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Cine Morena: Um Lugar ao Sol

O diretor pernambucano Gabriel Mascaro (atualmente em cartaz com o documentário Doméstica) entrevistou moradores de nove coberturas em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro para construir este mosaico de personagens que oscilam do normal ao grotesco no filme Um Lugar ao Sol, de 2009. Um deles, o empresário paulista Oscar Maroni, dono da boate […]

Cynara Menezes
09 de junho de 2013, 13h49

O diretor pernambucano Gabriel Mascaro (atualmente em cartaz com o documentário Doméstica) entrevistou moradores de nove coberturas em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro para construir este mosaico de personagens que oscilam do normal ao grotesco no filme Um Lugar ao Sol, de 2009. Um deles, o empresário paulista Oscar Maroni, dono da boate Bahamas, exibe toda a filosofia de vida de quem frequenta (sic) “os melhores hotéis, os melhores relógios, as melhores roupas” . “Me sinto muito mal quando vejo pobres que não têm um Jaguar, um Mercedes”, diz. O filho de uma madame carioca, espécie de futuro Chiquinho Scarpa sob efeito de LSD, resume o privilégio de se morar no alto: quem possui uma cobertura estaria mais próximo de Deus do que o restante dos mortais. “Aqui nós podemos falar com Deus mais facilmente”, concorda a mãe.

Percebe-se que o “estar acima” dos cidadãos comuns não é apenas uma figura de linguagem quando o jovem pernambucano –que ganhou o apartamento de presente dos pais mas não quer ser chamado de playboy– revela preferir a piscina da cobertura do que a praia lotada, suja e cheia de tubarões lá embaixo. Ou quando o casal do Rio de Janeiro se alegra ao contar como é bonito, visto do alto, os bandidos trocando tiros nos morros vizinhos. “É tudo colorido, parecem fogos de artifício”, narra a esposa, olhos brilhando. Perfeita simbologia dos “diferenciados” que fogem do convívio com os habitantes da vida real, o documentário de Mascaro causa risos nervosos no espectador –além de desprezo. Não percam.

http://youtu.be/zu1ewEVjIiE


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Johnny em 10/06/2013 - 19h08 comentou:

Sem a mínima ironia, posso dizer que este documentário mostra como existe pobreza no chamado "andar de cima", uma pobreza tão grande que mais se assemelha a um imenso vazio. Se não fosse contra meus princípios, sentiria pena deles. Chamou-me a atenção uma entrevistada que filosofa, quase em tom de condescendência: "não é porque é pobre que é bandido". Qualquer um pode (e deve) concordar com uma platitude dessas, mas fiquei espantado pelo fato de pessoas aparentemente instruídas não se darem conta de que a violência é fruto amargo da desigualdade e do individualismo, e não da pobreza. Portanto, que abracem seus pertences e saboreiem o inexplicável sentimento de pavor que demonstram.

Responder

mmagnesio em 10/06/2013 - 20h39 comentou:

Interessante..!
bjo,
maneco

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Ricardo Lima em 11/06/2013 - 03h39 comentou:

@#$%!

P.s. Apesar de me obrigar a tomar um Engov depois deste documentário, receba meus parabéns pelo seu blog.

Responder

Robson Assis em 06/08/2013 - 22h45 comentou:

Eu vi aqui e acabei baixando, olha, é uma das coisas mais cabulosas que já vi na vida. Eu, aqui do meu quarto e cozinha na periferia assisti perplexo, quieto e, quando muito, balançando negativamente a cabeça, assustado com o abismo social que estavam me mostrando ali. Depois acabei lendo muita crítica dizendo que o recorte era maldoso, que o diretor tendenciosamente criou personagens-monstro. E não entendi essa crítica, porque foi exatamente isso o que mais admirei no documentário. Estou farto de ricos mostrando suas casas pra Angélica, dos bons mocismos fingidos, das dondocas idosas e senhores babacas bancando de sábios. Era preciso que alguém mostrasse essas pessoas do jeito mais escroto possível, como a gente realmente imagina que elas sejam e não a imagem vinculada a assessorias e relações públicas. Acima de tudo, é um vídeo muito triste, pesado, mostra o mundo das pessoas de verdade como algo muito distante, muito pequeno, sempre opaco, quase invisível. Sensacional mesmo, obrigado por compartilhar.

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