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CRM-DF usa notícia enganosa ao afirmar que OMS “condenou” lockdown

Para justificar sua absurda condenação ao lockdown, Conselho de Medicina usa frase fora de contexto como se fosse da Organização Mundial de Saúde

Foto: Acacio Pinheiro/Agência Brasília
Da Redação
01 de março de 2021, 21h06

Com as UTIs do Distrito Federal lotadas, o Conselho Regional de Medicina divulgou uma nota condenando o lockdown decretado pelo governador Ibaneis Rocha na última sexta-feira, 26, para tentar conter o aumento dos contágios e o consequente colapso nos hospitais. Como se não fosse o suficiente, ainda utilizou uma notícia enganosa para justificar seu posicionamento. “O lockdown não salva vidas e faz os pobres muito mais pobres”, diz o texto, citando o “Dr. David Nabarro”, como se este falasse pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e a entidade estivesse “condenando” o lockdown. É mentira.

Em primeiro lugar, Nabarro não é diretor da OMS nem porta-voz da entidade, e sua fala, uma entrevista à revista britânica The Spectator, foi tirada de contexto pelos negacionistas do coronavírus, de acordo com verificação feita pelo projeto de checagem Comprova em outubro do ano passado. Na época, a notícia enganosa estava sendo espalhada no twitter por uma deputada federal bolsonarista, Major Fabiana.

“David Nabarro –que é enviado especial da organização e não seu diretor, como afirma a deputada–, de fato destacou os impactos econômicos e sociais negativos dos lockdowns. Isso não significa, no entanto, que a OMS tenha mudado de posição”, diz a checagem, lembrando que, na mesma entrevista, o representante da entidade afirmou que os lockdowns “são justificados em momentos de crise, para reorganizar os sistemas de saúde e proteger os profissionais que estão na linha de frente do combate à doença. A ideia desta prática é ‘achatar a curva’ de contágio, evitar a superlotação de hospitais e, depois, permitir a reabertura das economias”.

A OMS estabeleceu seis requisitos para que os países pudessem relaxar quarentenas e lockdowns. Bolsonaro não cumpriu nenhum, mas sobre a má atuação do governo federal na pandemia os Conselhos Regionais e Federal de Medicina continuam em silêncio

O que de fato Nabarro falou na entrevista é que os lockdowns não podem ser a principal forma de os governos combaterem a pandemia. “Nós realmente apelamos aos líderes mundiais: parem de usar o lockdown como seu método principal de controle”, disse.

Segundo declarou oficialmente a OMS diversas vezes, os países não podem trocar a quarentena por nada. A entidade estabeleceu seis requisitos antes de os governos relaxarem as restrições sobre a população (quarentenas e lockdowns): assegurar que as transmissões estejam sob controle; assegurar que os sistemas de saúde podem cuidar de todos os casos; minimizar riscos de contágio nos hospitais e centros de saúde; estabelecer medidas preventivas em escolas, locais de trabalho e outros lugares essenciais; gerenciar o risco de que o vírus seja importado de outros lugares; educar a comunidade sobre o novo normal, e como eles podem se proteger.

Bolsonaro não cumpriu nenhuma dessas prerrogativas, mas sobre a má atuação do governo federal na pandemia e sobre a mentira do tratamento precoce, os Conselhos Regionais e Federal de Medicina continuam em silêncio.

“Surpreende-nos o CRM-DF ao argumentar contra uma medida destinada a evitar a morte de pessoas, em prol de interesses de natureza econômica e alheios ao seu dever de zelar pelo bom exercício da profissão médica”, protestou a Faculdade de Medicina da UnB

A Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília também divulgou nota, em apoio à decisão do governo do Distrito Federal sobre o lockdown e contra a posição do CRM-DF. “As medidas de restrição preconizadas no decreto do GDF são baseadas em evidências sólidas obtidas em estudos científicos bem desenhados e executados em diversos locais do mundo. Estas medidas reduzem a transmissão do vírus e que podem apresentar impacto positivo sobre o comportamento da epidemia, contando com a adesão da população”, diz o texto.

“Assim, surpreende-nos sobremaneira a afirmação do CRM-DF ao argumentar contra uma
medida destinada a evitar a morte das pessoas afetadas pela doença, em prol de interesses de
natureza econômica e alheios ao seu dever de zelar pelo bom exercício da profissão médica. A
atitude do CRM-DF tristemente contribui para reduzir a adesão às medidas e certamente terão
um preço em vidas ceifadas pela doença.”

A Sociedade de Infectologia do Distrito Federal afirmou que, embora tenha nomeado uma câmara técnica com infectologistas, o CRM não a consultou antes de se posicionar a favor do tratamento precoce e contra o lockdown. “O lockdown já se mostrou, em várias partes do mundo, uma medida útil para controle da transmissão da Covid-19, devendo ser adotado em casos extremos”, diz a nota. “São lícitos os debates e os questionamentos sobre quais atividades devem, ou não, ser afetadas pelas restrições, bem como a duração desse período. Não é admissível, entretanto, que haja um posicionamento radical contra a medida de forma geral, como fez o CRM-DF.”

 


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PAULO ROBERTO MARTINS em 06/03/2021 - 14h27 comentou:

Muitos médicos neste país são sócios do psicopata “capitão da morte”,sabe-se lá com quais motivações: ideológicas,comerciais,canalhice,etc. Não devemos nos admirar.Nos campos de concentração nazistas,médicos eram utilizados nas seleções dos condenados aos fornos crematórios.Nas ditaduras militares latinoamericanas médicos acompanhavam as equipes de torturadores para manterem as vítimas com vida o máximo de tempo possivel.Portanto,não me surpreende que médicos aqui,nesta republiqueta de bananas,estejam ao lado dos meganhas e dos genocidas do momento.

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