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Os cartões de Natal egoístas de Ayn Rand, a filósofa favorita da “nova” direita

(Este é um post traduzido e adaptado de um texto originalmente publicado no Alternet) Já falei aqui algumas vezes de como a direita brasileira adora copiar a direita norte-americana. Pois bem: vem de lá a filósofa favorita do “novo” conservadorismo, seja “libertário” ou abertamente reaça. Russa radicada nos EUA, padroeira do Objetivismo, a santa atéia […]

Cynara Menezes
14 de dezembro de 2015, 13h33

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(Este é um post traduzido e adaptado de um texto originalmente publicado no Alternet)

Já falei aqui algumas vezes de como a direita brasileira adora copiar a direita norte-americana. Pois bem: vem de lá a filósofa favorita do “novo” conservadorismo, seja “libertário” ou abertamente reaça. Russa radicada nos EUA, padroeira do Objetivismo, a santa atéia Ayn Rand (1905-1982) tem fiéis seguidores entre nós. Sua ideia de mundo é que todos devem amar para satisfazer a si próprios e não aos demais. Rand advogava o capitalismo, mas, acima de tudo, o egoísmo. Seu hino poderia ser aquela música do Raul, Carpinteiro do Universo: “o meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar”.

A própria Ayn Rand recusava para si mesma o epíteto de “conservadora”. E fez críticas públicas a outro ídolo dos direitistas, o ex-presidente Ronald Reagan, por algo que lhe parecia abominável: misturar política com religião, o que, para ela, era uma ameaça a seu Deus, o capitalismo. “Reagan é um conservador no pior sentido da palavra”, escreveu. Anos após sua morte, porém, e mesmo com estas nuances, Rand virou uma das principais referências intelectuais da direita Tea Party (ultra-conservadora) dos EUA.

É muito curioso que, apesar de deplorar valores cristãos como a caridade e de ser favorável ao aborto, Rand seja adorada por uma direita (que se diz) cristã! Talvez isso se explique por uma razão: a mulher era ateia e desprezava a pregação humanista de Jesus; preferia louvar as virtudes do dinheiro. Não é a cara de alguns pastores neopentecostais do Brasil, principalmente dos que estão na política? Deve ser de dar um nó na cabeça de muito reaça carola por aí, admirar uma filósofa que acha sua religião uma bobagem…

Trago aqui alguns cartões de Natal que Ayn Rand escreveria. Tudo a ver com o espírito da época, não acham?

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Tem uma ótima animação sobre a forma como Ayn Rand via as relações amorosas: como era possível, por exemplo, ser egoísta e ao mesmo tempo sustentar financeiramente o marido artista, já que ela era totalmente contrária a se sacrificar pelos outros? Para os fãs de Ayn Rand e também para os haters, não deixa de ser interessante.

 

 


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(3) comentários Escrever comentário

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Filipe em 31/08/2017 - 12h55 comentou:

A filosofia dela em nada contradiz o Cristianismo, já que o Cristianismo diz para amar ao próximo como a si mesmo, nem mais, nem menos, essa coisa de se sacrificar pelo próximo é invenção moderna.
Todo Cristão sabe que o único sacrifício válido e absoluto é o de Cristo.

Responder

Jefferson Figueiredo Jr. em 10/10/2017 - 23h23 comentou:

“como era possível, por exemplo, ser egoísta e ao mesmo tempo sustentar financeiramente o marido artista, já que ela era totalmente contrária a se sacrificar pelos outros?”
Simples, “sustentar financeiramente o marido artista” faz bem a ela, então ela opta por fazê-lo por LIVRE e ESPONTÂNEA vontade, não por uma imposição coercitiva por força de lei, justiça ou polícia.
De resto, achei muito interessante alguém que se diz socialista visivelmente esforçada pela compreensão/reflexão de algo tão fora dos paradigmas padrões, a isso eu lhe dou os meus parabéns!

Imposto é roubo e o Estado é uma gangue. Fique com Deus e compre Bitcoins.

Responder

    Cynara Menezes em 10/10/2017 - 23h50 comentou:

    já dizia raul, “o meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar”

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