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Cultura

Dicas literárias para um Natal vermelho III

Como já é tradição, as dicas de compras de fim-de-ano do blog. Se é para consumir, consumam livros! Vejam a lista do ano passado aqui e a do retrasado, aqui. (É possível que até o Natal esta lista seja atualizada, não percam.) LANÇAMENTOS: Infância Roubada – Editado pela Comissão da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva” […]

Cynara Menezes
19 de dezembro de 2014, 13h01

Como já é tradição, as dicas de compras de fim-de-ano do blog. Se é para consumir, consumam livros! Vejam a lista do ano passado aqui e a do retrasado, aqui. (É possível que até o Natal esta lista seja atualizada, não percam.)

LANÇAMENTOS:

Infância Roubada – Editado pela Comissão da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva” e organizado pela jornalista Tatiana Merlino, o livro conta a história das crianças vítimas da tortura durante o regime militar. Foram colhidos 44 depoimentos de sobreviventes, hoje adultos, desse trauma absurdo. Tocante e revoltante, para não esquecermos jamais dos horrores da ditadura. O livro é distribuído gratuitamente pela comissão, mas o número de exemplares é limitado. Para conseguir um, escreva para [email protected] ou baixe um exemplar gratuitamente aqui.

casa

A Casa da Vovó – Durante dez anos, o jornalista Marcelo Godoy ouviu os agentes da repressão para contar a história do famigerado DOI-Codi, em São Paulo, principal centro de tortura da ditadura militar. “Casa da vovó” era como os policiais chamavam o lugar, palco de choques elétricos, paus-de-arara, afogamentos e outras técnicas horripilantes. Foi lá que morreram “suicidados” o operário Manoel Fiel Filho e o jornalista Vladimir Herzog (na verdade, torturados até a morte). Alameda Editorial, 612 págs., R$69.

irmao

O Irmão Alemão – Confesso a vocês que, como romancista, acho Chico Buarque um excelente compositor. Os livros dele nunca me conquistaram. Benjamim, por exemplo, talvez seja uma das piores coisas que já li na vida. A história do irmão alemão de Chico, porém, sempre me deixou curiosíssima. Sempre tive vontade de fazer essa reportagem: Sergio Buarque, pai de Chico, teve um filho na juventude, na Alemanha, de quem ninguém nunca ouviu falar. Chico Buarque foi atrás do irmão desaparecido e escreveu um livro. Vamos ver se ele é melhor repórter que ficcionista (que me perdoem os fãs). Companhia das Letras, 240 págs., R$39,90.

bandido

Bandido Raça Pura – Reunião de perfis de celebridades, anônimos e até animais escritos pelo jornalista Fred Melo Paiva para diversas publicações. Com seu texto leve e despretensioso, Fred escolheu os textos do livro, publicados em diversos veículos, por um critério único: só entraram os seus favoritos. Ideal para ler na praia. Arquipélago Editorial, 256 págs., R$29,90.

trotsky

Trotsky e a Revolução Permanente – Considerado um dos maiores especialistas brasileiros na obra de Leon Trotsky, Carlos Eduardo Rebello de Mendonça “biografa”, neste livro, o conceito de revolução permanente do revolucionário russo. Garamond, 224 págs., R$29,40.

mascarados

Mascarados – O livro de Esther Solano, Willian Novaes e Bruno Paes Manso revela quem são os black blocs, os mascarados demonizados pela mídia que se integraram às manifestações de junho de 2013 e até hoje são processados criminalmente. Através de relatos dos próprios black blocs, tenta-se desmistificar o ativista detrás da máscara e explicar sua estratégia. Também foi ouvido o coronel da PM agredido em uma das manifestações. Geração Editorial, 336 págs., R$34,90.

CLÁSSICOS:

bunuel

Meu Último Suspiro – Provavelmente a melhor autobiografia jamais escrita. Lembrei deste livro outro dia, ao ver os energúmenos que andam por nosso Congresso Nacional dizendo barbaridades impunemente. Buñuel dizia que algumas discussões se resolvem melhor com um belo soco na cara. E não é verdade? A Cosac&Naif recentemente relançou o livro, mas você pode achá-lo no sebo Estante Virtual a partir de R$9,80. Ou baixá-lo grátis, em espanhol, aqui.

dickens

Tempos Difíceis – Sou apaixonada por Charles Dickens desde a infância, quando li Um Conto de Natal, uma fábula sobre avareza e ternuraNeste livro, de 1854, o autor inglês faz uma crítica às condições de vida dos trabalhadores ingleses de então, ao contar a história de Thomas Gradgrind e sua família. Em uma cidade cinza, operários sendo explorados até à exaustão e até mesmo crianças sendo obrigadas a trabalhar. Que bem fez ao mundo o surgimento do socialismo… Boitempo, 336 págs., R$54.

