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Moro manda expulsar de grupo de WhatsApp cineasta que criticou sua incoerência

"De Super Moro a padre Kelson do segundo turno. Tchutchuca de genocida", escreveu Lucas Mesquita antes de ser banido e ter suas postagens apagadas

Moro e Bolsonaro após o debate. Foto: reprodução
Da Redação
18 de outubro de 2022, 17h54

Co-diretor, com o irmão Gabriel, do documentário Eles Poderiam Estar Vivos, sobre a pandemia de Covid-19, o cineasta Lucas Mesquita foi banido de um grupo de WhatsApp por ter se envolvido numa discussão com o ex-juiz e senador eleito Sergio Moro. O “pecado” de Lucas foi questionar a parcialidade de Moro e publicar um vídeo onde expõe a incoerência dele ao voltar a apoiar Jair Bolsonaro depois de ter saído do governo acusando o presidente de intervir na Polícia Federal em benefício dos filhos.

A história foi contada pela jornalista Andreia Sadi na Globo News na tarde desta terça-feira e foi confirmada ao site pelo cineasta, que forneceu mais detalhes. Tudo começou no domingo, quando Moro chegou ao debate entre os presidenciáveis na Band como se fosse mais um assessor de Bolsonaro. Lucas comentou: “Quer carta de inocência maior pro Lula? Acusação e juiz juntos como convidados (e até como assessores) do adversário do réu”.

O comentário do cineasta gerou uma treta no grupo, de nome Parlatório SA, e que conta entre seus membros, além de Moro, vários empresários, jornalistas e intelectuais (entre eles Abílio Diniz, Luiza Trajano e até o vice de Lula, Geraldo Alckmin). Alguns nomes saíram em defesa do ex-juiz e outros concordaram com Lucas. “Como os livros de história vão explicar isso aqui?”, postou o cineasta, com uma foto de Moro ao lado de Bolsonaro na entrevista ao final do debate –a mesma que ilustra este texto.

Lucas também adicionou um tweet do ex-juiz, de janeiro deste ano, em que acusa o presidente de “mentir que era a favor da Lava-Jato” de não ser digno da cadeira que ocupa.

Os membros continuaram o bate-boca, divididos entre defensores e detratores de Moro e Deltan Dallagnol. “Cada qual vê como deseja. O fato é: Moro é assessor de Bolsonaro. Por ele deixou a carreira de juiz de Direito. Bolsonaro cometeu em quatro anos muito mais crimes do que o Lula. São fatos”, escreveu um, concordando com o cineasta.

“Somente com a quase certeza de que Bolsonaro fosse um novo Hitler, ele poderia agir diferente. Ele o conheceu de perto, sabe que o cara é um horror, não gostaria de apoiá-lo, mas sabe que ele não é uma ameaça tão grave quanto muitos receiam, e não há como ele não se opor ao outro”, rebateu outro, em defesa do ex-juiz.

Uma empresária do ramo dos cosméticos se exaltou: “Senador Moro merece respeito!” Um conhecido economista e empresário foi no sentido oposto e cobrou o ex-ministro de Bolsonaro, tratado como “ministro” pelos membros do grupo simpáticos a ele. “Sergio Moro, com todo respeito, não foi você mesmo que falou meses atrás que foi o Bolsonaro que acabou com a operação Lava-Jato e que estava interferindo na nomeação da Polícia Federal para barrar investigações dos atuais governantes?”, questionou.

O próprio Moro respondeu aos questionamentos dizendo ter dúvidas sobre a independência da PF e do MPF em um provável governo Lula. “Você acha que Lula voltando vai dar autonomia à PF e ao MP? Já não se comprometeu em respeitar a lista tríplice. Já conheci a democracia petista pela perseguição a mim e a minha família”, escreveu.

Lucas Mesquita, então, exibiu trechos de uma entrevista dada pelo ex-juiz ao deixar o governo, onde diz, com todas as letras, que nunca houve interferência do PT na PF e no MPF quando o partido estava no poder. “É certo que o governo na época tinha inúmeros defeitos, aqueles crimes gigantescos de corrupção que aconteceram naquela época, mas foi fundamental a manutenção da Polícia Federal para que fosse feito o bom trabalho, seja de bom grado ou por pressão da sociedade, mas isso (a autonomia) foi mantido”, declarou Moro.

Sobre os questionamentos de que almeja uma vaga no Supremo, o ex-ministro de Bolsonaro disse que pretende ficar fora do governo para atuar de forma “independente” no Senado, e, para confirmar o que dizia, reproduziu o tweet que publicou após a participação como assessor do presidente no debate.

O momento em que Moro se disse “ofendido” foi quando o cineasta o chamou de “parcial”. “Com todo o respeito, mas toda a sua movimentação após deixar a magistratura só mostra que de fato foi um juiz parcial. Não existia outro caminho a não ser a anulação de todos os processos. Sua ida ao debate só reforçou a inocência de Lula”, escreveu Lucas. “Não sabia que membros do Parlatório podiam ofender outros aqui”, rebateu o ex-juiz, sem apontar onde estaria a ofensa. A pedido dos moderadores do grupo, o cineasta acaba pedindo desculpas. “Não ofendi o ministro. De forma alguma. Mas se ele entendeu assim, peço desculpas.”

