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Kapital!, o “Banco Imobiliário” da família comunista, é lançado no Brasil

Criado pelos franceses Michel e Monique Pinçon, primeiro jogo de sociologia crítica já lançado tem como objetivo... vencer a luta de classes, claro

Foto: divulgação
Da Redação
14 de fevereiro de 2022, 17h52

Esta é para quem sempre achou Banco Imobiliário (Monopoly, em inglês) um desserviço para as crianças, desde cedo aprendendo a especular, a valorizar áreas nobres das grandes cidades em detrimento das mais “pobres” e a se sentir superior aos demais por acumular dinheiro. Criado pelo célebre casal de sociólogos franceses Michel Pinçon e Monique Pinçon-Charlot e lançado agora no Brasil, o jogo de tabuleiro Kapital!: Quem Ganhará a Luta de Classes? tem objetivo oposto: criticar as desigualdades do mundo e mostrar que é possível aos “dominados” vencer os “dominantes” –mas não sem muita luta coletiva.

No final de 2019, quando foi colocado nas prateleiras da França, Kapital!, apontado como o primeiro jogo de sociologia crítica já lançadoteve mais de 10 mil cópias vendidas em apenas três semanas, boa parte adquirida por esquerdistas que queriam zoar algum parente de direita no Natal… Segundo Monique Pinçon-Charlot, o sucesso do jogo se deve a seu realismo. “A violência nas relações sociais, de dominação e exploração tornou-se tão grande nos tempos que estamos vivendo, que não é mais uma luta de classes. É uma guerra. Mas, como na vida real, o dominante tem todas as chances de vencer”, explicou a socióloga na época do lançamento.

As casas não têm o mesmo efeito para o dominante e os dominados. O dominado que cai na prisão, por exemplo, perde a vez, enquanto o dominante pode sair rapidamente dela pagando 20 mil a um advogado caríssimo

As casas não têm o mesmo efeito para dominante e dominados. O dominado que cai na prisão, por exemplo, perde a vez, enquanto o dominante pode sair rapidamente dela pagando 20 mil a um advogado caríssimo. As cartas também são diferenciadas por classe. Seu carro quebrou e você não pode dar ao luxo de consertá-lo. Você não vai sair de férias neste verão”, é uma das cartas que o dominante azarado pode pegar. “K” é a moeda do jogo.

Kapital! começa seguindo à risca a regra do 1% da população com quase todo o dinheiro do mundo contra os 99% que pouco ou nada têm: escolhido por sorteio, o dominante designado pelo grupo receberá (de herança, claro) cinco vezes mais dinheiro do que todos os outros, os dominados. A crítica à “pilantropia” também está presente com o cartão “Criação de uma fundação”, que garante ao “dominante” status na sociedade e fartos descontos no imposto de renda.

Enquanto isso, os “dominados” estão às voltas com “Enviar CV para conseguir um emprego” e outras ralações como “Criar um slogan revolucionário”. Por sorte, o “capital” do jogo não é só financeiro: pode ser também cultural (através dos estudos), social (contatos, redes sociais) e simbólico (nome e endereço), seguindo as acepções de Pierre Bourdieu, o que equilibra um pouco a parada –sem mencionar a casa “Revolução”, que dá aos “dominados” o poder de literalmente virar o jogo e redistribuir equitativamente o dinheiro, além de outras ações coletivas como “Greve Geral” e “Todos Juntos”.

Na França, o tabuleiro contém 82 casas, representando a média de idade dos cidadãos do país. No Brasil, as editoras Autonomia Literária e Boitempo, que estão lançando o jogo, modificaram para 76 casas, a média de vida por aqui, e o conteúdo foi adaptado para a realidade política brasileira, mas o objetivo continua o mesmo: vivenciar e compreender, de forma lúdica e divertida, as relações de classe, desde o nascimento até o paraíso, seja fiscal ou não.

Kapital!: quem ganhará a luta de classes?
Onde comprar: editoras Boitempo e Autonomia Literária

 

 


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(13) comentários Escrever comentário

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Tatiana Belons em 15/02/2022 - 00h20 comentou:

Caros,
Boa noite.
Simplesmente amei esse jogo! Como eu faço para adquiri-lo? Qual é o preço?
Atenciosamente, Tatiana.

Responder

    Cynara Menezes em 15/02/2022 - 11h29 comentou:

    no final do texto tem todas as informações

Rodrigo Vicino em 15/02/2022 - 02h01 comentou:

Não tem condição de um jogo com esse objetivo custar o que estão anunciando!
Aí é dose!
Tinha que pôr baratinho para download e impressão. Ou algo assim!

Decepção!

Responder

Josué Nicácio da Silva em 15/02/2022 - 09h29 comentou:

Parabenizo e gostaria de receber mais informações do site.

Responder

Pedrinho Ancap em 15/02/2022 - 16h06 comentou:

280 pila num jogo anti-capitalista kkk vcs são uma comédia, não atoa o socialismo se manter hoje as custas do capitalismo

Responder

Everaldo Gonçalves em 15/02/2022 - 21h00 comentou:

Prezados a classe dominante cria meios de sobreviver eliminando seus opositores no nascedouro.
Já fui excluído antes do jogo antes de começar.

Tenho exatamente, neste ano, um ano além do permitido.

Não seria justo burlar e falsificar minha idade, de 77 anos, se o jogo só permite idosos até 76 anos.

Jogo sujo com os mais velhos que são a minoria da minoria ainda que ambos sejam a maioria.

Abraços, Everaldo Gonçalves, geólogo.

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Pameya silva em 15/02/2022 - 22h10 comentou:

Por trás da venda desse jogo, tem sempre um capitalista querendo ganhar dinheiro!
Muito caro !

Responder

Bruno em 16/02/2022 - 10h11 comentou:

O jogo tem uma proposta de ideologia socialista, mas o preço é bem capitalista hehehehe.

Responder

Thelma em 16/02/2022 - 14h13 comentou:

Por R$ 280,00 só a classe dominante vai poder jogar.

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Rod em 19/02/2022 - 13h46 comentou:

Uma correção: o Monopoly foi criado justamente pra mostrar pras crianças como o capitalismo sempre acaba em monopólio, segundo a autora do jogo. Ou seja, já é uma crítica ao capitalismo. Obviamente que, assim como tudo no socialismo, deu errado, e teve o efeito contrário, vendendo milhões até hoje e rendendo muito dinheiro.

Responder

Bernardo Santos Melo em 22/02/2022 - 09h47 comentou:

Criar uma versão com preços populares é fundamental , tempos bicudos com direito a ossos alertam para barbárie vindoura .
Boitempo sabe caminhar e caminhando abrirá as trilhas da popularização do Kapital .
Fantástica Cynara mais uma vez seu jornalismo inovador e engajado , parabéns !

Responder

Sergio Vauduro em 01/03/2022 - 20h15 comentou:

Gostaria de comprar mas meu cardiologista vetou.
O preço é muito salgado.

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João Carlos Bastos em 19/04/2022 - 19h03 comentou:

Poxa, muito caro. Desconstruir como se a classe trabalhadora não tem 280 reais disponível?

Responder

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