acidente, os dois se veem presos no meio da selva, com uma estranha calcinha falante que parece ter outros planos… O inglês Nathan Cowdry traz arte colorida que por vezes abre mão dos detalhes, com um traço doce para os personagens humanos e caricato para os animais.

7. O Pequeno Astronauta – Todos os anos, Juliette faz sua peregrinação de bicicleta até o bairro onde cresceu. Este ano, em frente ao antigo apartamento da família, há um cartaz: “Vende-se”. Ao passar pelas portas da casa de sua infância, as memórias vêm à tona. Os amigos, as pequenas alegrias, mas acima de tudo a lembrança avassaladora de seu irmão Tom, um pequeno astronauta que mudou a vida de todos. O álbum de Jean-Paul Eid é uma ode à vida, uma celebração comovente da diferença por meio da chegada à Terra de uma criança com uma deficiência grave. Tom não anda nem fala, mas seu sorriso mudo é uma prova de sua felicidade e dará sentido à vida de toda uma família. O autor é canadense e oferece um traço clássico em cores vibrantes e algumas pranchas cheias de ousadias na diagramação.

8. Che: Uma Vida Revolucionária – Inspirada na obra de Jon Lee Anderson, autor da melhor e mais completa biografia sobre Ernesto Che Guevara já escrita, e com arte poderosa do mexicano José Hernández, este romance gráfico revive com assombrosa precisão e dramaticidade a vida de uma figura central da história do século XX. As três partes que compõem a série – “O doutor Guevara”, “Os anos de Cuba” e “O sacrifício necessário” –, reunidas aqui num só volume, são um trabalho impecável que faz jus às virtudes e contradições deste personagem que mudaria para sempre o rosto da América.

9. Criminal – O quadrinho de crime mais aclamado do século 21. Vencedor de seis prêmios Eisner e Harvey, incluindo Melhor Escritor e Melhor Nova Série. A tradicional história de assalto é virada de cabeça para baixo em Criminal, série em seis volumes. O primeiro apresenta Leo, capaz de planejar a jogada perfeita, mas apenas se estiver convencido de que o trabalho é seguro, porque não é o tipo de criminoso que atira primeiro e pensa depois. Leo é um profissional, cujo maior desejo na vida é não acabar exatamente no lugar a que ele pertence: uma cela de prisão. Criminal: Covarde é o primeiro volume da série, dos premiados criadores de Fatale, Fade Out e Matar ou Morrer.

10. A Casta dos Metabarões (Metabarões) – O guerreiro mais poderoso do universo, que aterrorizou exércitos inteiros com a simples menção de seu nome – o Metabarão! O genial Jodorowsky (roteiro) se juntou ao argentino Gimenez (arte) nesse primeiro volume do spin-off de O Incal, série cult que uniu o autor ao lendário Moebius nos anos 80. Aqui ele traz as origens da linhagem e os rituais envolvendo família, sacrifício e sobrevivência pelos quais passam os herdeiros da tradição, num visual que remete ao clássico desenhado por Moebius.

11. Nectarina – Australiana que vive no Canadá, Lee Lai é uma artista trans cujas histórias falam sobre relacionamentos humanos, de uma perspectiva realista e desencantada. Nessa HQ, Bron e Ray são um casal queer, ligado por um amor poderoso, que tudo consome. Suas aventuras selvagens com Nessie, sobrinha de Ray, são momentos de felicidade que elas esperam todas as semanas. Movidas pelo poder da imaginação da criança, elas podem ser elas mesmas e esquecer suas vidas cotidianas, presas entre tensões familiares, rejeição e isolamento. Mas com os velhos demônios de Bron ressurgindo e o relacionamento murchando, conseguirão deixar de lado o ressentimento e encontrar o caminho da reconciliação? Nectarina é uma comovente história de amor, uma ode à tolerância e ao vínculo fraterno, que traz arte despojada, um duotone em tons azulados, e mostra personagens realistas com toques de surrealismo em algumas situações.

