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Cultura

Mulheres do candomblé contra a intolerância

De vestido branco rendado e sorriso maroto no rosto, Mãe Carmem de Oxaguiã, a sucessora da célebre Mãe Menininha do terreiro do Gantois, na capital baiana, analisa o poder feminino na religião afro-brasileira: “As mulheres dão conta do candomblé. A mulher sabe mandar… Com carinho, ela manda”. E vai desfiando os nomes das matriarcas antes […]

Cynara Menezes
09 de fevereiro de 2015, 20h04
carmem

(Mãe Carmem do Gantois em cena do documentário)

De vestido branco rendado e sorriso maroto no rosto, Mãe Carmem de Oxaguiã, a sucessora da célebre Mãe Menininha do terreiro do Gantois, na capital baiana, analisa o poder feminino na religião afro-brasileira: “As mulheres dão conta do candomblé. A mulher sabe mandar… Com carinho, ela manda”. E vai desfiando os nomes das matriarcas antes dela, antes de sua mãe, e antes ainda… Guardiãs dos segredos dos orixás.

Lançado em 2013, o livro Mulheres de Axé reuniu perfis de mais de 200 ialorixás (mãe-de-santo) de Salvador, região metropolitana e Recôncavo. E foi transformado em um documentário que o Socialista Morena reproduz com exclusividade. No tom calmo de falar, no jeito doce, a sabedoria das mulheres do candomblé contrasta com a perseguição e a intolerância que até hoje sofrem no Brasil os seguidores das religiões de matriz africana.

mulheresdeaxé

Embora desde 1939 tenha sido garantida a liberdade de culto no País, não é mais a polícia quem pretende destruir os terreiros de candomblé e umbanda –mesmo com o decreto de Getúlio Vargas, até 1976 havia uma lei na Bahia que obrigava os terreiros de candomblé a se registrarem na delegacia. Atualmente, quem persegue os seguidores das religiões afro-brasileiras é gente dita “cristã”: fundamentalistas evangélicos que disseminam o preconceito e o ódio aos fiéis do candomblé e também da umbanda.

No ano passado, o Disque 100, número disponibilizado pelo governo para denunciar agressões aos direitos humanos, registrou 149 casos de intolerância religiosa, quase todos relacionados às religiões de matriz africana. Em 2007, foi instituído o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro), em homenagem à mãe-de-santo Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, do Ilê Axé Abassá de Ogum, no bairro de Itapuã.

Em outubro de 1999, Mãe Gilda teve sua imagem estampada na primeira página da Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, sob os dizeres: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. No dia seguinte, seu terreiro foi invadido e depredado. Mãe Gilda acabaria morrendo dois meses depois, vítima de um infarto. A família da mãe-de-santo acabou obtendo indenização na Justiça contra a Universal, condenada a pagar 145 mil reais por danos morais.

Agora que temos um fundamentalista evangélico no poder na Câmara dos Deputados, é preciso ficar alerta. Que bom seria se todo mundo pensasse como a Mãe Jaciara de Oxum, herdeira de Mãe Gilda: “Não existe uma religião melhor do que a outra. Seja Deus, Olorum, Javé ou Buda”. Assistam ao documentário de Marcos Rezende, é muito bacana.


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(29) comentários Escrever comentário

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Super Sincero em 10/02/2015 - 00h34 comentou:

Perguntinha básica: quantos seguidores têm essas religiões matriarcais? E quantos têm as religiões patriarcais? Sem mais.

Responder

    morenasol em 10/02/2015 - 00h44 comentou:

    e religiões de pessoas com sérios problemas sexuais, quantos seguidores têm?

    Super Sincero em 10/02/2015 - 11h02 comentou:

    Infelizmente, não sei responder. Talvez você saiba. Afinal, é feminista. E é de conhecimento pacífico e universal o que leva pessoas a serem feministas. Por favor, responda você mesma a sua pergunta. Está amplamente qualificada para isso.

    morenasol em 10/02/2015 - 14h28 comentou:

    o que é de conhecimento pacífico universal é que homens com problemas com mulheres… sei não

    Super Sincero em 10/02/2015 - 14h45 comentou:

    Homens com problema com mulheres, concordo com você, sei não… E mulheres com problemas com homens, como sabemos nós e a humanidade, se tornam feministas.

