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Em Maceió, Bolsonaro mente dizendo que a Caixa dava prejuízo com Lula

No primeiro ano do petista na presidência, em 2003, o banco público (que Bolsonaro quer privatizar) teve o maior lucro da história

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Da Redação
13 de maio de 2021, 19h56

Mentiroso compulsivo, o presidente Jair Bolsonaro mais uma vez faltou com a verdade em sua visita-relâmpago a Alagoas nesta quinta-feira, onde foi para inaugurar obras já inauguradas e para atacar o ex-presidente Lula, que apareceu disparado à sua frente nas projeções do Datafolha para 2022. Segundo Bolsonaro, a Caixa Econômica Federal dava prejuízo durante o governo do petista, quando na verdade no primeiro ano de Lula na presidência, em 2003, o banco público teve o maior lucro de sua história até então. E se manteve em todos os anos consecutivos.

Em Maceió, Bolsonaro disse: “A Caixa, lá atrás, com aquele ladrão de nove dedos, dava prejuízo”. Não é o que mostram os números do banco, cujos funcionários lutam para que não seja privatizado por Bolsonaro. “Pelo segundo ano consecutivo, a Caixa Econômica Federal conseguiu fechar suas contas no azul. A Caixa contabilizou em 2003 um lucro de 1,616 bilhão –o maior da história da instituição”, diz matéria publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 11 de fevereiro de 2004.

Em 2004, o banco voltou a ter lucro: 1,4 bilhão de reais. Em 2005, o lucro da Caixa subiu 46% em relação ao ano anterior e foi de 2,07 bilhões. Em 2006, novo recorde: 2,38 bilhões de lucro. Em 2007, 2,5 bilhões de reais de lucro. No ano de 2008, lucro líquido de 3,9 bilhões de reais, 62,3% superior ao registrado no ano anterior. Em 2009, lucro de 3 bilhões de reais. Em 2010, último ano do governo Lula, o lucro da Caixa subiu 25% em relação a 2009 e fechou o ano em 3,8 bilhões.

No primeiro ano de Bolsonaro, a Caixa teve lucro de 21,1 bi, mas decorrente da venda de ativos do banco e redução do seu papel social, não por boa gestão. Tanto é que o lucro em 2020 foi bem menor: 13,2 bilhões, uma queda de 37,5% em relação a 2019

Com Dilma Rousseff na presidência, os números do banco público se mantiveram em curva ascendente: lucro de 5,2 bilhões em 2011 (aumento de 37,7% em relação a 2010), 6,1 bilhões em 2012, 6,7 bilhões em 2013 e 7,1 bilhões em 2014. Em 2015, último ano em que Dilma de fato governou, o lucro da Caixa subiu 0,9% e fechou em 7,2 bilhões de reais. Já com o usurpador Michel Temer no Planalto, em 2016, a Caixa teve lucro de 4,1 bilhões, uma queda de 43%. Dilma deixou o poder definitivamente em maio daquele ano. Em 2017, com Temer, o banco manteve sua robustez e fechou com novo recorde de lucro, 12,5 bilhões. Em 2018, o lucro líquido da Caixa foi de 10,4 bilhões.

Em 2019, o primeiro ano de Bolsonaro no poder, a Caixa apresentou lucro de 21,1 bilhões de reais, mas decorrente da venda de ativos do banco, não por boa gestão. “O lucro da Caixa está baseado na venda de ativos do banco e na redução do seu papel social. Não foi a atividade bancária que gerou o bom resultado. Esse resultado não mostra que a empresa está se expandindo, gerando empregos e sim que está se desfazendo de ativos fundamentais”, disse o presidente da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal), Jair Pedro Ferreira.

Comprova a afirmação do presidente da Fenae o lucro significativamente menor do banco em 2020: 13,2 bilhões de reais, uma queda de 37,5% em relação a 2019.

 


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Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência: 3310
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