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Ocupar já era?

Há alguns dias me chamou a atenção, na Folha de S.Paulo, uma entrevista com o “criador” do movimento Occupy Wall Street, o cineasta canadense e ativista Kalle Lasn, dizendo que o modelo de literalmente ocupar as ruas de uma cidade durante dias para fazer reivindicações está superado. “A magia só acontece uma vez”, disse Lasn […]

Occupy Wall Street
Cynara Menezes
18 de setembro de 2012, 05h50

Há alguns dias me chamou a atenção, na Folha de S.Paulo, uma entrevista com o “criador” do movimento Occupy Wall Street, o cineasta canadense e ativista Kalle Lasn, dizendo que o modelo de literalmente ocupar as ruas de uma cidade durante dias para fazer reivindicações está superado. “A magia só acontece uma vez”, disse Lasn à repórter Sofia Fernandes.

Achei estranho. “Segundo Lasn, uma segunda fase do movimento vai acontecer, com menos manifestações e, consequentemente, menos abordagens brutais da polícia, outro fator para o fim da primeira fase. Um próximo grande momento do Occupy? Talvez a criação de um terceiro partido nos Estados Unidos, afirma o ativista.”

(Leia a íntegra aqui)

Pois as comemorações do primeiro aniversário do Occupy Wall Street, no dia 17 de setembro, mostram que Lasn cometeu um erro de cálculo. O vídeo da Nation (http://www.thenation.com), linkado acima, mostra que muita gente foi lá marcar presença, e uma reportagem da revista questiona: “Se o Occupy já era, por que tanta gente foi presa?” (aqui) De fato, mais de 180 ativistas foram presos, inclusive jornalistas. Calcula-se que mais de 500 pessoas compareceram –e talvez tivesse ido mais gente se não fosse a presença ostensiva da polícia.

A blogueira Allison Kilkenny (@allisonkilkenny), da Nation, que esteve lá, contraria a opinião do “criador” do Occupy Wall Street. “Dizer ‘o Occupy está morto’ é não compreender nada do movimento. O Occupy não vai morrer enquanto as horríveis condições que inspiraram a criação do movimento continuarem a existir. Ao falar com os manifestantes, qualquer um pode perceber que suas queixas são reais e presentes. Um ativista resumiu bem as condições atuais do Occupy carregando um cartaz que dizia: ‘Nada mudou’.”

Acho que o homem apontado como “criador” do Occupy Wall Street é como um desses pais que não percebem que filhos são para o mundo. Ele pode ter sido um dos primeiros a convocar a manifestação, mas, uma vez que ela se tornou um sucesso, já era de todo mundo e de ninguém. O legado histórico do Occupy Wall Street, assim como dos “indignados” espanhóis, foi mostrar que existem formas novas e criativas de ir às ruas para protestar. E, mais importante ainda, que as redes sociais têm um potencial enorme para atrair adeptos a uma causa. Isso não acabou. Pelo contrário: está apenas começando.


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(1) comentário Escrever comentário

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Сталин em 22/09/2012 - 00h04 comentou:

é que ele ja planeja um partido… e num pais onde chamam Obama de comunista,
pelo jeito nao quer ganhar o rotulo. Como tantos outros, a meta é o PODER.

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