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Cid Gomes encarna Bacurau em versão retroescavadeira

Gesto do senador, apoiado numa família "esquentada", mas também numa gente arretada, é primeiro contra-discurso a milicianos

Foto: reprodução
Tânia Martins
20 de fevereiro de 2020, 15h42

Essa situação do governador Camilo Santana e do senador Cid Gomes diante dos amotinados em Sobral e em todo o Estado cearense afinal traz mais questões do que só apontar a óbvia estratégia arriscada –ou a falta dela, no caso do senador.

Vimos que o governador havia pedido ações do ministro da Justiça, Sergio Moro, frente ao quadro de amotinamento de parte da força policial e não só em Sobral, pois mencionou grupos usando redes sociais para tocar o terror no Estado, portanto em várias cidades, e sem resposta, ou resposta que estava analisando. E vimos que os métodos dos grevistas, que aliás estavam sendo atendidos, estão muito longe dos que a esquerda usaria numa greve: aterrorizar a população.

Sorte que o senador parece menos mal que a sua arma improvisada, a retroescavadeira. A esfera federal de Segurança Pública está a caminho, e aqui podemos, na melhor das hipóteses, ver um ministro protetor de policial criminoso sendo forçado a atuar contrário a estes, e, se acontecer, terá sido provocado pelos impactos e repercussões do ato “tresloucado” do senador. Fato.

Ou mesmo está, ao contrário, “liberando” mais agressividades do que até aqui vieram, convenhamos, sendo homeopaticamente ministradas. É ofuscante ver neste xadrez de governo brasileiro, em que se “evoluiu” de denominações como “grupos paramilitares” ou “grupos de extermínio” para “grupos de milicianos”, agora numa caminhada concreta intrapoder, sofrer um primeiro contra-discurso, curso e percurso, ainda que dessa forma, apoiado numa família “esquentada”, mas também num povo que se reconhece de gente arretada.

Alguém aí tem citado o filme Bacurau? Não tem algo assim meio que parecido, só que em versão retroescavadeira? A luta pela vida acrescer corpo-cara e carne contra a morte em toda a sua estranha exogenia, talvez? É “pegar” a arma exata do bandido para devolvê-lo ao fundo da sua estética? Quem disser que não, está arriscado a não ouvir nenhum sensato discurso, levado a frente só pra despistar o estampido.

Bacurau não despreza a teoria, apenas a aplica sem o falso pudor que só tem adiado o extermínio tanto de inocentes, quanto de covardes. Eu gostei que o senador levou seu coletivo possível. Me colocaria a seu lado, ainda que na função de parafuso da sua arma possível. Sabemos que nesse Bacurau um senador tem autoridade constitucional para intervir numa situação de farsa ou perigo, e vimos nele essa praxis chegando redondinha.

Ah, temos também aqueles militantes que escorraçaram esses exógenos infames da embaixada da Venezuela, lembram? Bacurau começa a ser desvendada.

Ai, status quo, seja tu capaz dessa emoção-noção!

Tânia Martins é jornalista, escritora, ambientalista, petista, lésbica e feminista.

 


(3) comentários Escrever comentário

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Halilton em 21/02/2020 - 07h54 comentou:

A situação estaria diferente se o governador petista não fosse tão covarde, desde o primeiro instante do motim aceitou as exigências, deveria ter agido com mão de ferro. Mas o que esperar de um partido que se tornou neoliberal e entreguista?

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Avel de Alencar em 21/02/2020 - 14h57 comentou:

Francamente é um texto para meia dúzia ler abusa dos pontos e contrapontos. Acho que deveria escrever pensando que o cearense médio irá lê lo para entender o por que da ação do senador.

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Tiago Bueno em 25/02/2020 - 14h50 comentou:

Excelente texto!!!!

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