12. Afirma Pereira – O francês Pierre-Henry Gomont adaptou o romance de Antonio Tabucchi, tradutor e romancista italiano com nacionalidade portuguesa. Seus traços nos levam à Lisboa da década de 1930, durante a ascensão da ditadura salazarista. Pereira é um jornalista idoso, viúvo, obeso, com o coração partido e atormentado, que vive uma rotina sonolenta até conhecer um certo Francisco Monteiro Rossi. De forma inesperada, Pereira o contrata. O jovem freelancer, em vez de escrever o obituário da forma que Pereira tinha ordenado, tece elogios, tão eloquentes quanto inéditos, a Lorca ou Maiakovski, conhecidos inimigos do regime fascista. Mais inesperadamente ainda, Pereira não demite o perigoso colaborador. Pouco a pouco, vai tornando-se amigo dele. Também se aproxima de sua misteriosa e bela companheira, que se revela uma fervorosa combatente revolucionária a serviço dos republicanos espanhóis.

13. Lovecraft / Poe – No início dos anos 1970, durante uma viagem de Madri a Milão, o aclamado Alberto Breccia compra uma edição barata com os contos de H.P. Lovecraft. O episódio o transporta imediatamente para a sua adolescência em Buenos Aires, quando nas páginas da edição argentina da revista Weird Tales entrou pela primeira vez em contato com o universo daquele que, segundo Neil Gaiman, é “o começo de toda a literatura de horror”. Nos anos seguintes, Breccia criaria versões para clássicos de Lovecraft e também de Edgar Allan Poe, testando diversas variações estilísticas como experiências com colagem e monotipo, decupagem cinematográfica e minimalista, clima expressionista e traços grotescos. O virtuosismo e a desenvoltura de Breccia são… assombrosos!

14. Matar ou Morrer – Outra série dos especialistas em crime Ed Brubaker e Sean Phillips,  narra em quatro volumes a distorcida história de um jovem forçado a matar pessoas más, e como ele luta para impedir que seu segredo destrua sua vida. Tanto um thriller quanto uma desconstrução do vigilantismo, Matar ou Morrer é diferente de tudo que os autores já fizeram.

15. Miyamoto Musashi – A biografia em mangá do mais famoso samurai do Japão pelas mãos de Shotaro ISHInoMORI, considerado o rei do mangá. Musashi foi um espadachim invicto que, com sua vida e obra permeados de genialidade estratégica e questionamentos filosóficos, virou um ícone da história e da cultura japonesas, inspirando numerosas obras literárias e cinematográficas. Recheada de dramas e combates de tirar o fôlego, esta edição definitiva em volume único apresenta o desenvolvimento do guerreiro e uma ótima introdução aos seus textos, inclusive ao influente Gorin no Sho – O Livro dos Cinco Elementos.

PIX DO PIU: Para contribuir com o autor do texto, anote o Pix: 34390120182 (CPF). Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, sustentada pelos leitores.

 


(2) comentários Escrever comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Bruno em 13/01/2023 - 20h40 comentou:

Tem uma lista dos melhores games para se jogar nas férias?

Responder

William em 13/01/2023 - 22h36 comentou:

Em 2022 voltei a ler quadrinhos. Li Persepolis e Maus, e foi uma experiência
impressionante. Suas sugestões vão nortear
meu repertório deste ano. Valeu!

Responder

Deixe uma resposta

 


Mais publicações

Cultura

Dos cartões postais com negros linchados nos EUA à execução de negros pela polícia…


Uma história em quadrinhos, um documentário e fatos recentes mostram que infelizmente aqui, como lá, pouco ou nada mudou

Politik

Jimi Hendrix por Moebius


Em março de 1967, o jornalista francês Jean-Nöel Coghe acompanhou Jimi Hendrix (1942-1970) em uma turnê na França e na Bélgica e tirou muitas fotos do guitarrista na intimidade, enquanto jantavam juntos ou no camarim.…