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EUA viraram a Venezuela e Joe Biden tem agora seu próprio Guaidó: Trump

Com um presidente eleito e outro no cargo dizendo que ganhou a eleição, que moral o governo norte-americano terá para criticar Maduro?

"Eu sou o presidente!". Fotomontagem: reprodução twitter
Cynara Menezes
08 de novembro de 2020, 14h22

No dia 29 de janeiro de 2019, Donald Trump telefonou para Juan Guaidó, o autodeclarado presidente da Venezuela, para parabenizá-lo por sua “histórica ascensão ao poder”, chamou Nicolás Maduro de “ex-ditador” e falou de seu “forte apoio à luta da Venezuela para recuperar a democracia”. Guaidó foi reconhecido “presidente” por 50 países, inclusive pelo Brasil.

O que fará Joe Biden com as Forças Armadas dos EUA? Elas aceitarão que Trump permaneça no cargo, fazendo dele um ditador e transferindo a Biden o papel de Guaidó? Em algum lugar em Caracas neste momento, um presidente gargalha chacoalhando os bigodes

Quase dois anos depois, os EUA vivem um processo similar. Concluído o arcaico processo de apuração dos votos na “maior democracia do mundo”, o presidente no cargo, Trump, grita “fraude” e se recusa a aceitar a vitória de seu adversário nas eleições, Joe Biden. Biden foi proclamado presidente pela mídia local e já foi reconhecido pelos governantes da França, Alemanha, Reino Unido, Chile, Argentina, Israel… Mas não pelo Brasil.

Enquanto isso, como uma espécie de Guaidó com votos (o autodeclarado presidente não disputou a eleição, era presidente da Assembleia Nacional), Trump continua esperneando nas redes sociais e se dizendo reeleito. “Eu ganhei esta eleição, e por muito!”, brada o presidente dos EUA no twitter, que passou a marcar as postagens de Trump como carentes de verdade factual, ou seja, mentiras.

Biden e sua vice, Kamala Harris, por outro lado, agem oficialmente como vencedores do pleito. O democrata passou a usar a alcunha de “presidente eleito” no perfil e afirma que o povo dos EUA se manifestou e lhe deu uma “vitória clara”, “uma vitória convincente”.

Chutado para fora da Casa Branca pelas urnas, Trump alterna os papéis de Guaidó e Maduro. Assim como Guaidó, se autodeclara presidente e afirma ter havido “fraude” na eleição. E, assim como Maduro, se recusa a deixar o cargo. O fato é que, no atual  momento, os EUA possuem dois presidentes da República. Um eleito e outro autodeclarado. Igualzinho à Venezuela.

Com Nicolás Maduro, a reação de Trump foi pressionar as Forças Armadas venezuelanas a romperem com o presidente e aceitarem Guaidó. O que fará Joe Biden com as Forças Armadas dos EUA? Elas aceitarão que Trump permaneça no cargo, fazendo dele um ditador e transferindo a Biden o papel de Guaidó? Aconteça o que acontecer, nos próximos anos um “presidente” viverá fazendo sombra ao outro. Os EUA estão provando de seu próprio veneno.

Em algum lugar em Caracas neste momento, um presidente gargalha chacoalhando os bigodes.

 


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Bernardo Santos Melo em 08/11/2020 - 19h42 comentou:

Biden soube promover a Unidade da centro esquerda americana , venceu com humildade e mostrou ao planeta suas emergenciais ações que serão implantadas ao assumir em janeiro próximo :
A- Prioridade contra COVID 19;
B- ECOLOGIA INTEGRAL e volta ao tratado de PARIS;
C- FIM do NEGACIONISMO científico e volta OMS;
D- Multilateralismo como estratégia civilizada de relações externas .

Contudo a humanidade esclarecida necessita de algo mais , precisamos lutar com total engajamento contra o FASCISMO recrudescido via TRUMP , BOZO e outros .
Essa LUTA no BRASIL BOZAL exige uma semana aguerrida face eleições municipais , O VOTO ÚTIL É FUNDAMENTAL , não importa qual partido será vencedor , QUEM ESTÁ na FRENTE ( BOULOS , MANUELA , MARTA , KLEBER ,etc )deverão ser apoiados por toda MÍDIA independente .
Óbvio que A SOCIALISTA MORENA muito fará neste sentido , JUNTOS numa SEMANA CÍVICA contra a FAMILÍCIA no poder ,com direito ao SHOW LIVE do queridíssimo CAETANO .
SAMPA fará a VIRADA mais linda da democracia nacional , de CELTINHA gritaremos forte Fooora BOZO , elegeremos BOULOS & ERUNDINA com um NÃO ENORME ao inominável desgoverno do COISO TCHUCADO .

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Thelonious Monk em 12/11/2020 - 12h26 comentou:

Comparar os EUA com a Venezuela é um delírio de interpretação. Qualquer país do mundo pode ter disputas acirradas pelo poder, travadas em foros democráticos e institucionalizados. Mas na Venezuela isso não é verdade porque as instituições que lá funcionam (se é que alguma coisa lá funciona) não são fruto de um sistema democrático. Não há dois presidentes! Um ainda está no exercício de seu mandato e o outro ainda não foi declarado vencedor do embate eleitoral. Mesmo que tenha alcançado a maioria de votos no colégio eleitoral, só será presidente depois que a vitória for reconhecido pelas instituições democráticas internas e tomar posse. Acho que a noção de realidade passou muito longe desse comentário. A maconha que a blogueira fuma deve estar muito forte… ou estragada, sei lá. Jornalismo é outra coisa.

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Claudio Augusto Parente em 18/11/2020 - 11h31 comentou:

Isso é praga da Dilma.

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