    @ManuAzam em 11/02/2015 - 02h44 comentou:

    Vc nem sabe o que é feminismo. ? A sua pergunta sobre "religiões patriarcais" terem mais seguidores é facilmente explicável, e isso não se deve a superioridade, mas ao machismo. Experimenta estudar um pouco, pq tudo o que eu disser aqui não vai ser nem considerado por vc. Axé, Namastê, a paz do senhor.

    jjcristão em 10/02/2015 - 06h33 comentou:

    boa!

    jjcristão em 10/02/2015 - 06h35 comentou:

    A mãe de santo nem sabe que buda não é Deus… pff

    Luciano em 11/02/2015 - 02h49 comentou:

    E desde quando Mães de Santo tem que conhecer as religiões budista e cristã? Elas são do Candomblé e isto basta.
    Não há nenhuma obrigação em conhecer a religião alheia, basta respeitá-la. Coisa que vocês cristãos NÃO FAZEM.

    Marcos Rezende em 11/02/2015 - 10h21 comentou:

    Com certeza ao afirmar entendimentos diferentes para a morfologia do debate para além da concepção cristã de Deus, mas seguindo pelo entendimento de que às pessoaas divinificam os seres que acreditam terem energias elevadas. Daí até o ser humano Jesus virou Deus.

    Luis em 10/02/2015 - 10h25 comentou:

    E agora precisa uma questão de número para legitimar uma religião?

    Super Sincero em 10/02/2015 - 14h49 comentou:

    É imprescindível, na verdade. Veja a morfologia e etimologia da palavra "religião", e verá que sua pergunta não tem cabimento algum, já que a resposta é óbvia.

    Mike em 12/02/2015 - 11h57 comentou:

    Lindamente arrogante e ridiculo seu comentario. Deve ser da universal mesmo…

Lucianna em 10/02/2015 - 11h18 comentou:

Uma religião linda, forte e respeitável.

Responder

Super Sincero em 10/02/2015 - 11h22 comentou:

Eu sonho com o dia em que feministas CRIARÃO algo que será transformado em sucesso mundial, para que deixem de uma vez por todas essa inveja incomensurável que sentem pelos sucessivos sucessos de coisas criadas por homens. Ao invés de querer aderir ao futebol, feministas criarão um esporte de mulheres que será sucesso mundial… ao invés de querer ser "padre" (licença poética, claro), criarão uma religião de mulheres que será sucesso mundial… ao invés de querer cotas políticas em países desenvolvidos, tomarão as rédeas de nações pobres e subdesenvolvidas e as transformarão em nações ricas e prósperas, e terão então o controle político daquilo que criaram… etc. Para que feministas tivessem um minimo de respeito, teriam que confessar sua misandria e propor segregação. Mas não. Querem aderir aos sucessos dos homens e dizer que são partícipes ativas desse sucesso. Claro, não convencem.

Responder

    morenasol em 10/02/2015 - 14h29 comentou:

    misandria? o que eu tô vendo é um homem obcecado em criticar mulheres. isso se chama misoginia. coisa pra tratar na terapia e não em blog, sorry

    Super Sincero em 10/02/2015 - 14h55 comentou:

    Ah, sim, claro, entendi. Homens que criticam o feminismo estão na verdade a criticar mulheres, e, portanto, são passíveis de tratamento. Mas mulheres que criticam o machismo, essas não criticam homens, não passam a vida a criticar homens, a desqualificar os feitos dos homens… essas não. Falta de lógica mandou lembrança. E olha que você me mandou para tratamento sendo que eu apenas COMENTO em blogs, nem ao menos TENHO UM para desancar o sexo oposto 24 horas por dia, todos os dias. Se tivesse, tenho até medo de pensar para onde você me mandaria. Mas que pena que você não segue para si mesma o seu receituário. Ter a pia… você precisa urgentemente.

