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Cultura

O Forte Apache datou

Quando eu e as gerações mais para trás éramos crianças, era normal brincar de Forte Apache. Nossos heróis eram os sanguinários militares do exército norte-americano, como o general Custer, que matavam os vilões: os índios. Construíamos o forte, colocávamos atiradores vigiando com seus rifles Winchester e, quando os peles-vermelhas atacavam (iáááá!), executávamos a chacina. Pou, […]

Cynara Menezes
15 de dezembro de 2012, 16h20

Quando eu e as gerações mais para trás éramos crianças, era normal brincar de Forte Apache. Nossos heróis eram os sanguinários militares do exército norte-americano, como o general Custer, que matavam os vilões: os índios. Construíamos o forte, colocávamos atiradores vigiando com seus rifles Winchester e, quando os peles-vermelhas atacavam (iáááá!), executávamos a chacina. Pou, pou, pou. No final, todos os índios morriam. Êêêêê!

Agradeço ao politicamente correto o fim dessa brincadeira. Imagina: ensinar criancinha que matar índio é bom. Certo que ainda existem trogloditas a vociferar contra pessoas que usam o sobrenome Guarani Kaiowá nas redes sociais em apoio aos índios e que são capazes de escrever “índio bom é índio morto” em blog. Mas o fato é que o Forte Apache datou, já era. Ninguém mais quer que seus filhos brinquem disso.

Pois bem: vocês não vão acreditar no que vou contar agora. O Parque Ana Lídia, em Brasília, é o mais conhecido parquinho infantil da capital. É tradicional, foi fundado em 1974. Os brinquedos são bem à moda da época, coloridos e temáticos: tem o setor “contos de fadas”, com a carruagem de Cinderela, a bota da bruxa… Tem o setor “viagem à Lua”, com o foguete, que é o favorito da criançada, e a cúpula espacial. E tem o Forte Apache.

O Forte Apache do Parque Ana Lídia, onde brincam as criancinhas, tem a carroça dos pioneiros, tem a cerca da fazenda, tem as ocas dos índios e… um canhão apontando para as ocas! Sério. Quando é que alguém vai fazer alguma coisa? Brincar de apontar canhões para índios é coisa do passado, já era. Neste aspecto, o mundo mudou para melhor. Salvem nossas crianças de descobrir que um dia isso foi normal. Tira esse canhão daí, governador.

O canhão e seu alvo

A carroça dos pioneiros

O foguete é bacana, bem concorrido

A bota da bruxa

A carruagem de abóbora de Cinderela


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(6) comentários Escrever comentário

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hans tramm em 15/12/2012 - 17h49 comentou:

Pioneiro,com direito a ''carteirinha'' da associação dos fundadores da nova capital.Comungo com a sua ''Campanha''pela retirada do canhão que aponta para os índios no Parque Ana Lídia em Brasilia.Em oposição aos norte americanos ''nossa conquista do oeste''Deu-se sob a frase; pedra angular da tentativa de pacificação dos índio do Brasil em nossa sociedade'':Morrer se preciso for.Matar nunca!'' Marechal Cândido Rondom esse sim um herói militar.Criador do SPI hoje FUNAI.

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Nikolas Spagnol em 16/12/2012 - 01h36 comentou:

O Agnelo nem deve saber que existe esse canhão aí, ou mesmo esse parque…

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Cláudio Bueno em 06/01/2013 - 22h09 comentou:

Sou da geração Forte Apache, filmes do Rin-tin-tin , uma geração que curtiu o PT (Partido Trabalhadores), uma epoca que ao estudarmos Matemática tinhamos que decorar tabuada.
Socialista Morena não sou de esquerda e nem direita, não acredito em definições politicas, pois o que hoje e correto amanhã não o será. Respeito suas convicções e dependendo do momento até a apoiaria!?
Mas foi bom saber que existe em Brasilia um parque com replicas de forte apache. Deixo um provérbio:
"Não ande atrás de mim,
talvez eu não saiba liderá-lo.
Nem ande em minha frente,
talvez eu não saiba segui-lo.
Ande ao meu lado para que
juntos possamos crescer e
galgar os degraus da elevação
da consciência". (provérbio Sioux)
Obrigado por tê-la conhecido ,mesmo que seja de uma forma on-line ,que dificilmente me comunico.
Cláudio Bueno

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Luiz Paulo. em 29/07/2013 - 16h45 comentou:

Acho que o canhão deve ser deixado tal como se encontra. Tenho uma foto, de 1970, em que estou dentro de uma das cabanas. Evidentemente, era outra época, e o que mais passava na sessão da tarde eram westerns. Quando levo meu filho para o parque, explico para ele porque, quando criança, eu brincava de matar índios e evidentemente desaprovo que se mate quem quer que seja.
Se formos retirar da cidade todos os símbolos de discriminação e de violência social, acho que vai sobrar pouca coisa, incluindo a carruagem da Cinderela (quantas mulheres ainda esperam passivamente o príncipe encantado com o sapatinho de cristal?) e os quartos de empregada da maior parte dos prédios do Plano Piloto.

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Julio Alan em 23/11/2013 - 17h21 comentou:

Umas 10 pessoas giram este canhão pra outro lado.
(Como diziam: "Inventando moda")

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Edu em 14/12/2013 - 22h21 comentou:

que horror! tá pedindo um esculacho legal

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