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Cultura

Confesso que gritei BBMP (e agora posso voltar a secar os sardinhas)

Sou Vitória, mas fiz mandinga para garantir o que todo rubro-negro e todo tricolor mais desejam: um ano cheio de BA-VIs, o mais gostoso espetáculo do futebol brasileiro

Torcedora no jogo Bahia X Atlético Mineiro. Foto: Felipe Oliveira/Esporte Clube Bahia
Joana Rizério
12 de dezembro de 2023, 16h53

O sono tão gostoso que eu dormia sob a mira do ventilador sujo terminou com os fogos de artifício que meus vizinhos acenderam na quarta-feira que passou. Todos os cachorros da redondeza latiam –pareciam mais informados do que eu–, o que foi que eu perdi? Prenderam Bolsonaro?

Não, isso não ia bulir com quem mora neste ridículo bairro soteropolitano, um reduto de novos ricos –e admiradores do inominável– onde nem a praia presta, a Pituba. A única alegria decente que comungo com essa gente é no futebol, mas não podia ser essa a razão da pirotecnia: o Vitória já subira, e só um milagre salvaria o Bahia do rebaixamento.

Fiz de conta que a rajada de estouros celebrava notícias boas. Cessar fogo na Palestina com a expulsão de sionistas. Lula regulamentando as comunicações e as polícias. De repente, alguém grita “Bora Bahêa!”. Não era possível. Ou era?

Sem decifrar a razão daquela festa, fiz de conta que a rajada de estouros celebrava notícias boas. Truque para tentar dormir. Rolou cessar fogo na Palestina com a expulsão de sionistas. Lula regulamentou as comunicações e as polícias. Minha mãe finalmente se aposentou e vamos conhecer o mundo. De repente, alguém grita “Bora Bahêa!”. Não era possível. Ou era?

Não era. Meus amigos tricolores entendidos de Brasileirão mostraram os cenários improváveis, para não dizer impossíveis, para o Bahia não cair. Sabe quando um time na lanterna tem que ganhar do favorito? Para o Bahia não cair para a segundona uns cinco jogos precisavam ter resultados inesperados. Fora vencer o Galo nessa ótima fase.

Tive dó do Bahia. Sou Vitória, mas a camaradagem baiana me faz torcer pelo tricolor de aço quando ele enfrenta sudestinos. Assim, o Bahia, que andou mambembe, foi atendido em suas preces para todos os santos e ganhou do Atlético Mineiro por 4 x 1. A mandinga dessa minha gente livrou meus rivais do rebaixamento e garantiu o que todo rubro-negro e todo tricolor mais desejam: um ano cheio de clássicos BA-VIs, o mais gostoso espetáculo do futebol brasileiro.

Cheguei perto da janela e, em vez de gritar “Bora Bahia para a zona” ou “Bora Bahia para a série B”, como eu vinha gritando, enchi meu peito e gritei bem forte o famoso BBPM (Bora Bahia Minha Porra). Pronto, tirei isso do peito. Vencidos os sudestinos –garantidos os assentos nos estádios onde rola a bola da série A– eu, depois de ver milagres, posso finalmente torcer contra os sardinhas.

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