No dia seguinte, segunda-feira, Moro responde que não aceita as desculpas. “Não aceito pedido de desculpas nesses termos, mas vou escolher só ignorar suas manifestações já que enviesadas”, escreve. Lucas Mesquita, então, resolve chutar o balde e publica um vídeo que fez sobre as relações entre Moro e Bolsonaro, acompanhado do seguinte texto:

“Oi, Sergio.

Eu não te devo desculpa alguma.

Sei que serei banido. Então mando um grande abraço a todos da curadoria. Mas vamos lá, Sergio:

Eu não devo desculpas a você. Você que deve desculpas ao Brasil. Você é o pai e a mãe de Jair Bolsonaro. Você pariu o GENOCIDA que matou centenas de milhares de brasileiras e brasileiros. Mais de 400 mil pessoas estão mortas porque você elegeu esse fascista que nos governa.

Suas mãos estão sujas de sangue. Você é cúmplice de tudo isso que está acontecendo no país. As mortes, a fome, a destruição das instituições. Você deveria ter se candidatado a um cargo eletivo antes. Aí sim poderia fazer política. Mas fez política como juiz.

Pedir desculpas por que chamei você de juiz parcial? É pra rir isso? Não sou eu que estou dizendo. Foi o STF. E cá entre nós, você nunca escondeu. A Vaza Jato apenas deixou explícito o que todo mundo sabia. A perversa relação com a acusação. Você era o chefe da operação lava jato e se orgulha disso. Deixa isso claro pra todo mundo.

Nem precisava de Vaza Jato. Você virou ministro do adversário do cara que você prendeu sem provas (se eu estou errado, me mostre em que páginas das sentenças estão as provas). Sua sentença é piada nos cursos de Direito. Virou tchutchuca de miliciano. Coach no debate do miliciano que só humilhou você. E você voltou com o rabinho entre as pernas. Ele te prometeu vaga no STF de novo, foi?

“Suas mãos estão sujas de sangue. Você é cúmplice de tudo isso que está acontecendo no país. As mortes, a fome, a destruição das instituições. Você deveria ter se candidatado a um cargo eletivo antes. Aí sim poderia fazer política. Mas fez política como juiz”, criticou o cineasta

Se prometeu ou não, não sei. Mas ele não vai indicar mais nenhum ministro pro STF. Porque o cara que você prendeu sem prova alguma, sendo chefe da acusação e juiz ao mesmo tempo, vai ganhar as eleições. Bolsonaro não vai indicar ministro nenhum. Bolsonaro vai ser preso. Por crimes contra a humanidade.

E Lula vai ser presidente. Mesmo após todo o massacre que a Lava-Jato cometeu contra ele. O povo não é bobo, Sérgio. O povo sabe que vocês nunca se importaram com combate à corrupção. Só queriam combater o PT. Mas no voto não conseguiam.

Tá de novo com Bolsonaro , o responsável pelo maior esquema de corrupção da história. Você não liga pra corrupção. Admita. Você deveria ter vergonha. E tem. Soube que hoje você encontrou alguns membros do grupo Prerrogativas no aeroporto, baixou a cabeça e acelerou o passo. Por que, Sergio?

Aliás , você deveria responder um monte de perguntas.

– Bolsonaro interferiu ou não na PF? Você mentiu em abril de 2020 ou perdoou ele, Como perdoou o Onyx pelo caixa 2?

– Por que você foi trabalhar nos EUA na recuperação judicial das empresas que você quebrou?

– Por que você soltou Youssef?

– Por que você passou o dia todo pedindo pro pessoal da curadoria me banir ? Deu errado. Não me baniram porque não ofendi você. Chamei você do que você é: juiz parcial. E peguei leve.

PS: quem sofreu muitas ofensas aqui foi o futuro vice-presidente, Geraldo Alckmin. Os que xingaram e ofenderam ele serão os mesmos que vão bajulá-lo no Jaburu ano que vem. (Um abraço, Geraldo! Dia 30 vamos vencer).

PS2: um abraço aos que tentaram me censurar ontem (inclusive um que foi condenado por corrupção nos EUA e no Brasil).

PS3: Marques, Ernesto (moderadores do grupo). Me desculpem. Eu prometi que ia me controlar. Mas a democracia é mais importante do que a paz do grupo.

Um beijo, Sergio. De Super Moro a padre Kelson do segundo turno. Tchutchuca de GENOCIDA.

Tava tudo dando certo pra você, né? Mas tinha VAR. E o VAR mostrou que o juiz era ladrão.”

Depois disso, o cineasta Lucas Mesquita foi banido do grupo e sua postagem e vídeo apagados.

 

 

 

 


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