O folclore negro do Brasil AF

O Quilombo dos Palmares – Um dos maiores estudiosos do negro no Brasil, o baiano Edison Carneiro (1912-1972) foi o primeiro a se debruçar sobre o Quilombo dos Palmares, desfazendo mitos sobre seu líder, Zumbi, neste livro editado pela primeira vez em 1947 (escrevi sobre ele aqui). É possível lê-lo grátis na internet (aqui), comprar no sebo Estante Virtual a partir de R$15 ou comprá-lo novo nesta edição da Martins Fontes por R$46,70.

HQ

crumb

A Mente Suja de Robert Crumb – O norte-americano Crumb deve ser o quadrinista mais odiado pelas feministas que já existiu. Eu nem ligo. Crumb olha para as mulheres com avidez, as “objetifica”? Verdade. Mas também é verdade que ele vive aos pés delas… Além disso, sua crítica ao american way of life, ao homem branco limpinho norte-americano, é impagável. Neste volume, uma edição de luxo com suas mais escandalosas e polêmicas histórias. Veneta, 232 págs., R$69,90.

glauco

Sapos, Cobras e Lagartos – Morto precocemente aos 53 anos, em 2010, assassinado, o cartunista Glauco Villas Boas exibe neste livro sua faceta de chargista político. Aí estão reunidas 200 das mais de 3000 charges que Glauco fez para a Folha de S.Paulo, com personagens que ainda estão na política ou que entraram para a história. Olhares, 240 págs. R$45.

chiquinha

 

Algumas mulheres do mundo – A Chiquinha é quadrinista e é muito engraçada. As mulheres que a Chiquinha desenha também são muito engraçadas e possuem uma qualidade excepcional: fazem a gente rir de nós mesmas. Dietas, pretês e pequenos draminhas cotidianos. Tá tudo lá, em 200 cartuns com o traço inconfundível da garota. Mórula, 192, págs., R$40.

INFANTIL

4contos

4 Contos – Este foi, sem dúvida alguma, o melhor livro que li para o meu filho pequeno este ano. Escrito para a filha e o neto, é o único livro infantil que o poeta norte-americano e.e. cummings  escreveu. Pura fantasia e surrealismo, que as ilustrações de Guazzelli transformaram numa obra belíssima. Recomendo fortemente. CosacNaify, 48 págs., 39,90.


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(8) comentários Escrever comentário

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Flavio Lima em 19/12/2014 - 13h29 comentou:

O livro do Chico Buarque acabei de ler. Começa sem muito ritmo, mas ganha corpo a partir do segundo terço. E Traça um painel da juventude dele, do golpe e dos desaparecidos da ditadura. A parte do irmão alemão é legal, mas acaba não sendo o principal do livro. E tem umas passagens mutio muiti inspiradas e emocionantes. Foi o primeiro livro dele que li, e gostei.
Li tambem o do Gregorio Duvivier, leve, de cronicas, rapido e divertido. Tambem valeu.
Estou lendo o Piketty, comecei O Capital no sec XXI, e me surpreendo que estou entendendo e gostando. Leitura obrigatória!

Responder

Luiz Tonini em 19/12/2014 - 14h48 comentou:

Faltou o "Put some farofa" do Gregório Duvivier; excelente livro de humor sagaz e leitura leve.

Responder

Rodolfo Cabral em 21/12/2014 - 00h24 comentou:

Cynara, faltou a nova biografia do Luis Carlos Prestes, do Daniel Aarão Reis. Excelente livro! Abs.

Responder

Vando Gomes em 22/12/2014 - 12h20 comentou:

Cynara, que lista horrível! Chico Buarque? Meu Deus! Nada ideologico…

Responder

@dmd_elialmeida em 23/12/2014 - 16h54 comentou:

Lista maravilhosa, títulos interessantíssimos, fiquei até com vontade de ler o do Trotsky. Sugestão para sua próxima lista: Camaradas de William Waack, sobre os crimes cometidos pela guerrilha de esquerda no Brasil.

Responder

    Carlos em 26/12/2014 - 11h41 comentou:

    "Guerrilha de Esquerda" em 1935? A Intentona de 1935 foi uma tentativa de golpe militar, não uma guerrilha. E quanto aos "crimes" cometidos, se mais uma vez vamos falar da moça que foi morta por ordem do Prestes que a considerava (equivocadamente ou não) como informante, eu recomendaria um filme americano antigo (1953) "Stalag 17", que mostra o que informantes nazistas podiam aguardar quando desmascarados por prisioneiros americanos.

alex em 25/12/2014 - 20h36 comentou:

Ainda bem que os socialistas nunca torturaram nem mataram ninguém. Viva Fidel! Viva Stálin! Homens de mãos limpas.

Responder

    Carlos em 26/12/2014 - 11h47 comentou:

    Você conhece algum regime ou movimento político que , em algum momento da sua história, não tenha jamais se envolvido em violências? Não é a Direita brasileira que justifica as torturas da ditadura como mal menor diante da suposta ameaça da Ditadura do Proletariado?

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