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Jessé Souza explicou “síndrome do Coringa” do homem-bomba da Esplanada em novo livro

É espantoso, mas o sociólogo “previu” o solitário fantasiado de Coringa que explodiu a si mesmo em frente ao STF nesta quarta-feira

Policiais periciando o corpo de Francisco Luiz. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Cynara Menezes
14 de novembro de 2024, 13h01

É espantoso, mas o sociólogo Jessé Souza “previu” em seu novo livro o homem-bomba fantasiado de Coringa que explodiu a si mesmo em frente ao Supremo Tribunal Federal na quarta-feira à noite. Na introdução de O Pobre de Direita: A Vingança dos Bastardos, Jessé explica a “síndrome do Coringa” que afeta os setores da sociedade identificados com o bolsonarismo no Brasil e com a extrema direita no mundo.

Não, não é coincidência, está tudo ali explicadinho no livro, para nosso pavor. “O filme Coringa (2019), de Todd Phillips, estrelado pelo grande Joaquin Phoenix, toca em um ponto nevrálgico de nosso tempo ao reconstruir o cidadão empobrecido, que se torna consciente de sua raiva e reage de modo pré-político fazendo justiça com as próprias mãos”, diz Jessé. O arquétipo escolhido pelo sociólogo é perfeito.

Jessé alerta para a “fuga na fantasia” desse “humilhado” que se sente abandonado pela sociedade e pelo Estado. Se o Coringa de Joaquin Phoenix fantasia que namora a vizinha, tem delírios de fama e sucesso, o Coringa da Esplanada fantasia “libertar” o Brasil dos inimigos imaginários que o bolsonarismo plantou nele

O “Coringa”, para Jessé, está longe de ser um personagem de ficção. “É uma figura social típica do nosso mundo, e não um ponto fora da curva”, diz. “O quadro patológico do Coringa é apenas a exacerbação de uma característica ‘normal’ e generalizada no mundo neoliberal do capitalismo financeiro”: é o sujeito que se sente humilhado, perseguido e sozinho como o psicopata do filme.

Jessé alerta para a “fuga na fantasia” desse “humilhado” que se sente abandonado pela sociedade e pelo Estado. Se, no filme, o Coringa de Joaquin Phoenix fantasia que namora a vizinha, tem delírios de fama e sucesso, o Coringa da Esplanada fantasia “libertar” o Brasil dos inimigos imaginários que o bolsonarismo plantou nele: o STF sobretudo. “Deixaram a raposa entrar no galinheiro (chiqueiro) ou não sabem o tamanho das presas ou é burrice mesmo. Provérbios 16:18 (A soberba precede a queda)”, pubicou no facebook poucas horas antes, de dentro do Supremo.

“Eu: Francisco Wanderley Luiz mais conhecido Tiü França (ETE x PNEU) ‘Miguel’ Sugiro a vocês uma data especial para iniciar uma revolução. Após este grande acontecimento, vocês poderão comemorar a verdadeira proclamação da república!!! Em espírito estarei na linha de frente com minha espada erguida”, escreveu em outra postagem.

Segundo o deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), cujo gabinete Francisco visitou, o homem, que chegou a ser candidato a vereador pelo PL em 2020, parecia “alterado”, o que o parlamentar atribuiu à separação da mulher.

Escreve Jessé: “A sua solidão e isolamento são extremos. (…) O isolamento marca, inclusive, o tipo de rebelião que esse tipo social está condenado a fazer. (…) Sem sindicato, sem partido confiável e sem compreender o contexto social maior no qual está inserido, porque também toda a grande imprensa foi comprada, é a violência bestial e sem direção que passa a ser a crítica possível a um mundo com poucos vencedores e muitos perdedores.”

O mais preocupante da previsão de Jessé é dar-se conta de que os “Coringas” podem se multiplicar celeremente no futuro próximo. “Os seguidores do Coringa, no final do filme, se identificam com sua luta contra os poderosos e contra o ‘sistema’ e passam a agir como ele em atos de violência, sem controle ou limites. É o mundo da anarquia, da rebelião imediata, cega e sem estratégia ou propósitos definidos”, lembra Jessé. E não eram “Coringas” os golpistas do 8 de janeiro?

“A legião de esquecidos e humilhados –que aumenta a cada dia em todo lugar– possui uma raiva e um ressentimento contra o mundo que eles não conseguem explicar nem direcionar, mas apenas experienciar e vivenciar como culpa individual”, escreve o sociólogo. A extrema direita é perita em manipular os sentimentos destas pessoas. “Surfa com desenvoltura” na situação de precariedade material e cultural do Coringa, que é “a matéria-prima essencial para a falsa rebelião da extrema direita no mundo todo”.

Assustador.


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(8) comentários Escrever comentário

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André Mazzoni em 15/11/2024 - 08h38 comentou:

Muito boa, a materia sobre o Coringa direitista. Necessario é analisar os fatos com imparcialidade e profundidade.

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JOSE LUCIANO GALVAO em 15/11/2024 - 21h03 comentou:

quero ver o corpo do homen inteiro

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Wander em 16/11/2024 - 05h30 comentou:

E saem novas notícias sobre o solitário suicida da esplanada. Odiava e queria matar Bolsonaro. Se candidatou pelo PL quando a legenda ainda não contava com a adesão do próprio Bolsonaro. Pelo contrário, era associada na época ao PDT, de esquerda. E assim cai mais uma das narrativas da violência implícita ao bolsonarismo, ou ao famigerado “pobre de direita “.

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Cirlan Ferreira em 16/11/2024 - 16h52 comentou:

Jessé Souza é maravilhoso em suas análises sociais. Além do seu tempo. Li um de seus livros, A elite do atraso, em que ele culpa a classe média por ser a barreira de defesa dos poderosos contra os pobres. Mas o seu maior problema é que ele não consegue ser imparcial. Ele vociferar ódio contra a direita e principalmente Bolsonaro.

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Daniel Paula em 18/11/2024 - 09h26 comentou:

Jessé Souza generaliza ao descrever uma “síndrome do Coringa”, ignorando que a violência e a insatisfação não são exclusividade de um grupo ideológico. A violência de esquerda também sempre existiu, como com a RAF na Alemanha, FARC na Colombia, Antifa nos EUA e Europa e o Sendero Luminoso no Peru.

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Jarbas Miranda em 22/11/2024 - 08h09 comentou:

Jessé Souza fez um rico comentário sobre a síndrome do coringa, visto que a violência abrange todos as classes, independente se é de direita ou de esquerda. Daí, se tem terreno fértil pra plantar os ideais de seus interesses, os interesses da extrema-direita.

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oralgesico em 25/11/2024 - 19h26 comentou:

O que mais chama a atenção é o fato da esquerda se apropriar e projetar na direita o que eles temfeito… O popbrecoitado diagnosticado mentalmente incapaz e num surto mandou mensagens para ele mesmo c riticando bolsonaro lula, e ate luciono huck;
VERGONHOSO SE UTILIZAR DE UMFATO ISOLADFO PARA TENTAR CRIAR “NARRATIVAS” TENDENCIOSAS…

e fica outra pergunta : “Porque queimaram a casa onde a esposa dele morava vitimando a mesma??”

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    Cynara Menezes em 25/11/2024 - 20h37 comentou:

    pergunta para a tua gente que fez aquela baderna no 8 de janeiro, eles devem saber. aliás, bebianno morreu do quê?

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