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Este ano teve Dia do Índio

Fazia séculos que não se via tanto homem branco fugindo de índio. E eles fugiram, diante das câmeras de TV. Fugiram por quê? De medo, de culpa? Do que fugiam os deputados, na terça-feira 16, quando dezenas de cidadãos indígenas indignados invadiram o plenário da Câmara? Acaso os políticos se sentem em falta com as […]

Cynara Menezes
19 de abril de 2013, 21h03

Fazia séculos que não se via tanto homem branco fugindo de índio. E eles fugiram, diante das câmeras de TV. Fugiram por quê? De medo, de culpa? Do que fugiam os deputados, na terça-feira 16, quando dezenas de cidadãos indígenas indignados invadiram o plenário da Câmara? Acaso os políticos se sentem em falta com as demandas dos povos indígenas? Ou temem que alguma hora o tacape vai se virar em sua direção? Curioso que, se há um lado frágil nesta história, não é o homem branco, muito menos o político engravatado no Congresso Nacional. Mas são eles que, na hora agá, correm. Batem em retirada. Vexaminoso.

Os índios estiveram no Congresso para se manifestar contra a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 215/00, que tira do Executivo e dá ao Congresso Nacional a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil. Sim, o Congresso, onde reinam os ruralistas. Devem ter sido alguns deles que fugiram, apavorados. Devem. Temem.

Este ano teve dia do Índio em Brasília, mas não foi hoje, dia 19, uma data marcada no calendário para se “celebrar” não sei o quê. Foi naquela tarde, no Congresso Nacional. Aquele, sim, foi Dia do Índio. Assistam às cenas patéticas da fuga dos deputados logo abaixo de um trecho do poema I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, que posto em homenagem aos índios, os primeiros habitantes desta terra. (Fixem-se na reação da moça que faz a tradução para Libras –Linguagem de Sinais– no canto direito da tela; a expressão dela diz tudo.)

Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.

(I-Juca Pirama, Gonçalves Dias)

http://youtu.be/GdFlyR8BOjU

Aqui, de outro ângulo (dá para ver que um dos que saem em disparada é Marco Feiciano):


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(5) comentários Escrever comentário

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Helder em 19/04/2013 - 23h04 comentou:

Vai ver quando os índios adentraram tenham gritado: "Pega ladrão, corrupto, grilheiro!".

Aí já viu… rs

Responder

Luis em 20/04/2013 - 00h44 comentou:

Pelo fim do Agronegócio já, basta!!!

Responder

XAD em 20/04/2013 - 04h31 comentou:

OUTRAS FRENTES DE BATALHA:

Os índios não podem esperar mais
Pela celeridade nos processos relativos à demarcação de terras e garantia dos direitos dos povos indígenas

A Associação Juízes para a Democracia (AJD) requereu, em ofício enviado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a realização de levantamento de todos os processos em trâmite no Judiciário brasileiro, em todas as suas instâncias, relativos aos casos de demarcações de terras indígenas e garantia de direitos dos povos indígenas.

A AJD pediu, ainda, a implantação de providências destinadas ao controle e agilização desses processos, como tem sido feito com outros temas igualmente relevantes e urgentes; a divulgação dos dados no site do CNJ; o estabelecimento de metas para que se dê cumprimento ao mandamento constitucional de celeridade; a tramitação de todos os processos em regime de prioridade e urgência.

Segundo a AJD, a demora no julgamento dos processos relativos à demarcação de terras tem agravado ainda mais a notória situação de violência, pela qual passam os povos indígenas. Há casos de processos relativos a causas indígenas que tramitam, sem solução, há mais de três décadas.

Íntegra do documento: http://www.ajd.org.br/documentos_ver.php?idConteu

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Exoman em 20/04/2013 - 18h45 comentou:

Foi muito divertido ver os índios entrando e a deputaiada saindo correndo apavorada! Apoio os indígenas!

Responder

Ariadne Leal em 21/04/2013 - 02h02 comentou:

Oi, adoro o seu blog, descobri há pouco tempo. O tom de desespero na voz do nobre deputado logo no começo é uma daquelas coisas que a gente sempre acha que só vai ver na sátira política mais escrachada e caricata. Enfim, detesto ser a chata que nunca comentou e vem para apontar erro, mas o correto é Língua de Sinais. É uma questão importante de política linguística para os surdos, achei que você gostaria de saber.

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