    morenasol em 10/02/2015 - 15h42 comentou:

    FAÇA um. o que te impede? você não é tão ~superior~ sendo homem? ou é um NADA que nem sequer um blog consegue ter? ; )

    Super Sincero em 10/02/2015 - 16h12 comentou:

    Bom, se não ter um blog reduz a pessoa a NADA, então eu sou um nada. E, de fato, eu não tenho rancor e ódio suficientes para escrever 24 horas por dias, todos os dias, contra o sexo oposto. Para isso, eu teria que detestar profundamente o sexo oposto, pois só quem detesta profundamente o sexo oposto cria blogs defendendo teorias totalitárias sexistas como o machismo e o feminismo.

    morenasol em 10/02/2015 - 16h57 comentou:

    vou te dar um toque: você está escrevendo 24 horas contra as mulheres no MEU blog há dias. em quase todos os posts há comentários misóginos seus. talvez o que não tenha sejam leitores (porque não existe tanta gente idiota assim) ou competência, por isso prefere parasitar aqui. outro toque: você detesta profundamente o sexo oposto. sugiro terapia. abraço, vá passear em outros blogs. está suspenso por uma semana ; )

    Marcos Rezende em 11/02/2015 - 10h17 comentou:

    Adorei.

    @RodolfoCV em 11/02/2015 - 13h03 comentou:

    Porque você não mostra o rosto e diz seu nome? Fácil falar asneiras assim.

    renato pamares em 15/02/2015 - 15h38 comentou:

    Nossa ! Quanta besteira hein meu véio ? Super sincero que não mostra o rosto nem se identifica . Aprendeu com Ku Kux Klhan ?

Daniel em 10/02/2015 - 17h41 comentou:

Morena, parabens pelo Blog, e vai ai meu apoio contra a intolerancia, seja religiosa, ou de qualquer natureza!
abs

Daniel

Responder

Murilo Vinhal em 10/02/2015 - 17h54 comentou:

Salve Mãe Menininha, salve as mulheres de santos! Lindo artigo, que Olorum te de força para continuar lutando contra a injustiça.

Responder

Fernanda em 10/02/2015 - 20h03 comentou:

Vendem cristãos preconceituosos na TV e jornais… E mesmo os q criticam a velha mídia não filtram isso. Somos milhares, muitos tentam, assim como todos de religião ou não, ser pessoas de bem. Mas a laranja podre aparece muito mais. Está aí a taxação de intolerância q nos rotulam. Abraços queridos amigos de raízes afro, ateus, cristãos, budistas. Tds rezando, orando, energizando coisa boa.

Responder

Paulo em 11/02/2015 - 01h43 comentou:

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine."
Assim Paulo inicia o capítulo 13 da 1ª carta aos Coríntios. Causa-me grande tristeza ver gente dita evangélica perseguir, atacar, ofender e caluniar quem quer que seja. Infelizmente, a IURD vem sendo motivo de tristeza faz muito tempo, por ter se esquecido de pregar o verdadeiro Evangelho. Mas esse julgamento não cabe a mim.
Por mais que eu possa discordar das religiões de origem africana e nesse ponto, tendo a Bíblia como meu manual permanente de instruções, entendo que o caminho que essas religiões seguem são totalmente equivocados, a própria Bíblia me ensina a amar cada um daqueles que seguem não apenas essas como cada ser humano. Minhas palavras podem até ser bonitas, mas se meu proceder não as refletir, o brilho de Jesus Cristo não estará em mim.
Oro por todas essas mulheres doces e calmas, para que elas tenham um encontro com Jesus e ponham toda a sua esperança nEle.

Responder

ELIZA SALUSTIANO em 12/02/2015 - 01h35 comentou:

BELO DOCUMENTÁRIO ,ESSA É MINHA RELIGIÃO ,MEU AR ,MINHA FORÇA, MINHA IDENTIDADE,MEU TUDO.AXÉ

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@rghidini em 13/02/2015 - 13h13 comentou:

Impressionante como as opiniões de algumas pessoas tendem a ser exageradas…é a facilidade do anonimato!

Responder

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